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Análise de um poema de FP
Carolina João
Created on October 10, 2022
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Transcript
Análise de um Poema de Pessoa
12 - 10 - 2022
Trabalho realizado por:Ana Carolina Pereira nº Carolina João nº 4
Não sei que sonho me não descansa
Na noite calma o harmónio toca Aquela dança, E o que em mim sonha um momento evoca Nova esperança. Nova esperança que há de cessar Quando, já dia, O harmónio eterno que há de acabar Feche a alegria. Ah, ser os outros! Se eu o pudesse Sem outros ser! Enquanto o harmónio minha alma enchesse De o não saber.
Não sei que sonho me não descansa E me faz mal... Mas eia! o harmónio a guiar a dança Nesse quintal. E eu perco o fim ao que não existe E oiço dançar, Já não alheio, nem sequer triste, Só de escutar. Quanta alegria onde os outros são E dançam bem! Dei-lhes de graça meu coração E o que ele tem.
Na noite calma o harmónio toca Aquela dança, E o que em mim sonha um momento evoca Nova esperança. Nova esperança que há de cessar Quando, já dia, O harmónio eterno que há de acabar Feche a alegria. Ah, ser os outros! Se eu o pudesse Sem outros ser! Enquanto o harmónio minha alma enchesse De o não sabe
Não sei que sonho me não descansa E me faz mal... Mas eia! o harmónio a guiar a dança Nesse quintal. E eu perco o fim ao que não existe E oiço dançar, Já não alheio, nem sequer triste, Só de escutar. Quanta alegria onde os outros são E dançam bem! Dei-lhes de graça meu coração E o que ele tem
Em que temática se enquadra este poema?
Fingimento artístico
Sonho e Realidade
Dor de Pensar
Nostalgia da Infância
Características Pessoanas no Poema: "Não sei que sonho me não descansa"
Este poema é constituído por 6 quadras, onde podemos observar rima cruzada (abab), que confere uma musicalidade intensa ao poema. Também conseguimos observar uma pontuação expressiva, como por exemplo:
- o uso de reticências (que nos indica a incapacidade de dizer ou completar algo),
- o uso da exclamativa (manifesta emoções e sentimentos)
- a alternância entre versos longos e curtos.
Características Pessoanas no Poema: "Não sei que sonho me não descansa"
Uma dos traços que distingue a realidade do sonho é a utilização de várias formas verbais como:
- o presente do indicativo, que expressa a realidade (“Não sei” (vv.1), “descansa” (vv.1), “faz” (vv.2), etc.)
- o imperfeito do conjuntivo expressa o sonho (“pudesse” (vv.21), “enchesse” (vv.23))
- a construção perifrástica (“há de acabar”), com a qual o sujeito poético confere um grau de certeza e conclusão ao verso.
Não sei que sonho me não descansa E me faz mal... Mas eia! o harmónio a guiar a dança Nesse quintal. E eu perco o fim ao que não existe E oiço dançar, Já não alheio, nem sequer triste, Só de escutar. Quanta alegria onde os outros são E dançam bem! Dei-lhes de graça meu coração E o que ele tem
Na noite calma o harmónio toca Aquela dança, E o que em mim sonha um momento evoca Nova esperança. Nova esperança que há de cessar Quando, já dia, O harmónio eterno que há de acabar Feche a alegria. Ah, ser os outros! Se eu o pudesse Sem outros ser! Enquanto o harmónio minha alma enchesse De o não sabe
Conclusão
Neste poema, vislumbra-se o tédio e a falta de vontade de viver por parte do sujeito poético, sendo esta uma das temáticas da poesia pessoana ortónima. O sonho constitui-se como uma forma de elisão ao estado "doentio do Eu. No entanto, a ilusão dura pouco e este resigna-se dolorosamente, sofrendo por ser incapaz de viver a vida como os “outros”, isto é, feliz e despreocupado