Prof. Leonardo Sasaki
FIGURAS DE SOM
ALITERAÇÃO, ASSONÂNCIA, PARONOMÁSIA, ONOMATOPEIA
Figuras de som
Assonância
Aliteração
Explora-se a camada fônica da linguagem, explorando o potencial expressivo dos sons.
Repetição sistemática de determinada consoante ou encadeamento de consoantes.
Repetição sistemática de determinada vogal.
Paronomásia
Onomatopeia
Emprego de palavras que se aproximam pela similaridade fônica/sonora.
Tentativa de imitação de sons naturais e ruídos inarticulados por um grupo de sons da linguagem.
NÃO É RIMA!
ASSONÂNCIA
Repetição sistemática de determinada vogal.
"Minha foz do Iguaçu /Pólo sul, meu azul / Luz do sentimento nu" (Djavan, "Linha do Equador") "Sou um mulato nato / No sentido lato / Mulato democrático do litoral" (Caetano Veloso, "Sugar Cane Fields Forever) “Abra suas asas / Solte suas feras / Caia na gandaia / Entre nessa festa” (As frenéticas, "Abra suas asas")
SUGESTÕES SONORAS
Fonte: MARTINS, Nilce Sant'anna. Introdução à estilística. SP: T. A. Queiroz, 2000.
[i]
[a]
Estreitamento do conduto bucal. Expressão de pequenez, estreiteza, agudez (mínimo, mini, estrito, fio, fino, espinho, formiga etc.); agudez moral (ironia, perfídia, malícia, sutil, mesquinho etc.)
Fonema mais sonoro, mais livre: sons fortes, nítidos. Risadas, vozes altas, animadas (gargalhada, algazarra etc.); claridade, brancura, amplidão, alegria (claro, alvo, vasto, alto, alvorada, madrugada etc.);
[ô] [u]
vogais nasais
Sons profundos, graves. Sugerem ideias de fechamento, redondeza, escuridão, tristeza, medo, morte (urro, zurro, murmúrio, queixume, sussurro, rouco, oco, globo, ovo, gruta, dor, choro, fúnebre, luto, túmulo, viúvo, oculto etc.)
Ressonância nasal para sons prolongados. Expressão de distância, lentidão, moleza, melancolia (longe, distante, bambo, manso, brando, pranto, lamento, dolente etc.)
ALITERAÇÃO
“A brisa do Brasil beija e balança.” (Castro Alves, "Navio Negreiro") “Pedro pedreiro penseiro esperando o trem / que já vem, que já vem, que já vem…” (Chico Buarque, "Pedro Penseiro") “Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias de violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas... “ (Cruz e Souza, "Violões que choram...")
Repetição sistemática de determinada consoante ou encadeamento de consoantes.
SUGESTÕES SONORAS
Fonte: MARTINS, Nilce Sant'anna. Introdução à estilística. SP: T. A. Queiroz, 2000.
[p] [t] [k] [b] [d]
[m] [n] [nh]
Consoantes nasais, ditas moles, doces. Sugestão de suavidade, delicadadeza, doçura (ameno, manso, mole, amor, meigo, mel, menino, ninar, harmonia, ninho, sonho etc.)
Traço explosivo, momentâneo. Reproduzir ruídos duros, secos, batidas, pancadas, passos pesados. São sons frequentes em xingamentos, como explosão: Poxa! Caraca! P*t*k*p*riu.
Noção de vibração, rompimento, abalo, raiva (rachar, ranger, rasgar, romper, roer, ruir, arranhar, arrancar, estropiar, estraçalhar etc.): "Ranjo os dentes, remordo os punhos, rujo em fúria" (OB)
[f] [v] [s] [z]
[ch]
Sons chiados. O atrito sugerido pode-se ligar a ideias de irritação, desagrado, desgosto: "Quando a Indesejada das gentes chegar" (MB).
Imitam sopros. Sugerem o fluir, o passar, o aéreo, a vocalização, a dissipação (voz, vento, fala, fofoca, suspiro, sibilo, assobio, zumbido, zunir etc.).
