PATRIMÔNIO E RESTAURO
Prof. Márcio Ronan Policarpo
ETAPAS DA AULA
Museu Rodin Bahia
A preservação
Normas
Exercícios
Referências
Pinacoteca de SP
A preservação de bens edificados
A PRESERVAÇÃO
As ações de salvaguarda são essenciais para a preservação das edificações e bens históricos, pois, a partir de metodologias diversas, auxiliam nos processos de transmissão desses bens para as gerações futuras. São vários os processos e as conceituações envolvidos. Diferentes teóricos, recomendações e regulamentações abordam tais processos, ora de forma semelhante, ora de modo mais distinto. Termos como “conservação”, “reabilitação”, “reutilização”, “recuperação”, “readequação” e “restauração” são utilizados para explicar processos de intervenção em bens culturais materiais. Entretanto, todos possuem, de forma geral, a mesma finalidade: garantir a integridade física e a essência, histórica e estética, da edificação.
A PRESERVAÇÃO
Conservação
Reabilitação
Restauração
Consiste na implementação de uma série de intervenções técnicas para garantir a permanência das estruturas edificadas e evitar sua degradação.
Pode ser entendida como um conjunto de operações destinadas a aumentar os níveis de qualidade de um edifício de modo a responder a exigências mais funcionais que as originais.
Implica na intervenção direta sobre a edificação e consiste em um processo bastante complexo, sobre o qual diversos teóricos têm se debruçado, desde o século XIX, quando as preocupações com a conservação e recuperação de edificações históricas foram intensificadas e o campo teórico começou a ser consolidado.
A PRESERVAÇÃO
A conservação consiste na implementação de uma série de intervenções técnicas para garantir a permanência das estruturas edificadas e evitar sua degradação. Podem ser atividades comuns, como a limpeza de fachadas e retirada de espécies vegetais, que muitas vezes brotam nas alvenarias e coberturas, ou a revisão das instalações elétricas e hidrossanitárias, para evitar, por exemplo, curtos-circuitos, incêndios e infiltrações. Essas intervenções também podem ser um pouco mais complexas, demandando maior conhecimento técnico, como a substituição do sistema estrutural — de madeira para estrutura metálica, por exemplo — ou a aplicação de agentes químicos protetores, como vernizes, resinas e outros materiais, que evitam a deterioração de tijolos, madeiras e outros materiais.
A PRESERVAÇÃO
A Carta de Lisboa (PORTUGAL, 1995, documento on-line) define de forma bem semelhante a conservação e a manutenção de edifícios: i) Conservação de um edifício: Conjunto de medidas destinadas a salvaguardar e a prevenir a degradação de um edifício, que incluem a realização das obras de manutenção necessárias ao correcto funcionamento de todas as partes e elementos de um edifício. j) Manutenção de um edifício: Série de operações que visam minimizar os ritmos de deterioração da vida de um edifício e são desenvolvidas sobre as diversas partes e elementos da sua construção, assim como sobre as suas instalações e equipamentos, sendo geralmente obras programadas e efectuadas em ciclos regulares.
A PRESERVAÇÃO
Já a Carta de Veneza (ICOMOS, 1964, documento on-line), um dos principais documentos de referência para as práticas atuais de intervenção, cita os seguintes aspectos para a conservação: Artigo 2o — A conservação e a restauração dos monumentos constituem uma disciplina que reclama a colaboração de todas as ciências e técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do patrimônio monumental. Artigo 3o — A conservação e a restauração dos monumentos visam salva-guardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico. Artigo 4o — A conservação dos monumentos exige, antes de tudo, manutenção permanente. Artigo 5o — A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma forma útil à sociedade; tal destinação é, portanto, desejável, mas não pode nem deve alterar a disposição ou a decoração dos edifícios. É somente dentro desses limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes.
A PRESERVAÇÃO
A reabilitação de edifícios históricos é um recurso que vai além da preservação da materialidade e simbolismo do edifício em si, pois esse processo consiste em uma ferramenta para proporcionar habitação em áreas centrais. Em muitas cidades, os centros passaram por um processo de esvaziamento e/ou mudança de função, ocasionado por transformações econômicas, culturais e sociais, que acarretaram alteração nas respectivas estruturas urbanas. Como afirma Carvalho (2009, documento on-line): A reabilitação traz uma série de vantagens, especialmente em se tratando de edificações em áreas centrais urbanas, onde há transportes e infraestrutura e não há mais terrenos disponíveis. Soma-se a isso o fato que o impacto ambiental do patrimônio edificado é menor se as edificações não são demolidas nem abandonadas, mas reutilizadas.
