A pintura acadêmica no Brasil
No século XIX, muitos artistas europeus vieram ao Brasil, atraídos pela paisagem exuberante, pela luz tropical, pela ideia de exotismo, em busca de aventura ou acompanhando expedições científicas. Os artistas franceses, contratados pela corte portuguesa com o objetivo de fundar uma Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro, chegaram em 1816, e a motivação de sua vinda é controversa. Tudo indica que estivessem fugindo para o Brasil por serem simpatizantes de Napoleão B0naparte, que acabara de perder o poder na França. Esse grupo, que mais tarde ficou conhecido como Missão Artística Francesa incluía, entre outros, os pintores Jean-Baptiste Debret e Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830), além do arquiteto Grandjean de Montigny.
Debret foi o mais importante integrante dessa missão. Seu trabalho documenta hábitos e costumes de uma cidade luso-brasileira cuja população era majoritariamente de origem africana. A medida que entrava em contato com a realidade violenta do sistema escravista, o artista se distanciava da estética heroica neoclássica das pinturas que retratam a corte e se aproximava da visão romântica, representando por meio de desenhos e aquarelas o cotidiano das pessoas comuns e dos escravos. Ao retornar a Paris, em 1831, Debret dedicou-se à obra Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, uma coletanea de gravuras com 150 reproduções, desenhos e aquarelas, acompanhadas de textos explicativos.
Com as crises políticas que acompanharam o processo de cia, a Academia Imperial de Belas Artes só foi inaugurada dez anos mais tarde, em 1826, e assim teve início o ensino artístico formal no país, do nos valores tradicionais da arte europeia. Concebido com base em padrões do Classicismo, o ensino acadêmico propunha a arte como a representação do belo ideal e a valorização de temas heroicos, como a pintura histórica. O método priorizava o ensino do desenho de observação e da pintura a óleo. No caso da escultura, o trabalho com mármore e bronze.
Os artistas franceses trouxeram cerca de cinquenta obras da Europa para formar o acervo da instituição. Foi a partir desses trabalhos e da obra dos primeiros professores que se iniciou a produção acadêmica nacional. A estreita ligação da Academia com o governo imperial resultou muitas vezes na produção de pinturas de caráter ufanista, que narravam eventos históricos de modo grandioso e épico. O retrato foi bastante exercitado, pois sua execução, sob encomenda, garantia o sustento dos artistas. A paisagem e a natureza-morta, embora consideradas gêneros secundários pelo sistema acadêmico, foram predominantes entre os pintores brasileiros e estrangeiros no Brasil do século XIX. O gaúcho Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), discípulo de Debret, fez parte da primeira geração de alunos da Academia Imperial de Belas Artes. Porto-Alegre acompanhou Debret em sua volta parava França, vivendo na Eumpa por seis anos. Ao retornar ao Brasil, foi nomeado profesor de pintura histórica da Academia. Foi poeta, caricaturista, crítico de afie e principalmente um incentivador das atividades artísticas. No Museu Nacional de Belas Afies do Rio de Janeiro, que guarda o acervo da Academia até hoje, há uma série de pinturas nas quais Porto-Alegre abordou, com a grandiosidade dos pintores românticos, o tema da paisagem.
Manuel de Araújo Porto Alegre, Grota, s.d, óleo sobre tela, 35,2 cm x 27,1 cm. MMBA, Rio de Janeiro.
Cânion de pedra visto do interior de uma caverna, que parece uma enorme boca a engolir a luz do sol: uma representação grandiosa da paisagem
Representação
- Que artifícios o artista utiliza para representar os espaços interior e exterior da paisagem?
- Como ele define os volumes variáveis das formas inorgânicas características da pedra?
- O que torna essa paisagem grandiosa?
A pintura acadêmica no Brasil
sara-pluzzardi
Created on August 27, 2021
Start designing with a free template
Discover more than 1500 professional designs like these:
View
Modern Presentation
View
Terrazzo Presentation
View
Colorful Presentation
View
Modular Structure Presentation
View
Chromatic Presentation
View
City Presentation
View
News Presentation
Explore all templates
Transcript
A pintura acadêmica no Brasil
No século XIX, muitos artistas europeus vieram ao Brasil, atraídos pela paisagem exuberante, pela luz tropical, pela ideia de exotismo, em busca de aventura ou acompanhando expedições científicas. Os artistas franceses, contratados pela corte portuguesa com o objetivo de fundar uma Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro, chegaram em 1816, e a motivação de sua vinda é controversa. Tudo indica que estivessem fugindo para o Brasil por serem simpatizantes de Napoleão B0naparte, que acabara de perder o poder na França. Esse grupo, que mais tarde ficou conhecido como Missão Artística Francesa incluía, entre outros, os pintores Jean-Baptiste Debret e Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830), além do arquiteto Grandjean de Montigny.
Debret foi o mais importante integrante dessa missão. Seu trabalho documenta hábitos e costumes de uma cidade luso-brasileira cuja população era majoritariamente de origem africana. A medida que entrava em contato com a realidade violenta do sistema escravista, o artista se distanciava da estética heroica neoclássica das pinturas que retratam a corte e se aproximava da visão romântica, representando por meio de desenhos e aquarelas o cotidiano das pessoas comuns e dos escravos. Ao retornar a Paris, em 1831, Debret dedicou-se à obra Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, uma coletanea de gravuras com 150 reproduções, desenhos e aquarelas, acompanhadas de textos explicativos.
Com as crises políticas que acompanharam o processo de cia, a Academia Imperial de Belas Artes só foi inaugurada dez anos mais tarde, em 1826, e assim teve início o ensino artístico formal no país, do nos valores tradicionais da arte europeia. Concebido com base em padrões do Classicismo, o ensino acadêmico propunha a arte como a representação do belo ideal e a valorização de temas heroicos, como a pintura histórica. O método priorizava o ensino do desenho de observação e da pintura a óleo. No caso da escultura, o trabalho com mármore e bronze.
Os artistas franceses trouxeram cerca de cinquenta obras da Europa para formar o acervo da instituição. Foi a partir desses trabalhos e da obra dos primeiros professores que se iniciou a produção acadêmica nacional. A estreita ligação da Academia com o governo imperial resultou muitas vezes na produção de pinturas de caráter ufanista, que narravam eventos históricos de modo grandioso e épico. O retrato foi bastante exercitado, pois sua execução, sob encomenda, garantia o sustento dos artistas. A paisagem e a natureza-morta, embora consideradas gêneros secundários pelo sistema acadêmico, foram predominantes entre os pintores brasileiros e estrangeiros no Brasil do século XIX. O gaúcho Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), discípulo de Debret, fez parte da primeira geração de alunos da Academia Imperial de Belas Artes. Porto-Alegre acompanhou Debret em sua volta parava França, vivendo na Eumpa por seis anos. Ao retornar ao Brasil, foi nomeado profesor de pintura histórica da Academia. Foi poeta, caricaturista, crítico de afie e principalmente um incentivador das atividades artísticas. No Museu Nacional de Belas Afies do Rio de Janeiro, que guarda o acervo da Academia até hoje, há uma série de pinturas nas quais Porto-Alegre abordou, com a grandiosidade dos pintores românticos, o tema da paisagem.
Manuel de Araújo Porto Alegre, Grota, s.d, óleo sobre tela, 35,2 cm x 27,1 cm. MMBA, Rio de Janeiro.
Cânion de pedra visto do interior de uma caverna, que parece uma enorme boca a engolir a luz do sol: uma representação grandiosa da paisagem
Representação