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Infografico miíases
NICOLE MUHLBAUER
Created on July 22, 2021
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Transcript
MIÍASES
Infecções causadas pela presença de larvas de moscas em tecidos, vivos ou mortos, e cavidades abertas do homem e animais.
Importância economica
- Diminuição do ganho de peso e produção de leite nos animais de produção
- Desvalorização de lã e couro
- Morte
- Problemas de saúde publica
- Em pequenos animais dependendo da extensão podem levar a precisar de tratamento cirúrgico
Estão associadas à higiene precária
Classificação clínicA
CutâneaBicheira: subcutânea ulcerosa traumática Berne: subcutânea furunculosa ou miiase secundária Cavitária Naso-faringea (oestrose) Gastrica ou orgânica (gasterofilose)
Classificação etiológica
Específica obrigatória primaria (larvas biontófagas) Se instalam em tecidos vivos, normalmente mais recente em decorrência de soluções de continuidade nos tecidos Wolfartia sp. Cochliomyia hominivorax Gasterophilus sp. Hypoderma sp. Dermatobia hominis Oestrus ovis Semi-especifica facultativa secundária (larvas necrobiontófagas) Podem se instalar tanto em tecidos vivos quanto em tecidos necróticos Sarcophaga sp. Cochliomyia macellaria Crysomya sp. Lucilia sp. Phaenicia sp. Acidentais pseudomiiases (larvas acidentais) Fazem ovoposição em tecidos necróticos somente quando não encontram outro lugar Sarcophaga sp. Musca sp. Muscina sp. Fannia sp. Stomoxis calcitrans
MIÍASES cutâneas
Subcutânea Ulcerosa Traumática
Família: CalliphoridaeGênero: Cochliomyia Espécie: C. hominivorax Também conhecida como mosca da bicheira ou varejeira, causa miíase primária no homem e em animais
Importância econômica
Causa mortalidade quando não tratado pode causar infecções secundárias, promove perda de peso, couro desvalorizado, diminuição da produção de leite e carne, custos com tratamento e profilaxia
Morfologia e ciclo
Adulto: Robusto, com tórax azul esverdeado metálico, 3 faixas pretas longitudinais semelhante à mosca doméstica, face e olhos marrons, tamanho de 1 a 1,5cm, aparelho bucal lambedor Larva: Branca, 1 a 1,5cm, com faixas de espinhos ao redor do corpo, traqueias pigmentadas – A identificação da mosca é feita pela abertura respiratória (espiráculo) Ciclo: Aproximadamente 21 dias Mosca adulta ovoposiçao em solução de continuidade ovos larva (3 estagios) pupa (no solo – se não for adequado, permeável e arenoso, não consegue pupar) imago adulto A mosca adulta sobrevive em locais com higiêne precária e presença de soluções de continuidade e excreções No inverno entram em diapausa, larvas eclodem em setembro/outubro, coincidindo com o nascimento de terneiros, por isso eles são mais acometidos pelas miiases Tanto a fase parasitária quanto a fase de vida livre precisam de condições climáticas favoráveis, nas quais se desenvolvem de 4 a 8 dias e podem sobreviver até 2 meses no ambiente.
Epidemiologia
Animais de sangue quente são os mais susceptíveis, sendo os bovinos os de maior importância, seguido dos ovino (exceto nas regiões que tem lã – olhos, umbigo)O clima favorável para o desenvolvimento das moscas é clima quente e úmido, com temperaturas entre 20 e 30 graus e umidade superior a 70% (setembro – março), por isso sobrevivem melhor em Regiões de clima tropical e subtropical como America Central e do Sul e Caribe A erradicação nos EUA e Canadá foi feita através irradiação de machos com bombas de cobalto deixaram os machos estéreis, impedindo que eles fertilizem as fêmeas – quando há moscas nos EUA é realizado o controle sanitário pelo Estado A nível de campo, o díptero é detectado através das feridas infestadas, não através das moscas causadoras
MIÍASES cutâneas
Subcutânea Ulcerosa Traumática
Epidemiologia em cães
Cães de raça definida, adultos, de pelo longo e domiciliados são mais susceptíveis por questões genéticas e do sistema imune, animais de rua tem resposta imune mais eficaz contra as moscas. Estresse, má nutrição, imunossupressão deixam o animal mais susceptível, e feridas e má higiene são fatores predisponentes às infestações. A mosca tem predileção pelo pavilhão auricular.
