Os discursos comunicacionais
Profª Mª Patrícia Sosa Mello
Tema: Os discursos comunicacionais
Para iniciar nossa reflexão...
http://www.johnholcroft.com/
Tema: Os discursos comunicacionais
Comunicação e linguagem O ato de se comunicar é o meio pelo qual dois ou mais indivíduos produzem e interpretam significados, pois constroem e põem em comum um entendimento recíproco. Comunicação é a transmissão de estímulos e respostas provocadas, por meio de um sistema completa ou parcialmente compartilhado, ou seja, é todo o processo de transmissão e de troca de mensagens entre seres humanos.
Tema: Os discursos comunicacionais
Comunicação e linguagem “A finalidade última de todo ato de comunicação não é informar, mas persuadir o outro a aceitar o que está sendo comunicado. Por isso, o ato de comunicação é um complexo jogo de manipulação com vistas a fazer o enunciatário crer naquilo que se transmite. A linguagem é sempre comunicação (e, portanto, persuasão), mas ela o é na medida em que é produção de sentido.” (FIORIN, 1989, p.52)
Tema: Os discursos comunicacionais
“o domínio da linguagem é relevante na inserção do indivíduo na sociedade” (MEDEIROS;TOMASI, 2013.p. 5)
Linguagem: capacidade humana de comunicar por meio de uma língua. Língua: conjunto de signos e formas de combinar esses signos partilhado pelos membros de uma comunidade. Signo: elemento representativo; no caso do signo linguístico, é a união indissolúvel de um significante e um significado. (SE: sons ou letras + SO: conceitos) Fala: uso individual da língua, aberto à criatividade e ao desenvolvimento da liberdade de compreensão e expressão.
Tema: Os discursos comunicacionais
A comunicação humana se dá pelo uso da linguagem, capacidade de construir significados cognitivos a partir de signos linguísticos. Define-se genericamente a linguagem como um sistema constituído por elementos que podem ser gestos, sinais, sons, símbolos ou palavras, usados para representar conceitos de comunicação, ideias, significados e pensamentos. Nesta acepção, linguagem aproxima-se do conceito de língua. Em uma outra acepção, linguagem refere-se à função cerebral que permite a qualquer ser humano adquirir e utilizar uma língua.
Tema: Os discursos comunicacionais
Comunicação pelo código: Emissor: Quem deseja comunicar-se enviando determinadas mensagens a alguém. Receptor: A quem a mensagem se destina. Referente (ou contexto): O assunto/situação/contexto que envolve a mensagem. Canal: O meio material, suporte físico que transporta a mensagem. Mensagem: As informações transmitidas. Código: Sistema de elementos linguísticos e de regras para combiná-los, conhecido tanto pelo emissor como pelo receptor. Codificação: transformar a ideia em código Decodificação: transformar o código em ideia
Linguagem e Comunicação
Tema: Os discursos comunicacionais
A neutralidade do texto existe? O sentido do texto depende do contexto sócio-histórico-cultural-ideológico em que ele está inserido. Discurso não é mera transmissão de informação, mas efeito de sentidos.
Tudo se reduz ao diálogo, à contraposição dialógica enquanto centro. Tudo é meio, o diálogo é o fim. Uma só voz nada termina, nada resolve. Duas vozes são o mínimo de vida". BAKHTIN, M. Problemas da poética de Dostoiévski. 3 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
Sentido?
https://www.ivancabral.com/2018/01/charge-powerpoint-regional-federal.html
Linguagem não é ferramenta!
- A verdade só existe no universo natural.
- A realidade criada pela linguagem é um recorte do universo ou do fato.
- Não há neutralidade no processo de representar a realidade por meio da linguagem.
Linguagem - Instituição social
- A linguagem não existe fora da sociedade. Por intermédio da linguagem o homem cria e recria o universo, em um processo dialógico, com o seu interlocutor.
- Os discursos elaborados refletem as ideias, conceitos e concepções da cultura, da sociedade e da época que representa.
