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Teoria dos polisistemas
Ana Duarte
Created on September 8, 2021
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Transcript
Teoria dos polissistemas
Composto por vários (poli)sistemas devido a complexidade de cada um, ou seja, de várias redes simultâneas que se interpenetram e se sobrepoem continuamente.
Possui seu próprio sistema com sua própria complexidade.
PolissistemaEconômico
PolissistemaLiterário
Polissistema Filosófico
Polissistema
Polissistema Religioso
Polissistema Linguístico
Cultura
Dentro do polissistema está compreendido tudo o que se estabelece de uma cultura.
De prestígio e status
Periférica
Periférica
Literatura infantil
Literatura canônica
LiteraturaJuvenil
Os sistemas são organizados hierarquicamente em decorrência das relações de poder que nele se instauram..
Polissistema Literário
Apresenta fatores do polissistema que estão vinculados à escolha da tradução.
Literaturatraduzida
Literatura marginal
Literaturade massa
Ana
Periférica ou canônica
Edneia
Periférica
Periférica
Estratos canonizados frente a estratos não canonizados
" A cononicidade não é, portanto característica inerente ás atividade textuais a nível nenhum: (...) " Zohar p.7
Cultura oficial como a única aceitável
Literatura marginal
Canonizadosaceitos como legítimo pela cultura dominante
Garantia da evolução do sistema Papel das tensões dimânicas
Não-canonizadasos circulos dominantes rejaitam como ilegítimas, a comunidade esquece
Contribuição da teoria dos polissistemas
As inter-relações
Pode assumir um papel central ou periférico
Literatura traduzida
Exemplo
Exemplo
Exemplo
Exemplos de posição de centralidade da literatura traduzida
Literatura traduzida também pode assumir posição de centralidade quando há a busca de um gênero específico, o qual é considerado fraco dentro de um sistema.Ex.: Obras distópicas no Brasil Durante a virada do séc. XX para o séc. XXI houve uma intensa busca por obras desse gênero no Brasil. Apesar do forte sistema literário, a produção autoral desse gênero era fraca, assim, a literatura traduzida passou a ter um papel central no sistema neste caso.
Durante perídos de crise a literatura traduzida pode assumir um papel central.Ex.: No período ditatorial Apesar do sistema literário brasileiro não ser considerado fraco, a literatura traduzida se tornou central graças a busca do público por obras importadas, visto que a produção autoral era controlada e censurada duarante a ditadura.
A motivação econômica, política, editorial poderá determinar a razão de se traduzir uma obra em determinado momento.
Alice no País das MaravilhasPrefácio
Muitos anos atrás, um professor de matemática de Oxford, Lewis Carroll, muito amigo das crianças, fez um passeio de bote pelo rio Tâmisa com três menininhas. Para diverti-las, foi inventando uma história de que elas gostaram muito. Chegando em casa teve a ideia de escrever essa história – e assim nasceu para a biblioteca infantil universal mais uma obra prima – Alice in Wonderland (Alice no País das Maravilhas). O livro ficou famoso entre os povos da língua inglesa. Foi traduzido por toda a parte. Seu autor imortalizou-se. Hoje aparece em português. Traduzir é sempre difícil. Traduzir uma obra como a de Lewis Carroll, mais que difícil, é dificílimo. Trata-se do sonho de uma menina travessa – sonho em inglês, de coisas inglesas, com palavras, referências, citações, alusões, versos, humorismo, trocadilhos, tudo inglês –, isto é, especial, feito exclusivamente para a mentalidade dos inglesinhos. O tradutor fez o que pôde, mas pede aos pequenos leitores que não julguem o original pelo arremedo. Vai de diferença a diferença das duas línguas e a diferença das duas mentalidades, a inglesa e a brasileira. Há alguns anos o original manuscrito de Alice in Wonderland, do próprio punho do autor, apareceu num leilão de livros velhos em Londres. Vários pretendentes o disputaram, entre eles o British Museum, que havia destinado uma verba de 12.500 libras esterlinas para a sua aquisição. Essa verba foi insuficiente. Um americano apareceu e fez um lance maior, adquirindo o manuscrito pela quantia de 15.400 libras, ou 75.259 dólares, moeda do seu país. Qualquer coisa como mil e tantos contos, ao câmbio de hoje [Nota do Editor: há que se considerar que isso se deu nos anos 1930]. Isto mostra o alto grau de apreço no qual em certos países é tido o trabalho literário. As crianças brasileiras vão ler a história de Alice por conta do pedido de Narizinho [a famosa personagem de Monteiro Lobato]. Tanto insistiu esta menina em vê-la em português (Narizinho ainda não sabe inglês), que não houve remédio; apesar de ser, como dissemos, uma obra intraduzível. – “Serve assim mesmo” – disse ela ao ler a minha tradução – “Dá uma ideia, em- bora muito pálida, como diz Emília”... Monteiro Lobato, em torno de 1931.