PARONOMÁSIA
Emprego de palavras com sentidos diferentes que se aproximam pela similaridade fônica/ sonora. .
"Me dê paciência pra que eu não caia Pra que eu não pare nesta existência Tão mal cumprida tão mais comprida." Manuel Bandeira, "Oração no Saco de Mangaratiba". "Inventei, por exemplo, o verbo teadorar. Intransitivo: Teadoro, Teodora”. Manuel Bandeira, "Neologismo"
PARONOMÁSIA
Emprego de palavras com sentidos diferentes que se aproximam pela similaridade fônica/ sonora. .
TRAVA-LÍNGUAS Rato rói a roupa do rei de Roma.
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
A aranha arranha a rã. A rã arranha a aranha. Nem a aranha arranha a rã. Nem a rã arranha a aranha.
PARONOMÁSIA (PUBLICIDADE E POESIA CONCRETA)
Slogan para Coca Cola de Fernando Pessoa
"Coca cola", Décio Pignatari
ONOMATOPEIA NA ARTE (POPART)
Roy Lichtenstein, Whaam!, 1963 (Tate Modern, Londres)
Roy Lichtenstein, "Sweet Dreams, Baby", 1963 (MoMA, NY)
ONOMATOPEIA NA COMUNICAÇÃO
Como nasceu o KKKKKK da geração Z
Propaganda do tônico "Vanadiol", em 1927
Rato que rói a roupa
Que rói a rapa do rei do morro
Que rói a roda do carro
Que rói o carro, que rói o ferro Que rói o barro, rói o morro
Rato que rói o rato
Ra-rato, ra-rato, roto que ri do roto
Que rói o farrapo do esfarrapado
Que mete a ripa, arranca rabo, rato ruim
Rato que rói a rosa, rói o riso da moça
E ruma rua arriba em sua rota de rato
Rato que rói a roupa
Que rói a rapa do rei do morro
Que rói a roda do carro
Que rói o carro, que rói o ferro
Que rói o barro, rói o morro
Rato que rói o rato
ODE AOS RATOS (Chico Buarque) Rato de rua, irrequieta criatura
Tribo em frenética proliferação
Lúbrico, libidinoso transeunte
Boca de estômago atrás do seu quinhão
Vão aos magotes a dar com um pau levando o terror
Do parking ao living, do shopping center ao léu
Do cano de esgoto pro topo do arranha-céu
Rato de rua, aborígene do lodo
Fuça gelada, couraça de sabão
Quase risonho, profanador de tumba
Sobrevivente à chacina e à lei do cão
Saqueador da metrópole tenaz roedor
De toda esperança, estuporador da ilusão
Ó meu semelhante, filho de Deus, meu irmão.
O PULSO (Arnaldo Antunes) (intro: poema "Bacanas") canalhas
sacanas
medalhas
arrotam
migalhas
aterram
muralhas
de grana
e miséria
nas milhas
de grama
e mortalha
da terra
plana
Reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia
Hernia, pediculose, tétano, hipocrisia
Brucelose, febre, tifoide, arteriosclerose,
[miopia
Catapora, culpa, carie, câimbra, lepra,
[afasia O pulso ainda pulsa E o corpo ainda é pouco (...) Peste bubônica, câncer, pneumonia
Raiva, rubéola, tuberculose, anemia
Rancor, cisticercose, caxumba, difteria
Encefalite, faringite, gripe, leucemia
Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia
Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania
O corpo ainda é pouco
O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa
Peste bubônica, câncer, pneumonia
Raiva, rubéola, tuberculose, anemia
Rancor, cisticercose, caxumba, difteria
Encefalite, faringite, gripe, leucemia
O pulso ainda pulsa (2x) Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia
Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania
O corpo ainda é pouco / Assim
CANÇÃO DO VENTO E DA MINHA VIDA (Manuel Bandeira, Lira dos cinquent'anos)
O vento varria as folhas, O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres.
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
Figuras de som
Leonardo de Barros Sasaki
Created on August 19, 2021
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Prof. Leonardo Sasaki
FIGURAS DE SOM
ALITERAÇÃO, ASSONÂNCIA, PARONOMÁSIA, ONOMATOPEIA
Figuras de som
Assonância
Aliteração
Explora-se a camada fônica da linguagem, explorando o potencial expressivo dos sons.