Texto – teoria de Bakhtin
- é produção situada, ou seja, marcada pelo seu tempo;
- é diálogo marcado pela resposta ativa do leitor;
- está inserido em um contexto de valores;
- tem autor, contudo, este autor não é único, ele fala pelas vozes dos outros;
- está inserido em correntes de conhecimento;
- tem uma forma específica que se adéqua ao contexto;
- pode ser escrito, oral, visual ou verbovisual.
Tipologias e gêneros textuais
- Para Bakhtin, gêneros textuais definem-se principalmente por sua função social. São textos que se realizam por uma (ou mais de uma) razão determinada em uma situação comunicativa (um contexto) para promover uma interação específica. Trata-se de unidades definidas por seus conteúdos, suas propriedades funcionais, estilo e composição organizados em razão do objetivo que cumprem na situação comunicativa.
Bakhtin e dis+curso
Do latim discursus: dis (divisão em partes, separação) + cursum (curso, carreira, corrida) Etimologia: conceito do movimento, do percurso: análise da língua em movimento Não existe um “eu” individual, emissor de uma mensagem – existe é um sujeito social, fruto da interação entre o eu e o outro, inserido na história e o sentido não está nas palavras, mas é construído no ato da enunciação. As palavras mudam de significado de acordo com as condições em que são produzidas e as posições assumidas pelos interlocutores.
Bakhtin e dis+curso
Condições de Produção do Discurso Sujeito Memória discursiva Interdiscursos Situação
“O lugar de onde falamos é constitutivo do que dizemos”. Lugar de: Professor Aluno Público
“Como nossa sociedade é constituída por relações hierarquizadas, são relações de força, sustentadas no poder desses diferentes lugares, que se fazem valer na “comunicação”. A fala do professor vale (significa) mais do que a do aluno”. (MEDEIROS E TOMASI, 2013, p. 39)
Bakhtin e Formação Discursiva
São as correntes de discurso circulantes na sociedade que formam as correntes ideológicas. Todo texto pertence a uma formação discursiva. Por exemplo: a expressão “liberdade de expressão” dentro de uma ideologia, ou formação discursiva democrática e dentro de um regime autoritário. Essa expressão, quando utilizada nessas diferentes formações discursivas, gera efeitos de sentido diferentes.
A formação discursiva depende de contextos: Histórico social cultural ideológico
Funções do discurso
- Identitária: construção de identidades sociais;
- Interpessoal: construção das relações entre as pessoas;
- Ideacional: construção de sistemas de conhecimento.
Recortes da realidade
- A mensagem recebida não é senão um dos vieses possíveis de serem elaborados.
- Existe sempre um objetivo ou uma intenção ao se dizer de determinada forma e não de outra, ao se dizer uma coisa e não outra, ou ainda, ao se escolher o que dizer e o que deixar de dizer.
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Sessão musical
Meu caro amigo (Francis Hime / Chico Buarque)
- https://www.letras.mus.br/chico-buarque/7584/
- https://www.youtube.com/watch?v=3VT5j1CV-hQ
Primeira condição: Correntes de discurso
Entendemos e produzimos textos porque estamos inseridos em correntes de discursos que circulam em nosso redor e atravessam nossos textos. As correntes não começam em nossos textos e não terminam neles. As correntes continuam após os textos e os textos trazem-nas à circulação e ao conhecimento dos interlocutores.
Primeira condição: Correntes de discurso
- Discursos
- Coincidências formais
- Coincidências de conteúdo
- Circulação
- Referências anteriores
- Referências posteriores
- Interação
1a. Condição de texto: Correntes de Discursos Meu caro amigo me perdoe, por favor Se eu não lhe faço uma visita Mas como agora apareceu um portador Mando notícias nessa fita
Segunda condição: Processo de Interlocução
A existência de um texto também está vinculada à existência de uma corrente de comunicação, denominada de processo de interlocução, envolvendo um locutor, um interlocutor e um instrumento de mediação. Locutor pode ser entendido por aquele que fala ou escreve, portanto, para que haja um texto tem que haver um autor, mesmo que esse autor não seja concretamente identificado no texto.
