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Poema em linha reta - analise
laraminnie11
Created on December 18, 2021
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Transcript
Poema em linha reta-Álvaro de Campos
Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Poema em linha reta
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Análise Formal
Rima
Sílabas Métricas
Estrofes
Irregulares, isto é, não possuem esquema rimático
As sílabas são heterométricas, ou seja, não têm uma métrica defenida
Dois dístico, uma irregular, um terceto, uma septilha e uma sextillha
Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. Premissa:
- Todas as pessoas que o sujeito poético conhece aparentam ser perfeitas e levar vidas sem falhas.
- Não levam "porrada", ou seja, não são agredidos pelo destino, não perdem, são "campeões em tudo".
Poema em linha reta
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
- "Tantas vezes": contraste entre o sujeito poético e os outros: ao contrário dos seus conhecidos, o eu reconhece que frequentemente tem comportamentos que o tornam ridículo e até abjeto.
- "Irrespondivelmente" e "Indesculpavelmente": recusa do sujeito poético em apontar razões para justificar as suas atitudes indignas: ao contrário dos outros, não procura encontrar pretextos que tornem o seu comportamento aceitável, mas assume-se plenamente como é.
Poema em linha reta
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
- O sujeito lírico confessa a sua incapacidade de se relacionar com os outros, afirmando que é "ridículo", "absurdo, "grotesco", "mesquinho".
- Metáfora: inaptidão no cumprimento das regras de etiqueta, o que o torna ridículo aos olhos da sociedade.
- Admite que é maltratado pelos outros e não se sente capaz de encará-los e que quando tenta responder apenas se sente mais envergonhado.
Poema em linha reta
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco;
O sujeito poético confessa a sua desonestidade e a sua covardia.
- "criadas de hotel" e "moços de fretes": o "eu" utiliza estas duas referências para mostrar que mesmo as pessoas que estão num estatuto social mais baixo o desprezam.
Poema em linha reta
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
- O "eu" lírico diz sentir dificuldade em se comunicar com outras pessoas pois estas fingem ser perfeitas - É o único que reconhece os próprios defeitos fazendo com que este se sinta solitário.
Poema em linha reta
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos,
- O “eu” procura um companheiro igual a ele, uma "voz humana" que exponha, tal como ele, todos os seus defeitos e pontos fracos. Só assim poderia existir verdadeira intimidade. Também é transmitida a ideia de que mesmo admitindo pequenos fracassos, as pessoas nunca assumem os seus maiores erros e falhas, "são todos o Ideal".
Poema em linha reta
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
- É evidente o cansaço do “eu” perante a falsidade dos outros, que mesmo quando sofrem desgraças, conseguem sempre manter a compostura, a dignidade, as aparências, para não comprometer a sua imagem pública.
Poema em linha reta
Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Estes três últimos versos resumem a impossibilidade de existir um relacionamento entre o "eu" e os seus «superiores» , devido à imagem irreal de perfeição que criam de si mesmos.
Fim
Trabalho realizado por: Ana Sofia nº1 Beatriz Seabra nº3 Estela Silva nº9 Filipa nº 11 Inês Machado nº13 João Gil nº15 Lara Barros nº16 Viviana Rodrigues nº25 Tomás Correia nº26