Sinais clínicos
- Ferida aberta fétida com sangramento e presença de larvas
- Prostração e inquietação, podendo causar perda de peso pois param de se alimentar
- Dependendo do local da infestação dá abertura para infecções secundárias por bactérias, podendo causar peritonite, claudicação, cegueira, infecções no umbigo e levar à morte
Fatores predisponentes e patogenia
Fatores predisponentes: castrações, descornas, caudectomias, feridas traumáticas, lesões no umbigo não tratadas, picada de rhipicephalus microplus e lesões de berne (causam soluções de continuidade)Patogenia: a porta de entrada é por soluções de continuidade, visto que as moscas tem atração por exsudato e secreções e fazem a ovoposição, dando abertura para infecções secundárias por bactérias e miíases secundárias por moscas necrobiontófagas em lesões antigas
Tratamento
- Tricotomia e limpeza do local da infestão, com remoção do tecido necrosado e das larvas, e aplicação de unguentos, pomadas e sprays (Tanidil, Furacin, Iodo Povidine)
- Pode ser administrado Moxidectina em animais adultos e organofosforados, além de antibióticos para tratamento de infecções secundárias
- A Doramectina é o antiparasitário de escolha para o tratamento de miiases
- Alguns produtores administram doramectina ao nascimento para evitar as infestações, o que não é recomendado por que os animais não desenvolverão resistência contra carrapatos, e consequentemente à babesia
Profilaxia e controle
- Educação sanitária dos produtores: recomendar cercas de arame liso ou cercas elétricas, não utilizar formas de manejo que possam causar lesões nos animais, retirar objetos pontiagudos do ambiente, evitar a superlotação de animais que possa levar à brigas e manter a higiene do local.
- Evitar fatores de risco durante o verão, dando preferencia para realizar castrações, descornas etc em épocas mais frias, e fazer a monitoração adequada no pós cirúrgico
- Controle integrado através de meios químicos, físicos e biológicos (predadores das pupas e moscas)
- Monitoramento permanente da propriedade e dos animais
- Levando em consideração que a mosca precisa de uma solução de continuidade para realizar a ovoposição, portanto deve-se prevenir a ocorrência de lesões, combater as formas adultas do agente e tratar as miíases .
MIÍASES cutâneas
Subcutânea furunculosa (miiase nodular secundária/furuncular) - "BERNE"
Família: CuterebridaeGênero: Dermatobia Espécie: Dermatobia hominisTambém conhecida como Mosca berneira, mosca do berne, Ura Parasita todos os animais de sangue quente, inclusive o homem
Importância econômica
Dependendo do tamanho da infestação pode levar à morte. Pode causar diminuição na produção e redução do ganho de peso em ate 15% em 10 meses na presença de 20 – 10 bernes. Maior prejuízo na indústria do couro: desvalorização do couro mesmo após a retirada da larva e cicatrização – 90% dos couros apresentam pelo menos 1 lesão de berne.
Distribuição
- Sul do México Argentina
- Chile: menor incidência por conta do frio
- Brasil: prevalente em quase todas as regiões, exceto algumas regiões do Norte (principalmente no Amazonas por conta da altíssima umidade no nordeste em regiões de muita seca) e Nordeste não tem presença de Dermatobia hominis
- RS: várias épocas do ano, diminuindo no inverno
Ciclo
O ciclo dura de 100 a 120 dias. A mosca berneira se localiza principalmente em regiões de mata, e não faz a ovoposição diretamente no hospedeiro: ela captura outras moscas, chamadas de foréticas, e faz a ovoposição no abdomên delas. A mosca forética se aproxima do animal, os ovos abrem o opérculo e as larvas caem no animal, podendo se fixar em soluções de continuidade ou pele íntegra, onde se desenvolvem de L1 ate L4 em aproximadamente 30 dias. Após 30 dias a larva cai no solo para pupar, se houver condições adequadas. A pupa se transforma em mosca, a qual tem viabilidade de 7 - 9 dias e se alimenta de néctar. O ciclo é indireto e precisa necessariamente de uma mosca forética para completar.
