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Análise do poema_Cláudia Antunes_Bruna Silva_12ºF
antunesclaudia500
Created on March 16, 2021
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Transcript
"MORTE AO MEIO DIA" RUY BELO
Agrupamento Escolas de Amares Realizado: Cláudia Antunes; Bruna Silva Turma:12ºF Docente: Fernanda Neves
Índice
10.Estrutura Interna
01. Ruy Belo
11.Estrutura Interna
12.Estrutura Interna
02.Representações
13.Relação e Conteúdo
03.Tradição Literária
04. Figurações do Poeta
14.Recuros Expressivos
05. Arte Poética
15.Recuros Expressivos
06.Identificação e ideias
16.Recuros Expressivos
07. Estrutura Interna
17.Análise Formal
08. Estrutura Interna
18.Opinião Pessoal
09.Estrutura Interna
01
Ruy Belo (1933-1978)
- Nome completo: Rui de Moura Ribeiro Belo
- Nascimento: 27 de fevereiro de 1933 São João da Ribeira, Rio Maior, Portugal
- Morte: 8 de agosto de 1978 (45 anos) Queluz, Portugal
- Cônjuge: Maria Teresa Carriço Marques Belo (3 filhos)
02
Representações do contemporâneo
- O poeta apresenta uma sociedade conservadora e antiquada, profundamente hierarquizada, em que o regime político condiciona os cidadãos.
- O poeta valoriza na sua obra a temática religiosa, criticando a Igreja católica por colaborar com o regime, denunciando a sua hipocrisia ao ignorar os problemas dos mais desfavorecidos.
- Muitos poemas apresentam uma reflexão sobre o real quotidiano , muitas vezes de cariz irónico.
03
Tradição literária
- Para além das ligações que este poeta estabelece com os movimentos literários do seu tempo e que se caracterizam pela inovação e subversão, a sua poesia reflete influências das tradições literárias ocidental, nomeadamente do texto bíblico.
- O poeta recupera ainda a tradição clássica com referências e alusões a Homero e a Horácio.
- Na perspetiva pessimista da existência humana, na consciência de efemeridade da vida, verifica-se uma influência da poesia barroca.
- Cesário foi também um poeta que influenciou Ruy Belo, nomeadamente na representação do quotidiano e nas cenas de vida urbana.
- Camilo Pessanha, a dimensão musical e a importância do símbolo surgem também em alguns poemas.
- A poesia de Fernando Pessoa apresenta ainda traços intertextuais com a poesia do poeta, nas referências à dor de pensar e no pendor abúlico de alguns poemas.
- Retoma o soneto nem sempre rimado, numa variante menos rígida que a forma tradicional.
04
Figurações do Poeta
- O poeta é alguém que é cidadão e que intervém na sociedade, através da sua poesia.
- O poeta é aquele que evoca a infância como uma forma de reposição da harmonia.
- O poeta é alguém que sonha um país e um mundo diferentes.
05
Arte poética
- O símbolo ganha grande importância na poesia de Ruy Belo: a "criança" é o futuro, a "casa" é o país, a família.
- A sua poesia valoriza a musicalidade das palavras, abdicando dos vocábulos dos quotidiano.
- A pontuação é muitas vezes subversiva, libertando a frase das regras gramaticais.
06
Identificação do tema e das ideias principais do poema
- O poema "Morte ao Meio Dia" é da autoria de Ruy Belo. Nesta composição poética o sujeito lírico faz uma reflexão relativamente ao Estado em que se encontra o seu país. É um país estagnado cuja economia é controlada pelo Estado e centrada essencialmente na agricultura. É um lugar, onde já existiu liberdade, mas onde hoje só existe repressão.
- Os seus habitantes, vivem num clima de medo, sujeitos ás desigualdades sociais e á vontade de um estado totalitarista.
07
Estrutura Interna
Versos 1 a 7 No meu país não acontece nada à terra vai-se pela estrada em frente Novembro é quanta cor o céu consente às casas com que o frio abre a praça Dezembro vibra vidros brande as folhas a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal que o mais zeloso varredor municipal
O sujeito poético refere-se ao seu país como sendo um local inerente e estagnado, imerso na tristeza e na melancolia, num Outono interminável, o que é sugerido pela alusão aos meses de "Novembro" e "Dezembro", que se caracterizam por ser os mais frios e chuvosos em Portugal.
08
Estrutura Interna
Versos 8,9,15 Mas que fazer de toda esta cor azul Que cobre os campos neste meu país do sul? Todos temos janela para o mar voltada
Todavia apesar de estado em que o país se enconntra existe uma ânsia de libertação e de alcançar o progresso, simbolizada, nestes versos, pela imencidão do céu azul , tão caracterizado do clima mediterrâneo português, e da vastidão do mar que banha toda a costa Portuguesa.
09
Estrutura Interna
Estrofe 3 e 4 Que cobre os campos neste meu país do sul? A gente é previdente cala-se e mais nadaA boca é pra comer e pra trazer fechada o único caminho é direito ao sol No meu país não acontece nada o corpo curva ao peso de uma alma que não sente Todos temos janela para o mar voltadao fisco vela e a palavra era para toda a gente
Nestes versos evidência-se a falta de liberdade de expressão que oprime os portugueses. Esta já terá existido, tendo em conta o uso do Pretérito Imperfeito na expressão -"a palavra era para toda a gente". Porém, no Presente as pessoas vivem "curvadas" perante um regime que as oprime, levando-as a já não saber sentir a liberdade-"o corpo curva ao peso de uma alma que não sente".
