Existencialismo
Jean-Paul Sartre
EXISTENCIALISMO
O Existencialismo, também chamado de Filosofia da Existência, tem suas raízes remotas no pensamento do filósofo cristão dinamarquês Soren Kierkegaard, no século XIX (1813-1855).
Em sua obra, já aparecem temas caros ao existencialismo, como: temor, angústia, desespero.
Apesar de ter sua raiz no século XIX, é na Europa, no período entre as duas guerras mundiais, que o Existencialismo irá se firmar e, posteriormente, tornar-se uma referência nas décadas seguintes a 2a guerra.
Europa dilacerada física e moralmente.
O Existencialismo é uma corrente filosófica contemporânea que abrange um grupo heterogêneo de filósofos, uma vez que, entre eles, há divergências em relação aos seus pressupostos e conclusões.
Apesar das divergências, é do homem concreto que os existencialistas pretendem falar; um homem finito, ‘jogado no mundo’, imerso ou dilacerado em situações problemáticas ou absurdas.
Trata-se de falar sobre o homem na singularidade de sua existência, sobre os problemas da vida cotidiana.
Alguns dos existencialistas mais conhecidos
Alemães
Karl Jaspers
Martin Heidegger
Franceses
Gabriel Marcel
Albert Camus
Simone de Beauvoir
Merleau-Ponty
existencialismo sartreano
Jean-Paul Sartre
Filósofo francês, Jean-Paul Sartre nasceu em Paris em 1905 e faleceu na mesma cidade, em 1980.
Além das obras filosóficas, Sartre expressou seu pensamento em várias obras literárias e peças teatrais. Nelas, as personagens incorporam, em suas ações, a concepção existencialista da filosofia sartreana.
Vivenciou importantes acontecimentos do século XX: as duas Guerras Mundiais, a Revolução Russa, a crise de 29, os campos de concentração, a criação do Estado de Israel, a Revolução Cubana, a Revolução Cultural na China, a Guerra da Argélia e do Vietnã, Maio de 68.
Frente a esses acontecimentos, Sartre escolheu não se calar, não se ausentar, motivo pelo qual se tornou o modelo de intelectual engajado, modelo este intimamente relacionado a sua concepção de liberdade humana.
1946- O Existencialismo é um Humanismo
Nome da conferência e, posteriormente, de um dos textos mais conhecidos de Sartre.
Nele, Sartre irá rebater as críticas recebidas de sua posição existencialista, mostrando sua abrangência ética, com destaque para a questão da responsabilidade moral.
A liberdade
Observe a figura ao lado. O que você vê?
A partir do que você vê, como você interpreta a figura, levando-se em consideração a frase ‘a existência precede a essência’?
Identificar elementos-chave nos textos
- Eu vejo que os principais conceitos são...
- Eu vejo uma relação entre...
- Eu vejo uma diferença entre...
- Eu vejo uma conexão entre...
Da observação para a interpretação
- Eu penso que a principal ideia dos textos é...
- Eu penso que os textos levantam uma questão sobre...
Como isso se conecta com as minhas ideias?
- Os textos conflitam com o que eu pensava anteriormente sobre...
- Eu (não) consigo me conectar com os textos porque ...
No existencialismo sartreano, a liberdade humana deve ser compreendida levando-se em consideração a oposição entre ‘essência’ e ‘existência’.
texto
Para as coisas: a essência precede a existência.
“Consideremos um objeto fabricado, como, por exemplo, um livro ou um corta-papel; esse objeto foi fabricado por um artífice que se inspirou num conceito; tinha, como referências, o conceito de corta-papel assim como determinada técnica de produção, que faz parte do conceito e que, no fundo, é uma receita. Desse modo, o corta-papel é, simultaneamente, um objeto que é produzido de certa maneira e que, por outro lado, tem uma utilidade definida: seria impossível imaginarmos um homem que produzisse um corta-papel sem saber para que tal objeto iria servir. Podemos assim afirmar que, no caso do corta-papel, a essência – ou seja, o conjunto das técnicas e das qualidades que permitem a sua produção e definição – precede a existência”
Para o ser humano: a existência precede a essência.
Primeiro Princípio do Existencialismo
“[...] em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é nada: só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo. Assim, não existe natureza humana, já que não existe um Deus para concebê-la. O homem é tão-somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer após esse impulso para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo”
O que distingue a existência do ser humano da existência dos seres naturais ou artificiais está na ausência de determinações de uma essência prévia no ser humano, motivo pelo qual, apenas para este, é possível falar em liberdade.
