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Horas mortas

Leonor Esteves

Created on May 22, 2021

sentimentos dum ocidental

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Transcript

O sentimento dum ocidental

Cântico IV

Horas mortas

De Cesário Verde

Indíce

8. Evocação do passado em simetria com o presente

1. Localização espácio-temporal dos acontecimentos narrativos

9. Contraste entre um passado épico e um presente “ negativo”

2. Sentimentos dominantes no sujeito poético em articulação com o espaço descrito

10. Marcas da subjetividade do “ eu”

11. Estilo e linguagem: Recursos expressivos - metáfora, comparação, sinestesia, ironia, assíndeto, gradação, hipálage; Expressividade do verbo, adjetivo, advérbio; Musicalidade- aliteração; Estrutura do poema: estrófica, métrica, rimática.

3. Relação do narrador com a cidade

4. Quadros que inspiram o sujeito deambulante

5. Perceções e impressões do sujeito poético registadas no seu passeio solitário

6. Visão(ões) crítica(s), positivas ou negativas, do sujeito poético sobre a cidade – factos sociais, paisagem, grupos sociais alvos de atenção, condições espirituais

12. Conclusões: Exposição da verdade; A cidade labirinto; A aproximação prosa /poesia; As emoções através de um olho observador que se espanta; A originalidade da poesia de Cesário Verde

7. Visão da cidade

1.

Localização espácio-temporal dos acontecimentos narrativos

  • Tem lugar na cidade de Lisboa

O eu poético deambula pelas ruas da capital a altas horas da madrugada, quando estas estão vazias e as pessoas estão a dormir. Do céu se vêm "lágrimas de luz" dos "astros com olheiras", isto é, a luz do luar e das estrelas é ofuscada pela poluição atmosférica da cidade. Ao longo deste cântico o sujeito deambula nas ruas estreitas da "treva" onde apenas se encontram "uns tristes bebedores", "Os guardas que revistam as escadas," e "as imorais", onde predomina o medo, violência e insegurança.

2.

Sentimentos dominantes no sujeito poético em articulação com o espaço descrito

Ao longo do poema, o sujeito poético mostra a sua frustração, o desejo de fugir e a sua infelicidade e solidão na tão monótona cidade. Este procura a vida perfeita idealizando um amor perfeito (estrofe 4) que substituísse a solidão e melancolia. Pórem, apesar de todos estes sentimentos negativos, a esperança ainda perserva no sujeito. Esta esperança e desejo de liberdade são comparados com a grandiosidade e esperança que movia os nautas portugueses n"Os Lusíadas": "Como a raça ruiva do porvir,", "Nós vamos explorar todos os continentes/E pelas vastidões aquáticas seguir!", "A dor humana busca os amplos horizontes,"

3 e 4.

Relação do narrador com a cidade e quadros que inspiram o sujeito deambulante

  • Deambulação do sujeito poético pelas ruas da cidade

Em “Horas Mortas” fala se dá deambulação do sujeito poético pelas ruas da sua cidade, onde só se encontram os que vivem à margem da sociedade, os oprimidos. O sujeito poético sente se aprisionado e angustiado nesta atmosfera decadente, deprissiva e agonizante, mostra a sua vontade de querer fugir, as únicas pessoas que vê são os cães raivosos (“E sujos,sem ladrar, ósseos,febris, errantes, amareladamente, os cães parecem lobos”E.9), os bebados( “Na volta,com saudade, e aos bordos sobre as pernas,cantam, de braço dado, os tristes bebedores”E.9), os guardas noturnos(“ E os guardas, que revistam as escadas,caminham de lanterna e servem de chaveiros”E.10) e as prostitutas(Por ama, as imorais, nos seus roupões ligeiros”E.10)

5.

Perceções e impressões do sujeito poético registadas no seu passeio solitário

Ao longo do excerto o sujeito enuncia os seus sentimentos causados pela "treva": -Na estrofe 7 demonsta o seu medo e insegurança ao mencionar os assassinos e os sinitros que andam na noite -Na estrofe 8 fala dos que vivem à margem da sociedade, os bêbedos que lhe provocam nojo e angústia -Na estrofe 9 faz referência aos cães maltratados e abandonados que vagueiam pela cidade e tambem os ladrões. -Na estrofe 10, fala dos guardas de lanternas e das prostitutas, um lado sombrio e desagradável da capital E por fim, na estrofe 11 já nao fala da sua dor pessoal mas da sociedade em si.

6.

Visão crítica do sujeito poético sobre a cidade factos sociais, paisagem, grupos sociais alvos de atenção, condições espirituais

O sujeito poético critica negativamente a paisagem de uma cidade, sendo esta fechada, monocromática, distorcida. Desaprova os cidadãos arrogantes, frágeis e exploradores uns dos outros. Apresenta um grupo alvo para estas críticas, principalmente, a burguesia, os gananciosos, os serviços menos humanos e morais. Por fim apresenta uma última crítica ao estado espiritual da população como esgotada, sem reação, enjoada, a vaguear pela vida da cidade, pelas suas ruas e trabalhos repetitivos.