Segunda condição: Processo de interlocução
- Corrente de comunicação
- Locutor
- Interlocutor
- Autoria
- Dialogismo
- Intermediação pela língua
2a. Condição de texto: Processo de Interlocução A Marieta manda um beijo para os seus Um beijo na família, na Cecília e nas crianças O Francis aproveita pra também mandar lembranças A todo o pessoal Adeus
Terceira condição: Reversibilidade de papéis
Não existe locutor que fale, ou escreva, somente e interlocutor que ouça, ou leia somente. Em outras palavras, não há uma relação ativo e passivo no processo de interlocução. Ambos os participantes desse processo são figuras ativas, porque, enquanto o locutor produz seu texto, o interlocutor está processando o mesmo texto. E vai respondê-lo posteriormente.
Terceira condição: Reversibilidade de papéis
- Resposta ativa
- Interação pelo diálogo
- Resposta imediata
- Resposta tardia
3a. Condição de texto: Reversibilidade de Papéis Meu caro amigo eu não pretendo provocar Nem atiçar suas saudades Mas acontece que não posso me furtar A lhe contar as novidades
Quarta condição: Inserção em um contexto
Ambos os participantes na interação produzem seus textos inseridos em um contexto. O contexto possui dois eixos: um contexto concreto e imediato e um contexto mais amplo de valores.
Quarta condição: Inserção em um contexto
- Participantes da interação
- Contexto imediato e concreto
- Contexto amplo de valores
- Coerções na forma e no conteúdo
4a. Condição de texto: Inserção em um Contexto Muita mutreta pra levar a situação Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça E a gente vai tomando e também sem a cachaça Ninguém segura esse rojão
Características do discurso
- É uma organização situada para além da frase
- É orientado
- É uma forma de ação
- É interativo
Características do discurso
- É contextualizado
- É assumido por um sujeito
- É regido por normas
- É considerado no bojo de um interdiscurso
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https://www.ivancabral.com/2011/06/charge-do-dia-rede-social.html#links
A mídia conta a história da sociedade
- “Historiadores e arqueólogos irão descobrir um dia que os anúncios de nosso tempo são as mais ricas e mais fiéis representações que qualquer sociedade já fez sobre toda a sua gama de atividades” (MC LUHAN, 1969, 262).
Ontem e hoje
Trabalho escravo ontem e hoje
http://www.geledes.org.br/precisa-se-de-meninas-para-trabalho-infantil-e-escravo/
Discurso e sujeitos
- Toda atividade comunicativa entre interlocutores;
- Interlocutores – emissor e receptor do processo de comunicação. São igualmente atuantes. São sujeitos.
- Discurso é a atividade produtora de sentidos que se dá na interação entre falantes. O falante/ouvinte, escritor/leitor são seres situados num tempo histórico, num espaço geográfico; pertencem a uma comunidade, a um grupo e por isso carregam crenças, valores culturais, sociais, enfim a ideologia do grupo, da comunidade de que fazem parte.
Escolha de palavras
Sabe-se que a palavra, inserida no contexto da comunicação, é prenhe de significados e de ideologias e que a escolha de uma e não de outra marca a posição do indivíduo frente ao fato abordado.
- As palavras podem ocupar o lugar umas das outras, conforme o contexto, mas sempre imprimindo nuances diferentes de significação.
O papel do analista de discurso
- A preocupação não está no “quê” diz, mas no “como” faz para dizer o que disse.
- Não é interpretação de texto.
- É a busca do funcionamento da linguagem.
Estudos do discurso
- Os estudos discursivos procuram descrever e explicar o que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz, ou seja, o texto é examinado na sua estrutura interna e no contexto sócio-histórico que o envolve, revelando os ideais e as concepções de um grupo social numa determinada época.
Funcionamento
Eni Orlandi (1987, p. 107), “o que importa é destacar o modo de funcionamento da linguagem, sem se esquecer que esse funcionamento não é integralmente linguístico, uma vez que dele fazem parte as condições de produção que representam o mecanismo de situar os protagonistas e o objeto do discurso”.
O ethos do enunciador
- Assim, a fala não deve ser entendida apenas pelo conteúdo veiculado, mas pelo contexto do ethos de quem enuncia.
- Nesse sentido, os estereótipos sociais e as imagens que se tem dos sujeitos envolvidos nos discursos contribuem para a construção dos efeitos de sentido.
