Want to create interactive content? It’s easy in Genially!

Get started free

PERDA E LUTO PERINATAL

rafaelazucareli

Created on March 17, 2021

Start designing with a free template

Discover more than 1500 professional designs like these:

Animated Chalkboard Presentation

Genial Storytale Presentation

Blackboard Presentation

Psychedelic Presentation

Chalkboard Presentation

Witchcraft Presentation

Sketchbook Presentation

Transcript

Perda e Luto Perinatal

Rafaela de Paula Fontes Zucareli Psicóloga, Doula

“De repente, é a morte que chega, quando tudo o que se espera é a vida. Talvez por isso seja tão difícil aceitar. Ninguém quer ouvir que bebês também morrem. Mas a morte é real. E bateu à nossa porta.” Fernanda de R., mãe de Davi (Como lidar: luto perinatal, 2018)

“Humanizar o luto é humanizar a vida de quem fica e respeitar a história de quem foi."

15 % das gestações podem acabar em perda, a maioria ocorrendo nos três primeiros meses de gestação.

Mortalidade Neonatal- óbito de menores de 1 mês de vida, subdividida em: Neonatal precoce: 0 a 6 dias de vida Neonatal tardia: 7 a 27 dias de vida

Luto

É um processo, não um estado. “Uma reação natural e esperada a qualquer perda significativa” (Parkes, 1998). O luto assemelha-se a uma ferida física e assim como no caso do machucado físico, o “ferimento” aos poucos se cura. Em qualquer luto, raramente fica claro com exatidão o que foi perdido.

@infinito.etc

Um processo de adaptação após a perda de algo ou alguém que era importante para nós. Durante este processo, um novo sentido para a vida precisa ser descoberto e construído.

Luto e Perda Gestacional e Neonatal

O luto diante da perda gestacional/neonatal ainda é desconsiderado pela sociedade, sendo enquadrado na categoria de Luto Não Reconhecido, não permitindo ser expresso ou vivenciado. A morte de um bebê pode ser vista como uma inversão natural das coisas, num momento em que se espera Vida, Nascimento, Alegria.

Luto não Reconhecido "Não pode ser vivido e expressado abertamente, por censura da sociedade ou do próprio enlutado, quando o vínculo rompido não é validado ou quando o enlutado não é entendido como tal." Maria Helena Pereira Franco - O luto no século 21

A perda de um vínculo afetivo, que ainda não foi plenamente concretizado, mas era investido de expectativas. É confuso não ter seu filho em seus braços, mas ainda assim sentir-se mãe. É o luto por uma vida que crescia dentro de você, de sonhos que construiu para o futuro de vocês, dos momentos que você desejou e que, agora, não terá a oportunidade de viver.

Lidar com a morte é sempre doloroso, mas a perda de um bebê durante a gravidez ou logo após o parto tem um componente específico, que torna essa experiência muito difícil de suportar. (Como Lidar - Luto Perinatal)

Os seis "R"s de dificuldades

Este vídeo foi elaborado pelo grupo Sands www.sands.org.uk/findingthewords em uma campanha que busca esclarecer que o afastamento, a pena e o silêncio não acolhe, e muitas vezes piora a dor. Sensibiliza sobre a importância de acolher o luto.

Documentário: O Segundo Sol Documentário independente realizado em 2015 por Fabricio Gimenes e Rafaella Biasi. O documentário traz histórias reais de pessoas que passaram pela difícil experiência da perda gestacional e neonatal e pontos de vistas profissionais sobre este processo.

Como lidar com a perda intrauterina

e a Perda pós nascimento

Independente da idade gestacional, não subestime a dor, não minimize a dor; Evitar frases como: “a natureza é sábia, provavelmente esse bebê tinha problemas de saúde ou malformações”, “você é jovem, pode ter outros filhos”; Considerar que se trata do nascimento de um bebê gerado, aguardado, amado. Para muitos, é apenas a perda de um feto, para os pais é a perda de um filho. E junto com o filho, há outras perdas; Não agir como se nada tivesse acontecido; Pergunte se pode ajudar de alguma forma e disponibilize uma escuta empática; Evite apontar culpados ou encontrar justificativas para o ocorrido;

A principal diferença entre o bebê que morreu e aqueles que permanecem vivos, é um coração que não bate. O vínculo que há, não morre;

Como a Doula pode auxiliar a mulher e/ou família?

A doula deve facilitar para que existe a melhor experiência possível da família enlutada. Trazer o mais próximo par a normalidade, possibilitar memórias; Possibilitar que a família tenha silêncio e privacidade; Auxiliar na obtenção de informações, para oferecer opções e ouvir o desejo da mãe e/ou casal; Considerar qualquer situação que possa acontecer. Plano de Parto, pós parto e funeral. Acolher e respeitar a mulher e a família na escolha da via de nascimento; Procurar não deixar que a ansiedade pessoal em acabar com a dor, machuque ainda mais a família enlutada. Não existe solução fácil para problemas complexos.

Fazer uma ligação e se colocar a disposição já é um grande auxílio. Estar presente e prestar ajuda prática. Sugerir dar um nome quando se ainda não tiver. Sugerir cerimônias de despedida. Se houver produção e liberação do leite materno, com delicadeza abordar o assunto com a mulher, e orientá-la sobre as medidas necessárias e possíveis; Sugerir grupos de apoio ao luto. Tentar guardar as proporções desse período. Quando a mulher tem um bebê, entra em puerpério, mesmo sem bebê no colo.

Sugestões de leitura

Sugestões de documentários

Cuidando de quem cuida

  • Se permitir sentir, se emocionar, mesmo no momento do nascimento.
  • Buscar apoio com colegas de trabalho
  • Respeitar os próprios sentimentos e limitações, os próprios lutos
  • Buscar ajuda terapêutica

Referências Bibliográficas

Salgado, Heloisa de Oliveira; Polido, Carla Andreucci. Como lidar: luto perinatal. Acolhimento em situações de perda gestacional e neonatal. São Paulo: Ema Livros, 2018 Quintans, Érica Tavares; Campos, Flávia Sollero de. Eu também perdi meu filho: Luto paterno na perda gestacional/neonatal. Rio de Janeiro, 2018. 112p. Dissertação de Mestrado – Departamento de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Parkers, Colin Murray. Luto: estudos sobre a perda na vida adulta. Ed. Summus, 1998. Freud, S. (1976). Luto e melancolia. In S. Freud. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. XIV, pp. 271-307). Rio de Janeiro: Imago.

A morte de um filho é uma gravidez às avessas volta pra dentro da gente para uma gestação eterna aninha-se aos poucos buscando um espaço por isso dói o corpo por isso, o cansaço E como numa gestação ao contrário a dor do parto é a da partida de volta ao corpo pra acolhida reviravolta na sua vida E já começa te chutando, tirando o sono mexendo os órgãos, lembrando ao dono que está presente, te bagunçando o pensamento te vazando de lágrimas e disparando o coração, A morte de um filho é essa gravidez ao contrário mas com o tempo, vai desinchando até se transformar numa semente de amor e que nunca mais sairá de dentro de ti.

Obrigada!

@rafazucareli