7.

Visão da cidade

A visão desta cidade não corresponde a muitas expectativas devido aos odores indignos, paisagem anteriormente descritas, muito problemáticas, pessoas muito reservadas e provavelmente pecadoras. Uma cidade intemporal e arruinada.

8 e 9.

Evocação do passado em simetria com o presente e contraste entre num passado épico e um presente "negativo"

A nível temático, em todos os poemas sobressai o retrato disfórico da cidade , feito pelo sujeito poético que percorre as ruas, numa viagem noturna. Nesse deambular surgem evocações do passado ou projeções futuras que contrastam com a realidade vivenciada. O sujeito poética sonha com " a raça ruiva do porvir", em "explorar todos os continentes"- faz uma referência ao passado épico dos portugueses, e conta, para consumar os seus fins com o contributo das "frotas dos avós" e de "nómadas ardentes" cuja formação idealiza.

10.

Marcas da subjetividade do “ eu”

As marcas da subjetividade do "eu" são os momentos em que o sujeito poético descreve o mundo exterior pela sua visão. Nesta obra estas marcas são:-"Enleva-me a quimera azul de transmigrar." -"E os olhos dum caleche espantam-se, sangrentos." -"E eu sigo, como as linhas de uma pauta," -"Se eu não morresse, nunca! E eternamente/ Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!" -"Esqueço-me a prever castíssimas esposas," -"Ó nossos filhos!" Estas marcas de subjetividade são interjeições criadas pelo sujeito poético na 1ª pessoa do singular e do plural. Este exprime os seus sentimentos sobre o seu redor, ou apresenta as ações e decisões que faz. Ele também usa estas marcas para mostrar as suas experiências e opiniões sobre a cidade

11.

Estilo e linguagem: Recursos expressivos

  • Verso 4 - metáfora e sinestesia
  • Verso 8- personificação
  • Verso 21- aliteração
  • No verso 42- metáfora e hipérbole

11.

Expressividade do verbo, adjetivo, advérbio

  • Verbos:
-No verso 7, “rangem” está a emitir um som. -No verso 27, “avistar” anuncia que o sujeito presenciou algo.
  • Adjetivos:
-No verso 17, “ágeis” significa que os sonhos eram expansos e variados. - No verso 29, “nebulosos” significa que os corredores eram turvos e distorcidos.
  • Advérbios:
-No verso 13, “nunca” é um advérbio de tempo, que fortifica a intenção da afirmação anterior. -No verso 39, “Por cima” é um advérbio de modo, que ajuda a localizar o que está a acontecer

11.

Estrutura do poema

  • Estrutura estrófica.
-O poema é formado por 11 quadras.
  • Estrutura métrica:
-Excanção dos dois primeiros versos: O/te/to/fun/do/de o/xi/gé/nio,/ de ar > 10 sílabas - decassilábico Es/ten/de/-se ao/com/pri/do, ao/ mei/o/ das/ tra/pei/ras > 12 sílabas - alexandrino
  • Estrutura rimática:
-A B B A Interpolada em AA Emparelhada em BB

12.

A aproximação prosa /poesia

A poesia de Cesário Verde explora uma linguagem plástica, com um forte apelo sensorial, e cultivo de recurso expressivo. Ao observar uma realidade, a imaginação leva-o a conceber um outro acontecimento. Esta justaposição de elementos convida a uma relação crítica entre ambos. A lírica de Cesário Verde aproxima-se da prosa não apenas pelo seu tom coloquial e anti declamatório mas também, e como vimos, pelo uso de versos longos, das métricas e da rima.

12.

Conclusões: Exposição da verdade

Exposição da verdade Cesário Verde é considerado como “o único verdadeiro poeta REALISTA do nosso séc. XIX”. Pois verifica-se a existência de um realismo de intenção naturalista. Um exemplo dos sentimentos realistas do autor é: Em “horas mortas”, consegue-se perceber o desejo de perfeição e de viver num ambiente de amor, em vez da solidão e da melancolia, que o sujeito poético sofre.

12.

As emoções através de um olho observador que se espanta

Trata-se de uma história que, à primeira vista, quase não é historia: é a história do poeta que não cabe em casa, nem cabe em si, e sai de casa e de si, deparando-se, fora, com um cenário humano preocupante e desolador, causa principal do mal-estar eu o aflige e de que ele vai tomando( e relevando) consciência passo a passo.

12.

A originalidade da poesia de Cesário Verde

A maior originalidade encontra-se no facto do poeta ter conseguido reintrepretar e combinar os programas de arte na época, de tal forma que a sua produção poética traduz a crise, a crítica e a ultrapassagem dos modelos.

Fim

Trabalho realizado por:Leonor EstevesAndré Rodrigues Sandro Rodrigues Pedro Fonseca Ricardo Cardoso