Análise do discurso
- Escola americana (sociologia)
- Escola inglesa (pragmática)
- Escola francesa (linguística)
Escola americana
- Sociologia: conversação e a microsociologia do cotidiano (Goffman, Gumperz e Labov):
- Jogo (regras, participantes, ataque, defesa, objetivo);
- Enquadre (passo, faces, turno);
- Convenções de contextualização (contexto, papéis sociais, cooperação);
- Labov (transversalidade, pistas paralinguísticas).
- Com quem é que você estava conversando?- Eu? Com ninguém. Era a televisão. E você não disse que ia para São Paulo?
- Espere. Aqui no quarto não tem televisão.
- Não mude de assunto.
Escola americana
- Por favor, passe-me o açúcar.
- Me dá o açúcar.
- O senhor poderia fazer a gentileza de me passar o açúcar, por favor?
Escola inglesa
- Pragmática (Austin e Searle):
- Condições de felicidade;
- Teoria dos atos de fala;
- Relação forma, conteúdo e sentido;
- Língua, cultura e sistema de valores identitários, interpessoais e ideacionais.
Escola inglesa
- Eu vos declaro marido e mulher.
- Eu te batizo...
- Declaro a seção encerrada.
- Silêncio no tribunal.
- Somente papel e lápis na carteira. Prova!
Escola francesa
- Línguística saussuriana (língua e fala)
- Língua como estrutura ou acontecimento;
- Observação das recorrências na fala: discurso;
- Produto e processo (enunciado e enunciação);
- Discurso e história.
Escola francesa
- Daqui vejo a câmera, mas não vejo você.
- Ontem saí mais cedo para dar aula e fiquei parado na chuva.
- João era um menino muito inteligente. Conseguiu passar no vestibular de direito.
Categorias de análise
Dêiticos de pessoa: marcam a posição do sujeito em relação ao seu enunciado (eu-tu).
- Eu vim aqui ontem. Você já esteve aqui?
Dêiticos de tempo: posicionam o sujeito no tempo da língua (tempo biológico, tempo cronológico e tempo da língua).
- Ontem almocei em casa e amanhã vou almoçar no restaurante.
Dêiticos de espaço: colocam o sujeito dentro de um espaço específico (isto, este, etc, aqui, lá).
- Aqui está muito frio esta semana. E aí, como está o tempo?
Categorias de análise
Polidez: garante a proteção das faces dos participantes da interação (faces positiva e negativa).
- Vossa Excelência poderia fazer o favor de deixar seu colega falar?
Ethos: constrói um sentido para a identidade de um grupo social, corporificando-o.
- Minha amiga, se você quiser emagrecer, deve fazer uma dieta a base de ...
- Querida leitora, não se esqueça das dicas práticas para emagrecer. Elas são muito eficazes, quando seguidas à risca.
Categorias de análise
Tema: estabelece o sistema de valores de um determinado enunciado, caracteriza o aspecto interpessoal e identitário.
- Compre agora mesmo o creme xxx. Faça uma massagem circular sobre cada uma das rugas. Depois, aperte o local com a ponta dos dedos por 30 segundos. Você vai ver os resultados em uma semana.
Campos semânticos: agrupam o léxico em grupos de sentido.
- O ataque ao Ministro do Planejamento foi feito em entrevista coletiva pelos senadores da oposição.
- Os senadores do partido da situação contra-atacaram o inflamado discurso do senador xxx sobre a questão levantada pelo ministro do planejamento.
Papéis temáticos: estabelecem as relação entre agentes e objetos nas orações.
- A gasolina vai subir pela terceira vez este mês.
- Falta álcool em São Paulo.
- O Presidente declarou guerra aos opositores.
Discurso - Efeitos de sentido
- Os efeitos de sentido do discurso, construídos no processo de interação, são desencadeados pelo locutor, porém completado pelo receptor ou interlocutor que atua fortemente, orientando para o quê dizer e como dizer para que os efeitos sejam favoráveis.
Discursos, ideologia e mídia
- O significado da mensagem ou os efeitos de sentido não estão na superfície textual.
- Considerar que não existe neutralidade na abordagem de um assunto significa avaliar que as relações de poder são exercidas, no processo comunicacional midiático, desde a escolha da pauta a ser desenvolvida até as estratégias selecionadas na realização da matéria.
