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Filosofia da Religião

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Created on June 1, 2022

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Filosofia da Religião

Alguns problemas da filosofia da religião• Problema da existência de Deus (ou deuses) • Problema da natureza da crença (epistemologia da crença) • Problema do mal • Problema da vida depois da morte

O que a filosofia da religião é: Estudo crítico dos conceitos e das crenças religiosas.

Assim a primeira tarefa quando falamos de Deusna filosofia é a de clarificar o conceito de Deus. De que Deus vamos falar?

Problema filosófico da existência de Deus

Estrutura do argumento: Parte-se de coisas simples acerca do mundo como o facto de umas coisas serem causadas por outras, para depois se concluir que tem de existir uma causa que é a causa de todas as causa, a causa primeira. A primeira versão do argumento pode ser assim apresentada: 1. Tudo o que existe no mundo tem de ter uma causa (a posteriori) 2. Se tudo tem uma causa então segue-se que o universo também tem de ter uma causa, dado que o universo é algo que existe 3. Mas não há uma cadeia causal que regride infinitamente 4. Se a cadeia causal não regride infinitamente, então tem de existir uma primeira causa 5. Logo, existe uma primeira causa (que não é causada) à qual chamamos Deus.

Será este argumento bom?Hoje sabemos pela ciência a causa de uma parte significativa das coisas que não sonhávamos apenas há uns séculos saber (formação da terra, sistema solar, etc) Apesar disso não sabemos a causa, por exemplo, do Big Bang. Ora, segundo o argumento cosmológico a explicação é que Deus é incausado e por isso a causa do Big Bang. Será que esta forma de raciocinar não soa algo rudimentar?

Uma afinação ao argumento cosmológico O argumento promete mais se em vez de pensarmos que tudo tem simplesmente uma causa e Deus é causa incausada, alteramos a premissa do argumento que indica que tudo tem uma causa para esta: Todas as coisas espácio-temporais tem causa. Logo, Deus não tem causa exatamente porque não é uma entidade espácio temporal. No entanto sobra aqui a dificuldade de compreender como é que o Big Bang, que é a origem do tempo, foi criado por uma entidade fora do tempo?

Uma afinação ao argumento cosmológico O argumento promete mais se em vez de pensarmos que tudo tem simplesmente uma causa e Deus é causa incausada, alteramos a premissa do argumento que indica que tudo tem uma causa para esta: Todas as coisas espácio-temporais tem causa. Logo, Deus não tem causa exatamente porque não é uma entidade espácio temporal. No entanto sobra aqui a dificuldade de compreender como é que o Big Bang, que é a origem do tempo, foi criado por uma entidade fora do tempo?

Mas a teoria parece ter dificuldades Se for verdade que tudo tem uma causa (1ª premissa da primeira formulação apresentada), então Deus, caso exista, também tem uma causa. Ou então nem tudo tem uma causa Ou ainda temos de pressupor que Deus é a causa de tudo e por isso também a causa de si mesmo. Ficamos satisfeitos?

1. Para algo ser a causa de si mesmo teria de se gerar a si próprio 2. Mas algo se gerar a si mesmo, teria já de existir antes do ato de geração 3. Mas se teria já de existir não precisaria de se gerar Em que ficamos? Mas há mais... Que garantias temos que o universo pura e simplesmente não é incriado e eterno? Se calhar do facto da nossa perceção do mundo derivar da causalidade, daí não se segue que tenha de existir uma causa primeira.

Argumento teleógico

Teleologia significa finalidadeA este argumento também se chama argumento do desígnio. Este argumento foi reformulado por volta de 1700, pelo filósofo cristão inglês William Paley. Como veremos este argumento também é conhecido pelo argumento do desenho inteligente. Diferença com o argumento cosmológico: Ao passo que o cosmológico quer justificar a origem, o teleológico pretende justificar a finalidade ou desígnio.

Argumento teleógico

O argumento parte do princípio de que se o universo existe, existe por alguma razão especial e não existe por mero acaso. Existe com um determinado propósito. O argumento começa por se apoiar numa analogia: Muitas coisas no universo revelam ordem e desígnio e funcionam nessa ordem e com finalidade.

As maravilhas da natureza devem ter tido um criador

O que concluir daqui? • Se todas as coisas na natureza (inteligentes ou não) tem finalidades (o olho por exemplo), então o próprio universo também tem a sua finalidade, o seu desígnio. • O universo está afinado de maneira tão minuciosa que não pode ser obra do acaso. • Mas como é que as coisas que não possuem inteligência possuem finalidades? Alguma inteligência as deve orientar e dirigir. Essa inteligência é Deus.

Vamos formalizar o argumento (forma canónica) 1. O relógio encontrado na floresta é criação de um relojoeiro ou então deve-se ao acaso. 2. Mas não se pode dever ao acaso 3. Logo, deve-se ao relojoeiro Do mesmo modo: 1. As maravilhas da natureza são criação de Deus ou então devem-se ao acaso 2. Mas não podem dever-se ao acaso 3. Logo, são criação de Deus

No século XVIII, o filósofo escocês David Hume, defendeu que admitir que Deus criou todas as coisas no mundo leva a que muitas coisas sejam explicadas de modo errado. Afinal para que teríamos um cólon tão predisposto a cancro? Ou uma próstata? Qual a finalidade afinal do cordão umbilical se tantos fetos morrem por se enrolarem nele?

A resposta do argumento do ajuste perfeito (“fine tuning”) Alguns filósofos (aproveitando algumas ideias de cientistas) contemporâneos reformularam o argumento teleológico com o argumento do “ajuste perfeito”. Segundo este argumento aceitam como verdadeiros o Big Bang e a evolução, mas que foi Deus quem criou as condições exatas e com precisão para que estes fenómenos ocorressem. Uma pequena modificação e não existiria vida.