Não possuindo uma essência, uma natureza definida de antemão, o ser humano pode se definir ao longo de sua existência, de acordo com as escolhas que faz. É o fluxo da existência que define a essência. Assim, não se pode falar de uma essência única válida para todos os seres humanos. A essência é singular, própria de cada indivíduo concreto.
Não há Deus – não há um criador que conceba o conceito de homem, de ser humano, um conceito que deva ser colocado em prática ao longo da existência.
O homem é livre porque ele é, nada mais, nada menos que seu projeto (projectus – lançado para frente; impelido a agir): algo que está sempre aberto ao futuro; aquilo que está por vir e, por isso, incompleto.
O homem será aquilo que vier a fazer de si mesmo.
O homem está ‘condenado a ser livre’: o homem se faz a si mesmo em cada ato, em cada escolha (estamos 'condenados' a atribuir sentido a nossa existência)
Watch
Angústia e má-fé
Quando o indivíduo experimenta a liberdade, ele vive a angústia da escolha.
Info
Má-Fé: fuga da angústia e da responsabilidade moral pela escolha. É a recusa, a falsificação da liberdade, a invenção de determinismos de todas as espécies; é um autoengano.
Não faz sentido as pessoas quererem atribuir suas falhas a fatores externos, à hereditariedade, à ação do meio-ambiente, à influência de outras pessoas. Todo homem que inventa um determinismo é um homem de má-fé.
Dessa forma, posso tentar escapar do fardo de ser responsável por minhas ações e supor que elas são determinadas por minha natureza imutável.
existencialismo e humanismo
O existencialismo sartreano é uma radical forma de humanismo, pois coloca o próprio homem como criador de todos os valores, tornando-o inteiramente responsável por aquilo que é.
Texto
Referência Bibliográfica
Bibliografia principal
SARTRE, J-P. O Existencialismo é um Humanismo. In: Sartre. São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Col Os Pensadores).
Bibliografia secundária
CHAUI, M. Introdução. In: Sartre. São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Col Os Pensadores).
D´ANGELO, M. Saber-fazer filosofia: pensadores contemporâneos. São Paulo: Ideias e Letras, 2011
REALE, G. Filosofia: Idade Contemporânea, vol 3. São Paulo: Paulus, 2018. (Col Filosofia)
__________. História da Filosofia: de Nietzsche à Escola de Frankfurt. São Paulo: Editora Paulus, 2006
SILVA, F. L. Sartre e o Humanismo. São Paulo: Barcarolla, 2013.
SOUZA, T.M. A liberdade em Sartre. São Paulo: Discurso Editorial, 2019.
Existencialismo - J-P. Sartre
Ieda Garcez
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Existencialismo
Jean-Paul Sartre
EXISTENCIALISMO
O Existencialismo, também chamado de Filosofia da Existência, tem suas raízes remotas no pensamento do filósofo cristão dinamarquês Soren Kierkegaard, no século XIX (1813-1855).
Em sua obra, já aparecem temas caros ao existencialismo, como: temor, angústia, desespero.
Apesar de ter sua raiz no século XIX, é na Europa, no período entre as duas guerras mundiais, que o Existencialismo irá se firmar e, posteriormente, tornar-se uma referência nas décadas seguintes a 2a guerra.
Europa dilacerada física e moralmente.
O Existencialismo é uma corrente filosófica contemporânea que abrange um grupo heterogêneo de filósofos, uma vez que, entre eles, há divergências em relação aos seus pressupostos e conclusões.
Apesar das divergências, é do homem concreto que os existencialistas pretendem falar; um homem finito, ‘jogado no mundo’, imerso ou dilacerado em situações problemáticas ou absurdas.
Trata-se de falar sobre o homem na singularidade de sua existência, sobre os problemas da vida cotidiana.
Alguns dos existencialistas mais conhecidos
Alemães
Karl Jaspers
Martin Heidegger
Franceses
Gabriel Marcel
Albert Camus
Simone de Beauvoir
Merleau-Ponty
existencialismo sartreano
Jean-Paul Sartre
Filósofo francês, Jean-Paul Sartre nasceu em Paris em 1905 e faleceu na mesma cidade, em 1980.
Além das obras filosóficas, Sartre expressou seu pensamento em várias obras literárias e peças teatrais. Nelas, as personagens incorporam, em suas ações, a concepção existencialista da filosofia sartreana.
Vivenciou importantes acontecimentos do século XX: as duas Guerras Mundiais, a Revolução Russa, a crise de 29, os campos de concentração, a criação do Estado de Israel, a Revolução Cubana, a Revolução Cultural na China, a Guerra da Argélia e do Vietnã, Maio de 68.