Epidemiologia
As moscas foréticas se encontram em regiões de mata e dependem da temperatura alta e umidade para se desenvolver, no inverno a infestação diminui e na primavera/verão aumenta. Bovinos de pele escura são mais susceptíveis por conta da temperatura mais elevada e Zebuinos são geneticamente mais resistentes, por terem sido mais expostos aos ectoparasitas além de possuirem pele mais clara - cruzamento industrial de zebuínos com europeus permite a passagem dessas características à progenie. Tem maior ocorrência em propriedades pecuaristas e com plantação de frutas. O controle biológico é pouco eficiente. Altas infestações de berne predispõe à infestação por miíases.
MIÍASES cutâneas
Subcutânea furunculosa (miiase nodular secundária/furuncular) - "BERNE"
Patogenia
Quando os ovos eclodem as larvas L1 são depositadas no hospedeiro e penetram na pele íntegra, sem necessidade de soluções de continuidade, formando nódulos inflamatórios avermelhados com uma abertura para o espiráculo, com lesão soro-sanguinolenta e prurido, podendo ter miíases e infecções bacterianas secundárias com presença de pus e abscessos
Sinais clínicos e diagnóstico
Dor, inquietação, irritação, presença de abscessos e prurido, retardação nos crescimento e redução na produção de carne e leite por conta do incômodo. O diagnóstico é feito através da observação da presença de nódulos com berne.
Tratamento
- Remoção mecânica do berne e aplicação de inseticidas tópicos para repelir os vetores e remover as larvas (piretróides e organofosforados) na forma de pour on. Concomitantemente pode ser feito banhos de imersão com amitraz para controle dos foréticos e colocação de brincos para repelir a mosca do chifre. Pode-se utilizar Lactonas macrocíclicas, as quais têm melhor ação nas larvas
- Tratamento profilático: feita uma dose em outubro e novembro e outra dose em janeiro e fevereiro quando há altas infestações
- Tratamento curativo: limpeza dos animais infestados, não previne infestações futuras (curto prazo)
- Também ocorre distribuição binominal, tratando esses animais mais infestados garante controle mais efetivo na propriedade
Profilaxia
- Combate aos vetores: realizar o manejo de esterqueiras onde se concentram excreções e atrai as moscas for éticas e manejo das instalações
- Controle estratégico e tático: com macrolactonas, inseticidas e repelentes, prietróides e organofosforados, colocação de brincos, pulverização, pour on e irradiação dos machos
MIÍASES cavitárias
Naso-faringea (oestrose)
Família: Oestridae Gênero: Oestrus Espécie: Oestrus ovis Também conhecida como oestrose, berne nasal, miíase cavitária, mosca das ovelhas
Morfologia
Adulto: lembra uma abelha, de cor cinzenta com pequenas manchas no abdômen e revestida por pelos castanhos curtos, com 1 cm. Larvas: brancas com faixas transversais escuras na superfície corporal, chegam a até 3 cm.
CICLO
A ovoposição é feita nas narinas, as larvas eclodem e L1 penetra na cavidade nasal e vai para os seios nasais (frontais e maxilares) causando aumento de volume e sinusite. A L3 pode ficar de 1 mês até 9 meses nos seios nasais do animal, dependendo da resposta imune deste. A larva cai no solo e se houver condições favoráveis vai pupar e se transformar em mosca adulta. Durante o inverno fazem diapausa
ePIDEMIOLOGIA
- Os hospedeiros mais usuais são os ovinos, mas também pode ocorrer em caprinos menos frequentemente
- A infestação aumenta no verão
- As larvas parasitam obrigatoriamente os seios nasais
patogenia
Irritam a mucosa nasal, produzindo exsudato seroso a purulento. As larvas produzem enzimas que podem perfurar os ossos e chegar ao cérebro provocando lesões no SNC e consequentemente sinais nervosos. Predispõe a infecções bacterianas secundárias.
