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A identidade civilizacional da Europa Ocidental

Maria Basílio

Created on December 30, 2021

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Transcript

- Módulo 2 -

1. A identidade civilizacional da Europa Ocidental

O tempo ...

O que vulgarmente se designa por ocidente medieval é, na verdade, uma realidade muito complexa que se desenvolve entre os sécs. V e XV, entre a queda do Império Romano do Ocidente (conquista de Roma pelos Hérulos em 476) e a queda de Constantinopla (capital do Império Romano do Oriente) às mãos dos turcos em 1453.

IDADE MÉDIA

BAIXA IDADE MÉDIA (SÉCULOS XI A XV)

ALTA IDADE MÉDIA (SÉCULOS V A X)

Introdução

Após a queda de Roma, uma multiplicidade de novos reinos substitui a antiga unidade imperial.

Durante séculos, a Europa mergulhou num tempo de incertezas e violência com grandes consequências:

- anarquia - a "lei do mais forte" substitui o direito romano;

- decadência económica (campos destruídos, o comércio paralizado pela insegurança, indústria incipiente);

- diminuição da população;

- ruralização (destruição das cidades e consequente fuga das populações para o campo);

Batalha de Hastings c. 1022- 1066

- abandono da cultura clássica.

Neste período de fragmentação política da Europa em vários reinos, a Igreja Católica desempenha um papel importante no apoio às populações, tendo a pouco e pouco cristianizado os vários reinos bárbaros:

Clóvis (rei dos Francos), Recaredo (rei dos Visigodos) e Teodomiro (rei dos Suevos) foram dos primeiros. o Cristianismo passou a ser o elemento de união entre os diversos reinos.

Entre os séculos VIII e IX, a Europa sofreu novas invasões:

Muçulmanos - invadiram a Península Ibérica em 711, vindo do Norte de África, criando um clima de instabilidade no Mediterrâneo

Viquingues e Normandos - povos vindos do Norte da europa (Noruega e Dinamarca) atacaram as costas da Europa Ocidental, nos séculos VIII e IX.

Magiares (Húngaros) - atacaram, nos séculos IX e X, as regiões da Alemanha, França e Itália.

O clima de insegurança na Europa agravou-se.

1.1 Poderes e crenças - multiplicidade e unidade

Rosácea da Catedral de Chartres, França.

Multiplicidade de poderes

  • A época medieval começa com o fim do império romano do Ocidente.
  • Assistimos, a partir daqui, à formação de três grandes conjuntos civilizacionais em torno do Mar Mediterrâneo:
´ - Europa católica; - Império Bizantino; - Islão.

Impérios/reinos, senhorios e comunas

A Europa encontrava-se fragmentada:

Impérios

Sacro-império Romano Germânico

Império Bizantino

Reinos

Senhorios, Ducados e Condados

Comunas

Impérios

"Unidades políticas que abrangem uma vasta extensão territorial e que integram povos com diferentes culturas sob um único poder, governadas por um imperador ou uma imperatriz." in Infopédia

O SACRO IMPÉRIO ROMANO-GERMÂNICO

O sonho de um império romano do ocidente mantinha-se e, no início do século IX, houve uma primeira tentativa:

  • Carlos Magno, rei dos Francos, após a conquista de vários territórios e depois de ter ajudado o Papa na defesa contra os Lombardos, fez-se coroar em Roma, pelo Papa, Imperador Romano do Ocidente;

  • o império de Carlos Magno, era dirigido a partir de Aix-la-Chapelle (atualmente na Alemanha) e não a partir de Roma;
  • sagrado pelo Papa, o seu poder era-lhe atribuído por Deus e considerado o representante (temporal) de Cristo na Terra, protetor da Cristandade - guardião da fé no plano temporal;
  • Depois da sua morte (814) o império entra em declínio sendo posteriormente repartido pelos seus três netos, fragmentando-se em reinos.

A coroação de Carlos magno abriu um precedente - a partir daqui todos os reis teriam de ter o apoio do Papa.

  • O sonho imperial, contudo, renasceu, no século X, com Otão I, príncipe da Saxónia, na Germânia.
  • Otão I conseguiu dominar os outros príncipes da Germânia e fez-se coroar rei (936) em Aix-la Chapelle.
  • Em 962, foi coroado imperador em S. Pedro de Roma, pelo Papa João XII - fundando o Sacro Império Romano-Germânico.
  • disputas com o papa enfraqueceream o seu poder - Otão I tornou obrigatório o juramento de fidelidade do papa ao imperador;
  • no território do Império, havia muitos principados (grandes senhores) que eram praticamente autónomos;
  • o poder do imperador era, assim, politicamente limitado.

