As Pessoas Sensíveis
poema de Sofia de Mello Breyner Andresen
Sofia de Mello Breyner Andresen
Sofia nasceu no Porto a 6 de novembro de 1919, no seio de uma família aristocrática. De origem dinamarquesa por parte do pai, a sua educação decorreu num ambiente católico e culturalmente privilegiado que influenciou a sua personalidade. Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em consonância com o seu fascínio pelo mundo grego, colaborou na revista "Cadernos de Poesia", onde fez amizades com autores influentes e reconhecidos: Ruy Cinatti e Jorge de Sena. E veio a tornar-se uma das figuras mais representativas de uma atitude política liberal, apoiando o movimento monárquico e denunciando o regime salazarista e os seus seguidores. Importante escritora portuguesa escreveu diversos livros e poemas tais como: Histórias da Terra e do Mar, A Fada Oriana, O Rapaz de Bronze, Mar, As Pessoas Sensíveis e 25 de abril. Os temas principais das suas obras são o mar e a Grécia. Foi a primeira mulher a receber o Prémio de Camões, em 1999. Faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa. Dez anos depois, em 2014, foram-lhe concedidas honras de Estado e os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.
As Pessoas Sensíveis
As pessoas sensíveis não são capazes De matar galinhas Porém são capazes De comer galinhas O dinheiro cheira a pobre e cheira À roupa do seu corpo Aquela roupa Que depois da chuva secou sobre o corpo Porque não tinham outra O dinheiro cheira a pobre e cheira A roupa Que depois do suor não foi lavada Porque não tinham outra "Ganharás o pão com o suor do teu rosto" Assim nos foi imposto E não: "Com o suor dos outros ganharás o pão". Ó vendilhões do templo Ó construtores Das grandes estátuas balofas e pesadas Ó cheios de devoção e de proveito Perdoai-lhes Senhor Porque eles sabem o que fazem.
Análise Formal do Poema
O poema apresenta 23 versos e 5 estrofes:1ºquadra 2ºnona 3ºquadra 4ºquadra 5º dístico
O poema não apresenta um esquema rimático regular.
A métrica do poema é muito irregular
Análise do Conteúdo do Poema
Este poema, que integra o Livro sexto publicado em 1962, relata as diferentes situações sociais com que nos debatemos todos os dias tais como: as pessoas serem egoístas, desumanas, gananciosas, preguiçosas e aproveitadoras. O sujeito poético denuncia aqui a hipocrisia social que assume quatro formas: hipocrisia das pessoas sensíveis, denúncia da exploração do homem pelo homem, invocação e responsabilização dos cristãos fingidos que frequentam a Igreja mas não praticam os seus ensinamentos e a contradição entre o comportamento das “pessoas sensíveis” e os preceitos bíblicos.
Opinião pessoal
Eu achei o poema muito interessante e muito real. Um poema interessante, cheio de ironia que me levou a refletir um pouco nos tempos e sociedade em que vivemos.
Obrigada pela vossa atenção!
Ana Luísa Baldaque, Nº4, 9ºB
As pessoas sensíveis
Ana Aires
Created on May 15, 2021
de Sofia de Mello Breyner Andresen
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As Pessoas Sensíveis
poema de Sofia de Mello Breyner Andresen
Sofia de Mello Breyner Andresen
Sofia nasceu no Porto a 6 de novembro de 1919, no seio de uma família aristocrática. De origem dinamarquesa por parte do pai, a sua educação decorreu num ambiente católico e culturalmente privilegiado que influenciou a sua personalidade. Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em consonância com o seu fascínio pelo mundo grego, colaborou na revista "Cadernos de Poesia", onde fez amizades com autores influentes e reconhecidos: Ruy Cinatti e Jorge de Sena. E veio a tornar-se uma das figuras mais representativas de uma atitude política liberal, apoiando o movimento monárquico e denunciando o regime salazarista e os seus seguidores. Importante escritora portuguesa escreveu diversos livros e poemas tais como: Histórias da Terra e do Mar, A Fada Oriana, O Rapaz de Bronze, Mar, As Pessoas Sensíveis e 25 de abril. Os temas principais das suas obras são o mar e a Grécia. Foi a primeira mulher a receber o Prémio de Camões, em 1999. Faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa. Dez anos depois, em 2014, foram-lhe concedidas honras de Estado e os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.
As Pessoas Sensíveis
As pessoas sensíveis não são capazes De matar galinhas Porém são capazes De comer galinhas O dinheiro cheira a pobre e cheira À roupa do seu corpo Aquela roupa Que depois da chuva secou sobre o corpo Porque não tinham outra O dinheiro cheira a pobre e cheira A roupa Que depois do suor não foi lavada Porque não tinham outra "Ganharás o pão com o suor do teu rosto" Assim nos foi imposto E não: "Com o suor dos outros ganharás o pão". Ó vendilhões do templo Ó construtores Das grandes estátuas balofas e pesadas Ó cheios de devoção e de proveito Perdoai-lhes Senhor Porque eles sabem o que fazem.
Análise Formal do Poema
O poema apresenta 23 versos e 5 estrofes:1ºquadra 2ºnona 3ºquadra 4ºquadra 5º dístico
O poema não apresenta um esquema rimático regular.
A métrica do poema é muito irregular
Análise do Conteúdo do Poema
Este poema, que integra o Livro sexto publicado em 1962, relata as diferentes situações sociais com que nos debatemos todos os dias tais como: as pessoas serem egoístas, desumanas, gananciosas, preguiçosas e aproveitadoras. O sujeito poético denuncia aqui a hipocrisia social que assume quatro formas: hipocrisia das pessoas sensíveis, denúncia da exploração do homem pelo homem, invocação e responsabilização dos cristãos fingidos que frequentam a Igreja mas não praticam os seus ensinamentos e a contradição entre o comportamento das “pessoas sensíveis” e os preceitos bíblicos.
Opinião pessoal
Eu achei o poema muito interessante e muito real. Um poema interessante, cheio de ironia que me levou a refletir um pouco nos tempos e sociedade em que vivemos.
Obrigada pela vossa atenção!
Ana Luísa Baldaque, Nº4, 9ºB