Frente a esses acontecimentos, Sartre escolheu não se calar, não se ausentar, motivo pelo qual se tornou o modelo de intelectual engajado, modelo este intimamente relacionado a sua concepção de liberdade humana.
1946- O Existencialismo é um Humanismo
Nome da conferência e, posteriormente, de um dos textos mais conhecidos de Sartre.
Nele, Sartre irá rebater as críticas recebidas de sua posição existencialista, mostrando sua abrangência ética, com destaque para a questão da responsabilidade moral.
A liberdade
Observe a figura ao lado. O que você vê? A partir do que você vê, como você interpreta a figura, levando-se em consideração a frase ‘a existência precede a essência’?
Identificar elementos-chave nos textos
Da observação para a interpretação
Como isso se conecta com as minhas ideias?
No existencialismo sartreano, a liberdade humana deve ser compreendida levando-se em consideração a oposição entre ‘essência’ e ‘existência’.
texto
Para as coisas: a essência precede a existência.
“Consideremos um objeto fabricado, como, por exemplo, um livro ou um corta-papel; esse objeto foi fabricado por um artífice que se inspirou num conceito; tinha, como referências, o conceito de corta-papel assim como determinada técnica de produção, que faz parte do conceito e que, no fundo, é uma receita. Desse modo, o corta-papel é, simultaneamente, um objeto que é produzido de certa maneira e que, por outro lado, tem uma utilidade definida: seria impossível imaginarmos um homem que produzisse um corta-papel sem saber para que tal objeto iria servir. Podemos assim afirmar que, no caso do corta-papel, a essência – ou seja, o conjunto das técnicas e das qualidades que permitem a sua produção e definição – precede a existência”
Para o ser humano: a existência precede a essência.
Primeiro Princípio do Existencialismo
“[...] em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é nada: só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo. Assim, não existe natureza humana, já que não existe um Deus para concebê-la. O homem é tão-somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer após esse impulso para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo”
O que distingue a existência do ser humano da existência dos seres naturais ou artificiais está na ausência de determinações de uma essência prévia no ser humano, motivo pelo qual, apenas para este, é possível falar em liberdade.
Não possuindo uma essência, uma natureza definida de antemão, o ser humano pode se definir ao longo de sua existência, de acordo com as escolhas que faz. É o fluxo da existência que define a essência. Assim, não se pode falar de uma essência única válida para todos os seres humanos. A essência é singular, própria de cada indivíduo concreto.
Não há Deus – não há um criador que conceba o conceito de homem, de ser humano, um conceito que deva ser colocado em prática ao longo da existência. O homem é livre porque ele é, nada mais, nada menos que seu projeto (projectus – lançado para frente; impelido a agir): algo que está sempre aberto ao futuro; aquilo que está por vir e, por isso, incompleto.
O homem será aquilo que vier a fazer de si mesmo.
O homem está ‘condenado a ser livre’: o homem se faz a si mesmo em cada ato, em cada escolha (estamos 'condenados' a atribuir sentido a nossa existência)
Watch
Angústia e má-fé
Quando o indivíduo experimenta a liberdade, ele vive a angústia da escolha.
Info
Má-Fé: fuga da angústia e da responsabilidade moral pela escolha. É a recusa, a falsificação da liberdade, a invenção de determinismos de todas as espécies; é um autoengano.
Não faz sentido as pessoas quererem atribuir suas falhas a fatores externos, à hereditariedade, à ação do meio-ambiente, à influência de outras pessoas. Todo homem que inventa um determinismo é um homem de má-fé.
Dessa forma, posso tentar escapar do fardo de ser responsável por minhas ações e supor que elas são determinadas por minha natureza imutável.
existencialismo e humanismo
O existencialismo sartreano é uma radical forma de humanismo, pois coloca o próprio homem como criador de todos os valores, tornando-o inteiramente responsável por aquilo que é.
Texto
Referência Bibliográfica
Bibliografia principal
SARTRE, J-P. O Existencialismo é um Humanismo. In: Sartre. São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Col Os Pensadores).
Bibliografia secundária
CHAUI, M. Introdução. In: Sartre. São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Col Os Pensadores).
D´ANGELO, M. Saber-fazer filosofia: pensadores contemporâneos. São Paulo: Ideias e Letras, 2011
REALE, G. Filosofia: Idade Contemporânea, vol 3. São Paulo: Paulus, 2018. (Col Filosofia)
__________. História da Filosofia: de Nietzsche à Escola de Frankfurt. São Paulo: Editora Paulus, 2006
SILVA, F. L. Sartre e o Humanismo. São Paulo: Barcarolla, 2013.
SOUZA, T.M. A liberdade em Sartre. São Paulo: Discurso Editorial, 2019.