Operadores argumentativos
- O uso da linguagem é essencialmente argumentativo: pretendemos orientar os enunciados que produzimos no sentido de determinadas conclusões (com exclusão de outras). Em outras palavras, procuramos dotar nossos enunciados de determinada força argumentativa.
Marcas no texto
- Considerando a linguagem como forma de ação dotada de intencionalidade, a Semântica do Discurso ou Semântica Argumentativa procura recuperar no discurso as marcas linguísticas da argumentação ou intencionalidade em sentido amplo.
Mas: operador argumentativo por excelência
- Ele estudou muito, mas foi reprovado.
Direção: valorização da aprovação.
- Ele foi reprovado, mas estudo muito.
Direção: valorização do estudo.
Máquina midiática Charaudeau
- Mídia: empresa de fabricar informação através do que se pode chamar de “Máquina Midiática”.
- “As empresas de fabricar informação acham-se em concorrência num mercado que as leva a procurar distinguir-se umas das outras, acionando certas estratégias quanto à maneira de reportar os acontecimentos”.
Máquina midiática – diferentes lógicas
- Lógica econômica: todo órgão informativo atua como uma empresa cuja finalidade consiste na fabricação de um produto que se define pelo lugar que ocupa no mercado de intercâmbio de bens de consumo.
- Lógica tecnológica (faz parte da lógica econômica): cada meio aciona recursos tecnológicos diferenciados que determinam a maneira de dizer e os discursos construídos.
- Lógica simbólica: todo órgão de informação deve considerar-se como máquina produtora de signos, que se originam na parte da atividade humana dedicada a construir sentido social. As estratégias simbólicas (ou discursivas) vão estabelecer o contrato de leitura de cada jornal.
Contrato de comunicação
- Os parceiros da troca linguageira estão vinculados a um contrato de comunicação, que prevê, antes de tudo, em que condições será realizada a citada troca.
- Os indivíduos devem levar em consideração os dados da situação de comunicação. Não só todo locutor deve submeter-se às suas restrições, mas também deve supor que seu interlocutor, ou destinatário, tem a capacidade de reconhecer essas mesmas restrições.
- “Co-intencionalidade”: contrato de reconhecimento das condições de realização da troca linguageira em que estão envolvidos.
Revista Superinteressante - Contrato
- Fornecer informações científicas de forma fácil e compreensível pelo público leigo.
- Aborda a ciência espetacular – a ciência no palco.
- Para tanto – conteúdos e formas de apresentar devem acompanhar esse contrato.
Newsgame - Superinteressante
http://super.abril.com.br/newsgames
Produção e Recepção
- A comunicação midiática põe em relação duas instâncias: uma de produção e outra de recepção.
- A instância de produção teria, então, um duplo papel: de fornecedor de informação, pois deve fazer saber, e de propulsor do desejo de consumir as informações, pois deve captar seu público.
- A instância de recepção, por seu turno, deveria manifestar seu interesse e/ou seu prazer em consumir tais informações.
Verdade??
“No discurso de informação não se trata da verdade em si, mas da verdade ligada à maneira de reportar os fatos: não é bem das condições de emergência da verdade que se trata, mas sim das condições de veracidade. À instância midiática cabe autenticar os fatos, descrevê-los de maneira verossímil, sugerir as causas e justificar as explicações dadas” (CHARAUDEAU, 2006, p.88).
E as discussões de gênero?
Edição 2564 - 10/01/2018: https://veja.abril.com.br/edicoes-veja/2564/
E a onda de memes?
Reflexões
- Comunicação e Linguagem são conceitos complementares e interdependentes, a comunicação não pode ser abordada apenas pelo aspecto técnico ou tecnicista e a linguagem não pode ser considerada como simples instrumento de comunicação.
- A prática do profissional de comunicação pode ser diferenciada quando reconhece o poder da linguagem de criar imagens e mundos e quando é consciente de seu poder de influenciar e construir.
- Por outro lado, quando o comunicador limita-se ao factual, abrindo mão do espaço através do qual poderia interferir na construção e reconstrução social, está se posicionando como simples reprodutor de fatos e de ideologias.
