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A nau Catrineta

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Created on September 30, 2022

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Transcript

A nau Catrineta

de Almeida Garrett

Citação

Texto

O autor

Análise

da História ao Texto

Outras visões

Resumo

Vídeo

Lá vem a Nau CatrinetaQue tem muito que contar! Ouvide, agora, Senhores, Uma história de pasmar.

O autor

Almeida Garrett nasceu no Porto, em 1799. Foi poeta e dramaturgo, uma das maiores figuras da literatura portuguesa e também um grande impulsionador do teatro em Portugal, tendo sido ele a propôr a construção do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática. Dois dos seus livros mais conhecidos são Viagens na minha terra e Frei Luís de Sousa, entre tantos outros. Recolheu da tradição popular e publicou, em Romanceiro, poemas como A nau Catrineta e Bela infanta. Faleceu em 1854, em Lisboa.

O romance da Nau Catrineta (ou da Nau Catarineta) é um romance popular - uma composição poética ligada à tradição oral. Provavelmente, foi inspirada pela tumultuada viagem do navio Santo António, que transportou Jorge de Albuquerque Coelho desde o porto de Olinda, Brasil, até ao porto de Lisboa, em 1565. Os romances populares interlaçam realidade com ficção, e são escritos em verso, com rima, para que seja mais fácil memorizar.

Da História ao Texto

Resumo

O poema narra as desgraças dos tripulantes durante a longa travessia marítima. Depois de tanto tempo em alto mar os mantimentos esgotam-se, aparece uma tentação diabólica e, por fim, a ação divina que acaba por levar a nau ao seu destino. Há quem diga que esta história se baseia em factos verídicos. O que sabemos é que Almeida Garrett a imortaliza no seu livro Romanceiro.

A nau Catrineta

Texto

"Deitaram sola de molho​ Para no outro dia jantar​ Mas a sola era tão rija ​ que não a puderam tragar." ​ "Deitaram sortes à ventura ​ Qual se havia de matar;​ Logo foi cair a sorte​ No capitão-general.​"

"Lá vem a Nau Catrineta, que tem muito que contar! Ouvide, agora, senhores, Uma história de pasmar." "Passava mais de ano e dia, que iam na volta do mar. Já não tinham que comer, Já não tinham que manjar."

Texto

-"Mais enxergo três meninas, ​ Debaixo de um laranjal:​ Uma sentada a cozer,​ Outra na roca a fiar,​ A mais formosa de todas​ Está no meio a chorar.”

- “Alvíssaras, capitão,​ Meu capitão- general!​ Já vejo terras de Espanha, Areias de Portugal.​" ​

Texto

“A vossa filha não quero, ​ Que vos custou a criar.”​ - “Dar-te-ei tanto dinheiro​ Que o não possas contar.”​ - “Não quero o vosso dinheiro​ Pois vos custou a ganhar.”​

- “Todas três são minhas filhas, ​ Oh! quem mas dera abraçar!​ A mais formosa de todas ​ Contigo hei de casar.”​ -

Texto

- “Renego de ti, demónio, ​ Quem me estavas a tentar!​ A minha alma é só de Deus​ O meu corpo deu eu ao mar.”​

- “Que queres tu, meu gajeiro, ​ Que alvíssaras te hei de dar?”​ - “Capitão, quero a tua alma​ Para comigo a levar!.”​

Texto

"Tomou-o um anjo nos braços, ​ Não no deixou afogar.​ Deu um estouro o demónio, ​ Acalmaram vento e mar;​ E à noite a Nau Catrineta​ Estava em terra a varar.​"

Análise

O narrador é não participante. O tempo indica que mais de um ano tinha passado sobre a partida. O espaço acaba por ser o mundo cuja volta já tinham dado. ​ Logo no início da história a tripulação da Nau Catrineta já não tinha comida. ​ Os marinheiros decidiram tirar à sorte ​quem iam matar. ​Calhou em sorte ser o Capitão.

Para não morrer, o Capitão oferece ao gajeiro recompensas:​ A sua filha mais formosa para casar com ele;​ Tanto dinheiro que o gajeiro não o ia conseguir contar; O seu cavalo branco que é único;​ A Nau Catrineta para ele navegar.

Análise

Mas o gajeiro recusou as ofertas anteriores porque queria a alma do Capitão. O gajeiro era o diabo disfarçado de marinheiro. O Capitão foi salvo por um anjo que não deixou que ele se afogasse quando se atirou ao mar.​ O gajeiro, por sua vez, deu um estouro e desapareceu.​

A nau Catrineta

A nau Catrineta

A nau catrineta

Dita por Mário Pereira

Em B.D.

Ouve o poema