Exemplos de traduções
A partir da comparação entre as duas traduções, é possível distinguir o momento histórico-cultural em que cada uma se insere e como isso possivelmente influenciou as escolhas feitas pelos tradutores durante as traduções.
Tradução de Maria Luíza de X. de A. Borges
Tradução de Monteiro Lobato
Apresenta marcas linguísticas de acordo com o polissistema literário brasileiro de 2002. “Assim, refletia com seus botões (tanto quanto podia, porque calor a fazia se sentir sonolenta e burra) se o prazer de fazer uma guirlanda de margaridas valeria o esforço de se levantar e colher as flores, quando de repente um Coelho Branco de olhos cor-de-rosa passou correndo por ela.” (s/p, e-Pub) No original se usa o termo "stupid". Stupid: estúpida, idiota, burra Os autores utilizaram termos diferentes "esmorecida" e “burra”, mas mantiveram o sentido presente no texto original. Ambos os termos usados buscaram proximidade com a linguagem comum / mais usual de sua época. Esmorecida: desanimada; triste; enfraquecida; diminuída
Apresenta marcas linguísticas de acordo com o polissistema literário brasileiro de 1931. “Então, ela pensava consigo mesma (tanto quanto podia, uma vez que o dia quente a fazia sentir-se sonolenta e esmorecida) se o prazer de fazer uma coroa de margaridas valeria o trabalho de se levantar e apanhá-las, quando repentinamente um Coelho Branco com olhos rosados passou correndo perto dela.”(p.7) Na tradução de "So she was considering in her own mind" cada autor buscou expressões mais próximas da linguagem utilizada pelo público-alvo e manteve o sentido presente no original.
Tradução de Maria Luíza de X. de A. Borges
Tradução de Monteiro Lobato
“Não havia nada de tão extraordinário nisso; nem Alice achou assim tão esquisito ouvir o Coelho dizer consigo mesmo: "Ai, ai!" Ai, ai! Vou chegar atrasado demais!" (quando pensou sobre isso mais tarde, ocorreu-lhe que deveria ter ficado espantada, mas na hora tudo pareceu muito natural); mas quando viu o Coelho tirar um relógio do bolso do colete e olhar as horas, e depois sair em disparada, Alice se levantou num pulo, porque constatou subitamente que nunca tinha visto antes um coelho com bolso de colete, nem com relógio para tirar de lá, e ardendo de curiosidade, correu pela campina atrás dele, ainda a tempo de vê-lo se meter a toda a pressa numa grande toca de coelho debaixo da cerca." Os termos “relampejou” e “constatou” estão presentes no uso da língua portuguesa, mas cada um apresenta-se de forma mais usual conforme a época de publicação das obras. Isso pode ser comprovado, por exemplo, através de uma busca simples no Google ou em um corpus do português através da verificação de ocorrências. No Google, por exemplo, para o termo “relampejou” são apresentados 46,100 resultados e para “constatou” são 7.570.000 resultados.
“Não havia nada de tão extraordinário nisso; nem Alice achou assim tão fora do normal ouvir o Coelho dizer para si mesmo: “Oh, céus! Oh, céus! Irei me atrasar!” (quando refletiu sobre isso depois, ocorreu-lhe que deveria ter reparado nisso, mas à hora tudo lhe pareceu bastante natural); mas quando o Coelho efetivamente tirou um relógio do bolso do colete e olhou para ele, se apressando, Alice pôs-se de pé porque lhe relampejou pela cabeça que nunca tivera visto antes um coelho nem com um bolso de colete, nem com um relógio para tirar dele e, ardendo de curiosidade, correu através do campo atrás dele e felizmente chegou bem a tempo de o ver pular para dentro de uma grande toca de coelho debaixo da cerca. O uso do "Ai, ai" pareceu mais comum atualmente do que "Oh, céus!", isso demonstra a diferença de uso entre períodos. No original, consta “ Oh dear ! Oh dear ! I shall be too late !”, no entanto, apesar de não manter a tradução literal, as traduções buscaram manter o sentido expresso no original e buscaram termos mais usuais de acordo com o polissistema literário da época.
Referências
CARROLL, L.Alice’s Adventures in Wonderland. London: Harper Collin, 2013 [1865]. _____. Alice no País das Maravilhas. Trad. de Monteiro Lobato. 9 ed. São Paulo: Brasiliense, 1960 [1931]. _____. Aventuras de Alice no País das Maravilhas; Através do Espelho e o que Alice Encontrou por lá. Trad. de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2010 [2002]. Even-Zohar, Itamar 2013. "O “sistema literário”." Revista Translatio 4, pp. 22-45. [Marozo, Luis Fernando & Yanna Karlla Cunha trans. Revisão Linguística: Raquel Bello Vazques.] Even-Zohar, Itamar 2013. "Teoria dos polissistemas." Revista Translatio 4, pp. 2-21. [Marozo, Luis Fernando, Carlos Rizzon2 & Yanna Karlla Cunha trans.] JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo – diário de uma favelada. São Paulo: Francisco Alves, 1960.