10
Estrutura Interna
Estrofe 3 e 4E juntam-se na casa portuguesa a saudade e o transístor sob o céu azul A indústria prospera e fazem-se ao abrigo da velha lei mental pastilhas de mentol Morre-se a ocidente como o sol à tarde Cai a sirene sob o sol a pino Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
O "eu" evidencia a saudade e a nostalgia em relação a uma infância mítica, vivida no seu país -"Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?". Esta infância era caracterizada pelo "céu azul", ou seja, por um ambiente de liberdade de felicidade. Os versos 21 e 22 remetem no entanto, para a realidade vivida no presente, repetindo a ideia contida no título: a morte associa-se á situação do país onde as pessoas vão morrendo esmagados sob o julgo da opressão dos regimes ocidentais-"Morre-se a ocidente como o sol á tarde".
11
Estrutura Interna
Estrofe 7 Há neste mundo seres para quem a vida não contém contentamento E a nação faz um apelo à mãe, atenta a gravidade do momento
O país parece destinado a não ser feliz. Impera um tom disfórico, em que emerge a fé/crença, materializada num "apelo" desesperado á "mãe", que poderá salvar o povo da sua amrgura.
12
Estrutura Interna
O verso repetido-" O meu país é o que o mar não quer" remete-nos para a personificação deste elemento, que, pelo movimento natural das suas ondas que fustigam a terra, parece repelir o país. De facto, o mar simboliza a liberdade e em Portugal, "a areia cresceu", ou seja, aumentou a repressão na qual os Portugueses estão subterrados. Com efeito, o povo vive, curvado perante o poder instituído, assentuando-se, no país, as desigualdades sociais e as injustiças, assim como a debilidade financeira de uma economia maioritariamente rural-" O homem vende a vida e verga sob a enxada".
Estrofe 8,9O meu país é o que o mar não queré o pescador cuspido à praia à luzpois a areia cresceu e a gente em vão requercurvada o que de fronte erguida já lhe pertencia A minha terra é uma grande estrada que põe a pedra entre o homem e a mulher O homem vende a vida e verga sob a enxada O meu país é o que o mar não quer
13
Relação do título com o conteúdo do poema
O título condensa o assunto desenvolvido ao longo da composição poética e relaciona-sediretamente com os versos 21 e 22. Efetivamente no título, está expresso o estado moribundo em que se encontra o país tendo em conta a repressão, o atraso económico a estagnação e a inércia. O facto de se referir a hora de óbito do país- "Meio dia"- sugere que , esta é uma morte precoce, sendo que o meio dia simboliza que o percurso do país ainda não está completo, que as pessoas ainda tem muito para oferecer, mas que amarradas pelo sistema ditaturial vêem as suas esperanças perecem.
14
Identificação dos recursos expressivos e do seu valor
Metáfora(utilização de um ambiente cinzento e frio para referir a situação em que se econtravam) Exemplo: "Novembro é quanta cor o céu consente/ás casas com que o frio abre a praça"(verso 3; 4) Personificação(atribui caracteristicas da natureza ao mês de Dezembro, além disso também compra a forma como a brisa sopra, ao varredor da rua municipal) Exemplo:"Dezembro vibra vidros brande as folhas/a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal/que o mais zeloso varredor municipal"
15
IDENTIFICAÇÃO DOS RECURSOS EXPRESSIVOS E DO SEU VALOR
Anáfora(todas as estrofes iniciam-se com o mesmo verso) Exemplo: "No meu país não acontece nada" (estrofe: 1;4;8) Comparação(compara o fim do dia com o final da vida "morte" Exemplo: "Morre-se a ocidente como o sol á tarde"(verso: 21) Interrogação Retórica (o autor realiza uma questão no entanto, relembra para uma nostalgia de infância) Exemplo:"Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?"
16
IDENTIFICAÇÃO DOS RECURSOS EXPRESSIVOS E DO SEU VALOR
Aliteração (utilização de palavras com a presença da letra "T") Exemplo: "a vida não contém contentamento" Anáfora(presença nas ultimas duas estrofes da mesma frase a inicia-las) Exemplo: "O meu país é o que o mar não quer/ O meu país é o que o mar não quer"(estrofe 8,9)
17
aNÁLISE FORMAL
- 9 quadras/36 versos
- Métrica irregular
- Estão presentes a rima emparelhada, interpolada e rima cruzada
18
Apresentação de um ponto de vista pessoal sobre o poema
Após a análise deste poema, conseguimos relacioná-lo com o tempo em que viveu Ruy Belo. De facto, esses foram tempos em que as pessoas viviam “amordaçadas”, pois ninguém tinha a liberdade de se expressar, se se falasse ou se expressasse contra o estado, os acusados eram presos, poderiam ser torturados ou até mesmo mortos. Como o sujeito lírico exprime, olhar “para o mar” faz nascer o desejo de voltar a ser livre, de poder crescer e também se poder se expressar. Ruy Belo foi uma pessoa que passou quase toda a sua vida num regime ditatorial, não conhecendo o “sabor” da liberdade vivida na sua terra. Além disso, teve uma infância “roubada”, pois os jovens gostam de aprender, de descobrir e, num regime ditatorial, o espirito crítico fica aprisionado e o desenvolvimento integral da criança é comprometido . O poema apresenta-nos um Portugal estagnado e sem força para reagir, submetido a ordens e obrigações, assim, a revolta nasce dentro dos que não consentem a opressão. Do nosso ponto de vista, o poema ilustra perfeitamente a revolta, a insatisfação e a tristeza que o povo português sentia aquando do Estado Novo. Uma revolta, porém, calada pelo medo da repressão ditatorial. Deste modo, o poema de Ruy Belo ajuda-nos a aproximar-nos daqueles que, antes de nós, sofreram para que hoje tivéssemos a liberdade de que gozamos em Portugal.