Sinais clínicos e diagnóstico
Sinais clínicos: inquietação, aumento de volume nos seios nasais, corrimento nasal devido à sinusite, tosse, sinais neurológicos (movimentos bruscos, ataxia, vertigem, convulsões), emagrecimento, apatia, morteO diagnóstico é baseado nos sinais clínicos, presença de larvas no muco nasal, e na necrópsia (sinusite e larvas)
Tratamento e profilaxia
-Se for um animal de alto valor econômico o tratamento pode ser cirúrgico (trepanação dos seios nasais) para remoção das larvas O tratamento químico é feito com Closantel, Triclorfon (SC ou por aspersão) ou Macrolactonas. A profilaxia é feita através do controle estratégico com doses em novembro, fevereiro e maio. A dose no final do verão é feita para que as larvas caiam e não pupem, diminuindo a concentração das formas adultas a longo prazo.
MIÍASES cavitárias
Gastrica ou orgânica (gasterofilose)
Família: Gasterophilidae Gênero: Gasterophilus Espécies: G. nasalis – ovoposição na face e pescoço G. intestinalis – ovoposição no membro anterior G. hemorrhoidalis – ovoposição na face Também conhecida como gasterofilose ou miíase cavitária Parasitam o duodeno e piloro de eqüinos
Morfologia
Adultos: robusta e escura com tórax de coloração castanho escuro com dourado, abdômen castanho e preto e asas pequenas, medindo de 1 a 2 cm. A G. nasalis se assemelha a uma abelha, a G. hemorrhoidalis possui o abdômen mais expandido e a G. intestinalis possui asas mais longas e coloração mais escura.Larva: quando maduras são cilíndricas, de coloração laranja avermelhada com 1 fileira de espinhos, responsáveis pela fixação da larva, em cada um dos 6 segmentos, medindo de 1,6 a 2 cm de comprimento. Ovos: coloração parda e ficam aderidos ao pelo.
CICLO
Ovoposição é feita na face, ao redor da boca ou nos membros, e o animal ao lamber ingere as larvas, as quais se fixam no duodeno e piloro de equinos, sem entrar em contato com o suco gástrico. A larvas podem causar gengivites e estomatites por conta das enzimas que liberam. São excretadas junto com as fezes, e precisam que o solo tenha condições favoráveis para pupar.
EPIDEMIOLOGIA
- Distribuição cosmopolita – Africa, Asia, America do Sul e Europa
- A mais comum no RS é a G. nasalis
- Os hospedeiros mais cometidos são os equinos destinados a trabalho (por conta do manejo), mas também há relatos em alguns animais selvagens (elefantes, rinocerontes) e humanos (raro)
PATOGENIA
A mosca provocam pânico nos animais, podendo causar lesões e fraturas. Provocam úlceras na língua e gengivite. No estômago e duodeno pode causar reação inflamatória (gastrite e gastroenterite) e ulceras afuniladasPode provocar cólicas, volvulo, torção gástrica e intussuscepção devido ao aumento do peristaltismo, obstruções gástricas dependendo da quatidade de larvas, anemia e outras afecções no TGI.
MIÍASES cavitárias
Gastrica ou orgânica (gasterofilose)
Sinais clínicos e diagnóstico
Normalmente é assintomático. Na maioria das vezes as larvas não provocam dor por se fixarem na parte aglandular do estômago. Podem causar Palidez da mucosa por conta de hemorragia, melena, prostração, ruptura gástrica. No caso de cólica as larvas podem ser tanto causa primária quanto secundária.O diagnóstico é feito através da presença de ovos nos pelos (muito difícil a visualização), larvas grandes nas fezes frescas e pupas nas fezes envelhecidas, além da presença de moscas no estábulo. Na necrópsia é possível a visualização de L3 no estômago.Depois da lavagem gástrica pode-se observar larvas no líquido.
Profilaxia e tratamento
A profilaxia é realizada através do manejo: esfregar os pelos diariamente para retirar os ovos, colocação de telas nas cocheiras, destruição nos ovos e larvas presentes nas fezes com água quente e através do tratamento para remoção das larvas fixadas no tubo digestivo com macrolactonas, triclorfon e diclorvos (em animais mais susceptíveis).Nos equinos destinados a esporte deve ter cuidado ao utilizar antiparasitários associados com os organofosforados porque estes aumentam o peristaltismo e podem causar diarreias e cólicas intestinais. Também é contraindicado o uso em gestantes pois pode induzir abortos