Boa quinzena!Profª Pati Sosa
Referências
- BRANDÃO, Helena. Analisando o discurso. Disponível em: http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/colunas_interna.php?id_coluna=1
- CHARAUDEAU, Patrick. Discurso Das Mídias. São Paulo : Contexto, 2006.
- MAINGUENEAU, Dominique. Ethos, cenografia, incorporação. In: AMOSSY, Ruth (org.). Imagens de si no Discurso. São Paulo : Contexto, 2005
- MARCUSCHI, Luiz Antônio. A ação dos verbos introdutores de opinião. In: INTERCOM – Revista Brasileira de Comunicação, ano XIV, nº 64, São Paulo, Janeiro/Junho de 1991, p. 74-92.
- MEDEIROS, João Bosco e TOMASI, Carolina. Português Forense: língua portuguesa para curso de Direito. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2013
- ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 5ª ed. Campinas –SP
- SANTAELLA, L. (1983). O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense.
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Created on August 16, 2021
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Os discursos comunicacionais
Profª Mª Patrícia Sosa Mello
Tema: Os discursos comunicacionais
Para iniciar nossa reflexão...
http://www.johnholcroft.com/
Tema: Os discursos comunicacionais
Comunicação e linguagem O ato de se comunicar é o meio pelo qual dois ou mais indivíduos produzem e interpretam significados, pois constroem e põem em comum um entendimento recíproco. Comunicação é a transmissão de estímulos e respostas provocadas, por meio de um sistema completa ou parcialmente compartilhado, ou seja, é todo o processo de transmissão e de troca de mensagens entre seres humanos.
Tema: Os discursos comunicacionais
Comunicação e linguagem “A finalidade última de todo ato de comunicação não é informar, mas persuadir o outro a aceitar o que está sendo comunicado. Por isso, o ato de comunicação é um complexo jogo de manipulação com vistas a fazer o enunciatário crer naquilo que se transmite. A linguagem é sempre comunicação (e, portanto, persuasão), mas ela o é na medida em que é produção de sentido.” (FIORIN, 1989, p.52)
Tema: Os discursos comunicacionais
“o domínio da linguagem é relevante na inserção do indivíduo na sociedade” (MEDEIROS;TOMASI, 2013.p. 5)
Linguagem: capacidade humana de comunicar por meio de uma língua. Língua: conjunto de signos e formas de combinar esses signos partilhado pelos membros de uma comunidade. Signo: elemento representativo; no caso do signo linguístico, é a união indissolúvel de um significante e um significado. (SE: sons ou letras + SO: conceitos) Fala: uso individual da língua, aberto à criatividade e ao desenvolvimento da liberdade de compreensão e expressão.
Tema: Os discursos comunicacionais
A comunicação humana se dá pelo uso da linguagem, capacidade de construir significados cognitivos a partir de signos linguísticos. Define-se genericamente a linguagem como um sistema constituído por elementos que podem ser gestos, sinais, sons, símbolos ou palavras, usados para representar conceitos de comunicação, ideias, significados e pensamentos. Nesta acepção, linguagem aproxima-se do conceito de língua. Em uma outra acepção, linguagem refere-se à função cerebral que permite a qualquer ser humano adquirir e utilizar uma língua.
Tema: Os discursos comunicacionais
Comunicação pelo código: Emissor: Quem deseja comunicar-se enviando determinadas mensagens a alguém. Receptor: A quem a mensagem se destina. Referente (ou contexto): O assunto/situação/contexto que envolve a mensagem. Canal: O meio material, suporte físico que transporta a mensagem. Mensagem: As informações transmitidas. Código: Sistema de elementos linguísticos e de regras para combiná-los, conhecido tanto pelo emissor como pelo receptor. Codificação: transformar a ideia em código Decodificação: transformar o código em ideia
Linguagem e Comunicação
Tema: Os discursos comunicacionais
A neutralidade do texto existe? O sentido do texto depende do contexto sócio-histórico-cultural-ideológico em que ele está inserido. Discurso não é mera transmissão de informação, mas efeito de sentidos.