IMPÉRIO BIZANTINO

Afirmou-se como legitimo herdeiro do poder romano e recusou a autoridade do Sacro-Império, argumentando que um chefe bárbaro não poderia liderar os territórios cristãos.

REINOS

Os reinos - unidades territoriais, sob a chefia de um rei, que agregavam pequenas unidades regionais.

A constituição de um reino implica dois elementos:

1) Unidades territoriais que têm por soberano um rei ou uma rainha (chefe político pertencente a uma família nobre que se destacou ao nível político ou militar) - o rei detém sobre todos uma autoridade suprema que deve utilizar para o bem do seu reino;

Castelo de Santa Maria da Feira (século XII?)

2) a delimitação de um território e população, sob o qual o rei exerce a sua autoridade.

No século XIII, os reinos de Portugal, Castela, Aragão, França e Inglaterra são os mais sólidos da Europa Ocidental.

Castelo de Bragança (século XII?)

SENHORIOS

Terra pertencente a: um senhor nobre ou eclesiástico; Constituídos por:

  • castelo (ou mosteiro no caso dos senhorios eclesiásticos);
  • terras aráveis;
  • bosque;
  • aglomerados populacionais (podiam incluir vilas e até cidades);
  • terras dispersas.

Encontravam-se divididos em: Reserva: parte da terra que o senhor reservava para si, explorando-a através de corveias - serviços obrigatórios, gratuitos, prestados pelos camponeses livres e servos da gleba, durante um certo número de dias por ano. Mansos: parcelas de terra concedidas pelo senhor aos camponeses para que estes as explorassem em troca de trabalho gratuito na reserva e de impostos pagos em géneros ou em dinheiro. Terras comunais: pastos, florestas, baldios…

O poder do Senhor

Económico (sobre as terras):

  • arrendar as terras aos camponeses ( em troca de ou trabalho);
  • os camponeses livres ou colonos, que exploravam as terras arrendadas ficavam na dependência do senhor.

Livro das Horas do Duque de Berry, 1412-1416

Tinham que explorar a terra e deviam aos senhores determinadas obrigações: pagamento de rendas pelo aluguer das terras; pagamento de peagens (tributo sobre o trânsito de mercadorias que passavam pelas terras do senhor); pagamento da talha (para assegurar a proteção do senhor); cumprimento de corveias (dias de trabalho gratuito na reserva do senhor); cumprimento de banalidades (entrega de parte do produto obtido pela utilização do moinho, forno… do senhor);

O poder do Senhor

Político (sobre os homens): O clima de insegurança e a incapacidade dos reis assegurarem uma defesa eficaz levou as populações a procurarem proteção junto dos senhores, os quais acabaram por se apropriar de poderes outrora exclusivos do rei. Poder judicial - julgar, aplicar penas; Poder fiscal - cobrar impostos e outras taxas; Poder militar- exército próprio, recrutando homens; Poder de cunhar moeda.

Isto representa uma perda eftiva de soberania por parte do rei.

Direito de ban ou bannus

O senhor tinha amplos poderes e autonomia. O seu poder alargou-se progressivamente a outros senhores, conduzindo à divisão dos senhores feudais em duas categorias:

  • Grandes senhores (com direito de bannus, como condes, príncipes, abades…);
  • Pequenos senhores (fidalgos e monges) sujeitos ao poder banal da justiça, tal como os camponeses.

Entre estes criam-se relações de vassalagem (feudo-vassálicas), oficializadas por um contrato de vassalagem estabelecido entre o suserano (o senhor mais poderoso) e o vassalo (o menos poderoso).

COMUNAS

No Séc. XI, com o fim do período de invasões, a Europa atravessa um período de paz – o comercio e a vida urbana reanimam; A cidade vai-se desenvolvendo e procura formas de sobreviver fora da dependência dos senhores, livre das taxas e impostos; As cidades mais prósperas reivindicam autonomia administrativa em relação aos senhores das terras;

Foia ssim que os mercadores do Norte de Itália criaram a comuna, uma associação de habitantes das cidades que, entre si, juram lealdade, assistência e cooperação.

Pretendem que o senhor (ou o rei) lhes passe uma carta comunal - registo dos seus direitos, obrigações e privilégios:

  • liberdade pessoal, através da limitação ou o fim dos impostos senhoriais;
  • liberdade da cidade - governo próprio, conselho municipal, onde os magistrados eleitos pelos habitantes administram a justiça, gerem as finanças e organizam a defesa.

É neste contexto que vemos desenvolver-se um novo grupo social - a burguesia. O movimento comunal consolidou-se no séc. XIII e vai contribuir para o enfraquecimento do poder senhorial e para o reforço das cidades.

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