Problemas com a teoria À partida , a menos que se pressuponha que Deus existe não se entende como é que apropriadamente conseguimos concluir que da ordem da natureza podemos inferir que é obra de Deus. Depois temos que considerar o Darwinismo que nos veio mostrar que talvez essa ordem seja mesmo fruto do acaso e da lotaria biológica. Aliás o argumento inclui pelo menos uma premissa que envolve um falso dilema, quando pressupõe que existe Deus ou existe o acaso. O evolucionismo é a terceira hipótese.

Mas há mais: Quando dizemos que o universo está afinado minuciosamente será queconsideramos a hipótese física dos multiversos?

Argumento ontológico

Trata-se de um argumento a priori Isso significa que não é preciso olhar para o mundo para compreender a existência de Deus, bastando para tal a reflexão cuidadosa.A versão do Proslogion II: 82 "Se aquilo mais grandioso que o qual nada pode ser pensado existisse apenas no entendimento, este mesmo ser mais grandioso que o qual nada pode ser pensado seria algo mais grandioso que o qual algo pode ser pensado. Mas isto é obviamente impossível. Logo, não há dúvida que aquilo mais grandioso que o qual nada pode ser pensado existe tanto no entendimento como na realidade." (Santo Anselmo)

Argumento ontológico

Formalizando o argumento:1. Se o ser mais grandioso que o qual nada pode ser pensado existe apenas no entendimento, o ser mais grandioso que o qual nada pode ser pensado é algo mais grandioso que o qual algo pode ser pensado 2. Mas é falso que o ser mais grandioso que o qual nada pode ser pensado é algo mais grandioso que o qual algo pode ser pensado 3. Logo, é falso que o ser mais grandioso que o qual nada pode ser pensado existe apenas no entendimento

Argumento ontológico

Mas o que é um ser mais grandioso acerca do qual nada mais grandioso se pode pensar?

Argumento ontológico

Se Deus existir apenas no nosso entendimento, então há uma contradição, pois há algo mais grandioso que Deus (contraditório) Outra maneira de estruturar o argumento. 1. Deus (o ser maior do que o qual nenhum outro é possível) existe no pensamento (isto é, pode ser concebido como ideia, quer exista ou não na realidade). 2. Deus é um ser possível. 3. Se algo existe só no pensamento, mas não existe na realidade, então podia ser maior do que é (se existisse também na realidade). 4. Deus não existe na realidade – hipótese da redução ao absurdo 5. Se Deus não existe na realidade (se 4 é verdadeira), então pode haver um ser maior do que ele (premissa 3)

Argumento ontológico

Tudo isto implica que:6. Há um ser (o maior possível existente no pensamento e na realidade) que é maior do que o ser maior do que o qual nenhum outro é possível (o maior possível que existe “só” no pensamento, mas a quem falta a existência na realidade. Só que, a dição da hipótese da redução ao absurdo (4) gera uma contradição (6) dado não ser possível haver um ser maior que Deus pois Deus é o ser maior que todos. Conclui-se então o que argumento pretende provar (4) ”Deus não existe na realidade” é falsa. Ora, dizendo o mesmo na afirmativa fica assim: 7. Deus existe na realidade e no pensamento.

Concordamos com o argumento? Gaunilo - monge Beneditino da Abadia de Marmoutier em Tours, França e que ficou conhecido pelas críticas ao argumento ontológico de Anselmo. Vamos pensar numa ilha perfeita (objeção de Gaunilo) 1. A ilha perfeita existe no pensamento 2. Se a ilha perfeita existe no pensamento e não na realidade, então uma ilha mais perfeita do que a ilha perfeita é concebível 3. Mas não é concebível uma ilha mais perfeita do que a ilha perfeita O argumento parece não funcionar. Caso funcionasse, a mesma estrutura permitir-nos-ia mostrar a existência de ilhas perfeitas.

Diz Gaunilo: “Não podes continuar a duvidar que esta ilha, mais excelente que todas as outras na Terra, existe verdadeiramente algures na realidade. Pois não duvidas que esta ilha existe no teu entendimento, mas também na realidade, esta ilha tem de existir também na realidade. Pois, se não existisse, qualquer terra que exista na realidade seria mais grandiosa que ela. E por isso esta coisa mais excelente que entendeste não seria de facto a mais excelente.” A resposta a esta objeção é que apenas Deus é maximamente grandioso. Para todas as outras coisas existirá sempre algo mais que se possa pensar, mas apenas Deus é maximamente grandioso. No entanto, fica sempre a dificuldade de tentar perceber como sabe Anselmo que existe, ainda que hipoteticamente, um ser de máxima grandiosidade? Talvez não seja possível saber tal coisa.

A emenda de Kant ao argumentoKant (século XVIII) recuperou o argumento de Anselmo e tentou remendá-lo ao mesmo tempo que o critica. Para tal indicou que o erro de Anselmo foi considerar a existência um predicado. Por exemplo ser alto, louro, olhos verdes podem ser predicados do Artur, mas existir não é predicado do ser Artur (não dizemos que o Artur é aquele ser que existe, pois ser Artur contém em si a própria existência). Anselmo parece considerar a existência um predicado de Deus, o que, para Kant, é um erro.

Petição de princípioUma das acusações ao argumento é que nele Anselmo já pressupõe a existência de Deus nas premissas para concluir que ele existe. E daí a circularidade. Alguns autores pensam que na definição de Deus já é pressuposta a sua existência. Questão para pensar: Será que o conceito de uma entidade maximamente perfeita em todos os sentidos, mas que não existe, é incoerente? Porquê?