Tudo se reduz ao diálogo, à contraposição dialógica enquanto centro. Tudo é meio, o diálogo é o fim. Uma só voz nada termina, nada resolve. Duas vozes são o mínimo de vida". BAKHTIN, M. Problemas da poética de Dostoiévski. 3 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
Sentido?
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Linguagem não é ferramenta!
Linguagem - Instituição social
Texto – teoria de Bakhtin
Tipologias e gêneros textuais
Bakhtin e dis+curso
Do latim discursus: dis (divisão em partes, separação) + cursum (curso, carreira, corrida) Etimologia: conceito do movimento, do percurso: análise da língua em movimento Não existe um “eu” individual, emissor de uma mensagem – existe é um sujeito social, fruto da interação entre o eu e o outro, inserido na história e o sentido não está nas palavras, mas é construído no ato da enunciação. As palavras mudam de significado de acordo com as condições em que são produzidas e as posições assumidas pelos interlocutores.
Bakhtin e dis+curso
Condições de Produção do Discurso Sujeito Memória discursiva Interdiscursos Situação
“O lugar de onde falamos é constitutivo do que dizemos”. Lugar de: Professor Aluno Público
“Como nossa sociedade é constituída por relações hierarquizadas, são relações de força, sustentadas no poder desses diferentes lugares, que se fazem valer na “comunicação”. A fala do professor vale (significa) mais do que a do aluno”. (MEDEIROS E TOMASI, 2013, p. 39)
Bakhtin e Formação Discursiva
São as correntes de discurso circulantes na sociedade que formam as correntes ideológicas. Todo texto pertence a uma formação discursiva. Por exemplo: a expressão “liberdade de expressão” dentro de uma ideologia, ou formação discursiva democrática e dentro de um regime autoritário. Essa expressão, quando utilizada nessas diferentes formações discursivas, gera efeitos de sentido diferentes.
A formação discursiva depende de contextos: Histórico social cultural ideológico
Funções do discurso
Recortes da realidade
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Sessão musical
Meu caro amigo (Francis Hime / Chico Buarque)
Primeira condição: Correntes de discurso
Entendemos e produzimos textos porque estamos inseridos em correntes de discursos que circulam em nosso redor e atravessam nossos textos. As correntes não começam em nossos textos e não terminam neles. As correntes continuam após os textos e os textos trazem-nas à circulação e ao conhecimento dos interlocutores.
Primeira condição: Correntes de discurso
1a. Condição de texto: Correntes de Discursos Meu caro amigo me perdoe, por favor Se eu não lhe faço uma visita Mas como agora apareceu um portador Mando notícias nessa fita
Segunda condição: Processo de Interlocução
A existência de um texto também está vinculada à existência de uma corrente de comunicação, denominada de processo de interlocução, envolvendo um locutor, um interlocutor e um instrumento de mediação. Locutor pode ser entendido por aquele que fala ou escreve, portanto, para que haja um texto tem que haver um autor, mesmo que esse autor não seja concretamente identificado no texto.
Segunda condição: Processo de interlocução
2a. Condição de texto: Processo de Interlocução A Marieta manda um beijo para os seus Um beijo na família, na Cecília e nas crianças O Francis aproveita pra também mandar lembranças A todo o pessoal Adeus
Terceira condição: Reversibilidade de papéis
Não existe locutor que fale, ou escreva, somente e interlocutor que ouça, ou leia somente. Em outras palavras, não há uma relação ativo e passivo no processo de interlocução. Ambos os participantes desse processo são figuras ativas, porque, enquanto o locutor produz seu texto, o interlocutor está processando o mesmo texto. E vai respondê-lo posteriormente.
Terceira condição: Reversibilidade de papéis
3a. Condição de texto: Reversibilidade de Papéis Meu caro amigo eu não pretendo provocar Nem atiçar suas saudades Mas acontece que não posso me furtar A lhe contar as novidades
Quarta condição: Inserção em um contexto
Ambos os participantes na interação produzem seus textos inseridos em um contexto. O contexto possui dois eixos: um contexto concreto e imediato e um contexto mais amplo de valores.