Repetição sistemática de determinada consoante ou encadeamento de consoantes.
Repetição sistemática de determinada vogal.
Paronomásia
Onomatopeia
Emprego de palavras que se aproximam pela similaridade fônica/sonora.
Tentativa de imitação de sons naturais e ruídos inarticulados por um grupo de sons da linguagem.
NÃO É RIMA!
ASSONÂNCIA
Repetição sistemática de determinada vogal.
"Minha foz do Iguaçu /Pólo sul, meu azul / Luz do sentimento nu" (Djavan, "Linha do Equador") "Sou um mulato nato / No sentido lato / Mulato democrático do litoral" (Caetano Veloso, "Sugar Cane Fields Forever) “Abra suas asas / Solte suas feras / Caia na gandaia / Entre nessa festa” (As frenéticas, "Abra suas asas")
SUGESTÕES SONORAS
Fonte: MARTINS, Nilce Sant'anna. Introdução à estilística. SP: T. A. Queiroz, 2000.
[i]
[a]
Estreitamento do conduto bucal. Expressão de pequenez, estreiteza, agudez (mínimo, mini, estrito, fio, fino, espinho, formiga etc.); agudez moral (ironia, perfídia, malícia, sutil, mesquinho etc.)
Fonema mais sonoro, mais livre: sons fortes, nítidos. Risadas, vozes altas, animadas (gargalhada, algazarra etc.); claridade, brancura, amplidão, alegria (claro, alvo, vasto, alto, alvorada, madrugada etc.);
[ô] [u]
vogais nasais
Sons profundos, graves. Sugerem ideias de fechamento, redondeza, escuridão, tristeza, medo, morte (urro, zurro, murmúrio, queixume, sussurro, rouco, oco, globo, ovo, gruta, dor, choro, fúnebre, luto, túmulo, viúvo, oculto etc.)
Ressonância nasal para sons prolongados. Expressão de distância, lentidão, moleza, melancolia (longe, distante, bambo, manso, brando, pranto, lamento, dolente etc.)
ALITERAÇÃO
“A brisa do Brasil beija e balança.” (Castro Alves, "Navio Negreiro") “Pedro pedreiro penseiro esperando o trem / que já vem, que já vem, que já vem…” (Chico Buarque, "Pedro Penseiro") “Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias de violões, vozes veladas, vagam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas... “ (Cruz e Souza, "Violões que choram...")
Repetição sistemática de determinada consoante ou encadeamento de consoantes.
SUGESTÕES SONORAS
Fonte: MARTINS, Nilce Sant'anna. Introdução à estilística. SP: T. A. Queiroz, 2000.
[p] [t] [k] [b] [d]
[m] [n] [nh]
Consoantes nasais, ditas moles, doces. Sugestão de suavidade, delicadadeza, doçura (ameno, manso, mole, amor, meigo, mel, menino, ninar, harmonia, ninho, sonho etc.)
Traço explosivo, momentâneo. Reproduzir ruídos duros, secos, batidas, pancadas, passos pesados. São sons frequentes em xingamentos, como explosão: Poxa! Caraca! P*t*k*p*riu.
Noção de vibração, rompimento, abalo, raiva (rachar, ranger, rasgar, romper, roer, ruir, arranhar, arrancar, estropiar, estraçalhar etc.): "Ranjo os dentes, remordo os punhos, rujo em fúria" (OB)
[f] [v] [s] [z]
[ch]
Sons chiados. O atrito sugerido pode-se ligar a ideias de irritação, desagrado, desgosto: "Quando a Indesejada das gentes chegar" (MB).
Imitam sopros. Sugerem o fluir, o passar, o aéreo, a vocalização, a dissipação (voz, vento, fala, fofoca, suspiro, sibilo, assobio, zumbido, zunir etc.).
PARONOMÁSIA
Emprego de palavras com sentidos diferentes que se aproximam pela similaridade fônica/ sonora. .
