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Herdade
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A casa é dos fantasmas
dos relinchos
Minhas infância é das almas
do alçapão
E o que eu sou
É o que habita em postigos
e o frio desses mortos
em minhas mãos
Extraído de Desconcerto Poético em 3 Movimentos, por Maria Helena Pinheiro Cardoso
É ousado por ser um terror com muita luz do início ao fim.
Um misto de agonia e satisfação. Os personagens e a época da história prendem a atenção.
Deixou pessoas no mundo inteiro aterrorizadas pelo terror psicológico e extremamente realista. Impecável.
O meu favorito da década. Todos os atos se encaixam, nos contando uma história terrível e incrível ao mesmo tempo.
[...] Contavam depois por ali que, quando o foram enterrar, o caixão ia vazio. O corpo desaparecera. Disseram que o diabo o levara. O Bernardo da Cauã afirmava ter visto na tarde do enterro um negro todo encourado surgir na casa da fazenda. A afluência era numerosa e ele quase não foi notado. Era Satanás em pessoa, com toda a certeza, aquele vaqueiro. Depois, ao abandono, a casa foi-se arruinando. Hoje estava naquele estado. Noite de sexta-feira ninguém passava ali. Para ir ao Cosmo Pais fazia-se um rodeio. O padre aparecia no alpendre, de batina, miolos pingando da cabeça aberta, alto, espigado, olhos em fogo. Agarrava-se à corda do sino; puxava-o desesperado.
E o sino reboava fanhoso por aqueles campos vastos, envoltos no sudário branco da lua ou no manto negro da escuridão, como voz de além-túmulo que proclamasse ao mundo dos vivos a fealdade e a torpeza daquela alma!
Espectro
Conto do livro Praias e Várzeas, de Gustavo Barroso
É ousado por ser um terror com muita luz do início ao fim.
Um misto de agonia e satisfação. Os personagens e a época da história prendem a atenção.
Deixou pessoas no mundo inteiro aterrorizadas pelo terror psicológico e extremamente realista. Impecável.
O meu favorito da década. Todos os atos se encaixam, nos contando uma história terrível e incrível ao mesmo tempo.
A caminho, viandantes,
Que lindo vai o luar,
A beleza desta noite
Nos convida a caminhar.
Mas todos ficam — não querem,
Não querem mais caminhar:
Preferem perder seu tempo
Lá no rancho a conversar.
Que está perto a cruz do vale…
Quem se atreve a lá passar
Antes que dê meia-noite
Antes do galo cantar?...
A Cruz do Vale
Lendas e Canções Populares (1865), de Juvenal Galeno
Ninguém, ninguém — todos ficam
Lá no rancho a conversar;
— A caminho, viandantes,
Que lindo vai o luar!
Sentados junto à fogueira
Quase todos a fumar,
Enquanto os cavalos pastam,
Ouvem a história do lugar.
Na cansada voz do velho
Ouvem cousas de assombrar;
Entre os sustos, os terrores,
Do cachimbo ao fumegar.
É ousado por ser um terror com muita luz do início ao fim.
Um misto de agonia e satisfação. Os personagens e a época da história prendem a atenção.
Deixou pessoas no mundo inteiro aterrorizadas pelo terror psicológico e extremamente realista. Impecável.
O meu favorito da década. Todos os atos se encaixam, nos contando uma história terrível e incrível ao mesmo tempo.
Fantasiasma
Para José Gerardo Alcântara
O menino não dormia
o ar faltava aos pulmões
da criança e do pássaro
o animal morreu
o menino desfaleceu.
Uma história quando não contada
pelos que a viveram
vaga pelas estradas
dos espíritos sem corpo
com palavras penadas
pregadas ao delito
que chega a alma
dos que tudo silenciaram.
Extraído de O Portal e a Passagem, por Beatriz Alcântara
CONTOS FANTÁSTICOS
Catalina Leite
Created on October 26, 2021
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A casa é dos fantasmas dos relinchos Minhas infância é das almas do alçapão E o que eu sou É o que habita em postigos e o frio desses mortos em minhas mãos
Extraído de Desconcerto Poético em 3 Movimentos, por Maria Helena Pinheiro Cardoso
É ousado por ser um terror com muita luz do início ao fim.
Um misto de agonia e satisfação. Os personagens e a época da história prendem a atenção.
Deixou pessoas no mundo inteiro aterrorizadas pelo terror psicológico e extremamente realista. Impecável.
O meu favorito da década. Todos os atos se encaixam, nos contando uma história terrível e incrível ao mesmo tempo.
[...] Contavam depois por ali que, quando o foram enterrar, o caixão ia vazio. O corpo desaparecera. Disseram que o diabo o levara. O Bernardo da Cauã afirmava ter visto na tarde do enterro um negro todo encourado surgir na casa da fazenda. A afluência era numerosa e ele quase não foi notado. Era Satanás em pessoa, com toda a certeza, aquele vaqueiro. Depois, ao abandono, a casa foi-se arruinando. Hoje estava naquele estado. Noite de sexta-feira ninguém passava ali. Para ir ao Cosmo Pais fazia-se um rodeio. O padre aparecia no alpendre, de batina, miolos pingando da cabeça aberta, alto, espigado, olhos em fogo. Agarrava-se à corda do sino; puxava-o desesperado. E o sino reboava fanhoso por aqueles campos vastos, envoltos no sudário branco da lua ou no manto negro da escuridão, como voz de além-túmulo que proclamasse ao mundo dos vivos a fealdade e a torpeza daquela alma!
Espectro
Conto do livro Praias e Várzeas, de Gustavo Barroso
É ousado por ser um terror com muita luz do início ao fim.
Um misto de agonia e satisfação. Os personagens e a época da história prendem a atenção.
Deixou pessoas no mundo inteiro aterrorizadas pelo terror psicológico e extremamente realista. Impecável.
O meu favorito da década. Todos os atos se encaixam, nos contando uma história terrível e incrível ao mesmo tempo.
A caminho, viandantes, Que lindo vai o luar, A beleza desta noite Nos convida a caminhar. Mas todos ficam — não querem, Não querem mais caminhar: Preferem perder seu tempo Lá no rancho a conversar. Que está perto a cruz do vale… Quem se atreve a lá passar Antes que dê meia-noite Antes do galo cantar?...
A Cruz do Vale
Lendas e Canções Populares (1865), de Juvenal Galeno
Ninguém, ninguém — todos ficam Lá no rancho a conversar; — A caminho, viandantes, Que lindo vai o luar! Sentados junto à fogueira Quase todos a fumar, Enquanto os cavalos pastam, Ouvem a história do lugar. Na cansada voz do velho Ouvem cousas de assombrar; Entre os sustos, os terrores, Do cachimbo ao fumegar.
É ousado por ser um terror com muita luz do início ao fim.
Um misto de agonia e satisfação. Os personagens e a época da história prendem a atenção.
Deixou pessoas no mundo inteiro aterrorizadas pelo terror psicológico e extremamente realista. Impecável.
O meu favorito da década. Todos os atos se encaixam, nos contando uma história terrível e incrível ao mesmo tempo.
Fantasiasma
Para José Gerardo Alcântara O menino não dormia o ar faltava aos pulmões da criança e do pássaro o animal morreu o menino desfaleceu. Uma história quando não contada pelos que a viveram vaga pelas estradas dos espíritos sem corpo com palavras penadas pregadas ao delito que chega a alma dos que tudo silenciaram.
Extraído de O Portal e a Passagem, por Beatriz Alcântara