Quarta condição: Inserção em um contexto
4a. Condição de texto: Inserção em um Contexto Muita mutreta pra levar a situação Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça E a gente vai tomando e também sem a cachaça Ninguém segura esse rojão
Características do discurso
Características do discurso
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A mídia conta a história da sociedade
Ontem e hoje
Trabalho escravo ontem e hoje
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Escolha de palavras
Sabe-se que a palavra, inserida no contexto da comunicação, é prenhe de significados e de ideologias e que a escolha de uma e não de outra marca a posição do indivíduo frente ao fato abordado.
O papel do analista de discurso
Estudos do discurso
Funcionamento
Eni Orlandi (1987, p. 107), “o que importa é destacar o modo de funcionamento da linguagem, sem se esquecer que esse funcionamento não é integralmente linguístico, uma vez que dele fazem parte as condições de produção que representam o mecanismo de situar os protagonistas e o objeto do discurso”.
O ethos do enunciador
Análise do discurso
Escola americana
- Sociologia: conversação e a microsociologia do cotidiano (Goffman, Gumperz e Labov):
- Jogo (regras, participantes, ataque, defesa, objetivo);
- Enquadre (passo, faces, turno);
- Convenções de contextualização (contexto, papéis sociais, cooperação);
- Labov (transversalidade, pistas paralinguísticas).
- Com quem é que você estava conversando?- Eu? Com ninguém. Era a televisão. E você não disse que ia para São Paulo? - Espere. Aqui no quarto não tem televisão. - Não mude de assunto.Escola americana
Escola inglesa
Escola inglesa
Escola francesa
Escola francesa
Categorias de análise
Dêiticos de pessoa: marcam a posição do sujeito em relação ao seu enunciado (eu-tu).
- Eu vim aqui ontem. Você já esteve aqui?
Dêiticos de tempo: posicionam o sujeito no tempo da língua (tempo biológico, tempo cronológico e tempo da língua).- Ontem almocei em casa e amanhã vou almoçar no restaurante.
Dêiticos de espaço: colocam o sujeito dentro de um espaço específico (isto, este, etc, aqui, lá).Categorias de análise
Polidez: garante a proteção das faces dos participantes da interação (faces positiva e negativa).
- Vossa Excelência poderia fazer o favor de deixar seu colega falar?
Ethos: constrói um sentido para a identidade de um grupo social, corporificando-o.Categorias de análise
Tema: estabelece o sistema de valores de um determinado enunciado, caracteriza o aspecto interpessoal e identitário.
- Compre agora mesmo o creme xxx. Faça uma massagem circular sobre cada uma das rugas. Depois, aperte o local com a ponta dos dedos por 30 segundos. Você vai ver os resultados em uma semana.
Campos semânticos: agrupam o léxico em grupos de sentido.- O ataque ao Ministro do Planejamento foi feito em entrevista coletiva pelos senadores da oposição.
- Os senadores do partido da situação contra-atacaram o inflamado discurso do senador xxx sobre a questão levantada pelo ministro do planejamento.
Papéis temáticos: estabelecem as relação entre agentes e objetos nas orações.Discurso - Efeitos de sentido
Discursos, ideologia e mídia
Operadores argumentativos
Marcas no texto
Mas: operador argumentativo por excelência
- Ele estudou muito, mas foi reprovado.
Direção: valorização da aprovação.- Ele foi reprovado, mas estudo muito.
Direção: valorização do estudo.Máquina midiática Charaudeau
Máquina midiática – diferentes lógicas
Contrato de comunicação
Revista Superinteressante - Contrato
Newsgame - Superinteressante
http://super.abril.com.br/newsgames
Produção e Recepção
Verdade??
“No discurso de informação não se trata da verdade em si, mas da verdade ligada à maneira de reportar os fatos: não é bem das condições de emergência da verdade que se trata, mas sim das condições de veracidade. À instância midiática cabe autenticar os fatos, descrevê-los de maneira verossímil, sugerir as causas e justificar as explicações dadas” (CHARAUDEAU, 2006, p.88).
E as discussões de gênero?
Edição 2564 - 10/01/2018: https://veja.abril.com.br/edicoes-veja/2564/
E a onda de memes?
Reflexões
Boa quinzena!Profª Pati Sosa
Referências