"Me dê paciência pra que eu não caia Pra que eu não pare nesta existência Tão mal cumprida tão mais comprida." Manuel Bandeira, "Oração no Saco de Mangaratiba". "Inventei, por exemplo, o verbo teadorar. Intransitivo: Teadoro, Teodora”. Manuel Bandeira, "Neologismo"
PARONOMÁSIA
Emprego de palavras com sentidos diferentes que se aproximam pela similaridade fônica/ sonora. .
TRAVA-LÍNGUAS Rato rói a roupa do rei de Roma. Três pratos de trigo para três tigres tristes. A aranha arranha a rã. A rã arranha a aranha. Nem a aranha arranha a rã. Nem a rã arranha a aranha.
PARONOMÁSIA (PUBLICIDADE E POESIA CONCRETA)
Slogan para Coca Cola de Fernando Pessoa
"Coca cola", Décio Pignatari
ONOMATOPEIA NA ARTE (POPART)
Roy Lichtenstein, Whaam!, 1963 (Tate Modern, Londres)
Roy Lichtenstein, "Sweet Dreams, Baby", 1963 (MoMA, NY)
ONOMATOPEIA NA COMUNICAÇÃO
Como nasceu o KKKKKK da geração Z
Propaganda do tônico "Vanadiol", em 1927
Rato que rói a roupa Que rói a rapa do rei do morro Que rói a roda do carro Que rói o carro, que rói o ferro Que rói o barro, rói o morro Rato que rói o rato Ra-rato, ra-rato, roto que ri do roto Que rói o farrapo do esfarrapado Que mete a ripa, arranca rabo, rato ruim Rato que rói a rosa, rói o riso da moça E ruma rua arriba em sua rota de rato Rato que rói a roupa Que rói a rapa do rei do morro Que rói a roda do carro Que rói o carro, que rói o ferro Que rói o barro, rói o morro Rato que rói o rato
ODE AOS RATOS (Chico Buarque) Rato de rua, irrequieta criatura Tribo em frenética proliferação Lúbrico, libidinoso transeunte Boca de estômago atrás do seu quinhão Vão aos magotes a dar com um pau levando o terror Do parking ao living, do shopping center ao léu Do cano de esgoto pro topo do arranha-céu Rato de rua, aborígene do lodo Fuça gelada, couraça de sabão Quase risonho, profanador de tumba Sobrevivente à chacina e à lei do cão Saqueador da metrópole tenaz roedor De toda esperança, estuporador da ilusão Ó meu semelhante, filho de Deus, meu irmão.
O PULSO (Arnaldo Antunes) (intro: poema "Bacanas") canalhas sacanas medalhas arrotam migalhas aterram muralhas de grana e miséria nas milhas de grama e mortalha da terra plana
Reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia Hernia, pediculose, tétano, hipocrisia Brucelose, febre, tifoide, arteriosclerose, [miopia Catapora, culpa, carie, câimbra, lepra, [afasia O pulso ainda pulsa E o corpo ainda é pouco (...) Peste bubônica, câncer, pneumonia Raiva, rubéola, tuberculose, anemia Rancor, cisticercose, caxumba, difteria Encefalite, faringite, gripe, leucemia Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania O corpo ainda é pouco
O pulso ainda pulsa O pulso ainda pulsa Peste bubônica, câncer, pneumonia Raiva, rubéola, tuberculose, anemia Rancor, cisticercose, caxumba, difteria Encefalite, faringite, gripe, leucemia O pulso ainda pulsa (2x) Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania O corpo ainda é pouco / Assim
CANÇÃO DO VENTO E DA MINHA VIDA (Manuel Bandeira, Lira dos cinquent'anos)
O vento varria as folhas, O vento varria os frutos, O vento varria as flores... E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De frutos, de flores, de folhas. O vento varria as luzes, O vento varria as músicas, O vento varria os aromas... E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De aromas, de estrelas, de cânticos.
O vento varria os sonhos E varria as amizades... O vento varria as mulheres. E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De afetos e de mulheres. O vento varria os meses E varria os teus sorrisos... O vento varria tudo! E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De tudo.