A PRESERVAÇÃO
Percebe-se que a restauração demanda um profundo conhecimento sobre o edifício e seu contexto, devido à peculiaridade de sua estrutura material e de seus significados históricos e estéticos. Segundo Brandi (2004), deve-se respeitar o máximo possível a originalidade do bem, sem, no entanto, des-considerar os acréscimos posteriores significativos. Além dessas intervenções, o Iphan (GOMIDE; SILVA; BRAGA, 2005) apresenta ainda outras ações, tais como:Manutenção Reparação Reconstrução Consolidação/estabilização
A PRESERVAÇÃO
Manutenção — conjunto de operações preventivas destinadas a manter em bom funcionamento e uso, em especial, a edificação. Exemplos: inspeções rotineiras, a limpeza diária ou periódica, pinturas, imunizações, reposição de telhas danificadas, inspeção nos sistemas hidrossanitário, elétrico e outras. Reparação — conjunto de operações para corrigir danos incipientes e de pequena repercussão. Exemplos: troca ou recuperação de ferragens, metais e acessórios das instalações, reposição de elementos de coberturas, recomposições de pequenas partes de pisos e pavimentações e outras. Reconstrução — conjunto de ações destinadas a restaurar uma edificação ou parte dela, que se encontre destruída ou em risco de destruição, mas ainda não em ruínas. A reconstrução é aceitável em poucos casos especiais e deve se basear em evidências históricas ou documentação indiscutíveis. Exemplos: as edificações destruídas por incêndios, enchentes, guerra, ou ainda na iminência de serem destruídas, como no caso de construção de barragens. Consolidação/estabilização — conjunto de operações destinadas a manter a integridade estrutural, em parte ou em toda a edificação.
Museu Rodin Bahia Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Para abrigar o acervo de 62 matrizes em gesso do Museu Rodin Bahia, foi escolhido o Palacete Comendador Catharino, de 1,5 mil metros quadrados, localizado em uma região concentradora de casarões construídos entre os séculos 19 e 20. O espaço, embora generoso, não era suficiente. Além da reforma, havia a necessidade de uma edícula para servir de depósito. Marcelo Ferraz, um dos sócios no Brasil Arquitetura, conta que a intenção era usar o palacete para abrigar a coleção permanente. “Já o anexo receberia exposições temporárias”, explica.
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
Como determina o próprio Iphan (GOMIDE; SILVA; BRAGA, 2005, documento on-line): Os projetos deverão ser elaborados respeitando os valores estéticos e culturais do Bem, com o mínimo de interferência na autenticidade do mesmo, seja autenticidade estética, histórica, dos materiais, dos processos construtivos, do espaço envolvente ou outras. Garantir a autenticidade dos materiais implica na manutenção da maior quantidade possível de materiais originais, de modo a evitar falsificações de caráter artístico e histórico. Na impossibilidade da manutenção dos materiais originais, deverão ser utilizados outros compatíveis com os existentes, em suas características físicas, químicas e mecânicas e aspectos de cor e textura sem, no entanto, serem confundidos entre si. [...] A autenticidade histórica permeia todos os aspectos associados ao Bem, não sendo permitida qualquer intervenção que possa alterar ou falsificar os valores históricos contidos nos materiais, técnicas construtivas, aspectos estéticos e espaciais. [...] Tão importante quanto à manutenção dos materiais e dos aspectos estéticos do Bem é a garantia da preservação da autenticidade dos processos construtivos e suas peculiaridades, evitando o uso de técnica que seja incompatível e descaracterize o sistema existente.
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
O principal aporte legal nessa área é a NBR 9050/2020 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2020), que estabelece critérios técnicos que devem ser atendidos no projeto, construção e adaptação de edificações às condições de acessibilidade, considerando as diversas formas de mobilidade e percepção do ambiente, utilizando ou não o auxílio de equipamentos específicos, tais como próteses, bengalas, cadeiras de rodas.
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
A NBR 9050/2020 (ABNT, 2020) possui outras normas complementares, que devem ser utilizadas como referência na elaboração dos projetos, como, por exemplo: ABNT NBR 5410, instalações elétricas de baixa tensão; ABNT NBR 10152, níveis de ruído para conforto acústico — procedimento; ABNT NBR 10283, revestimentos eletrolíticos de metais e plásticos sanitários — requisitos e métodos de ensaio; ABNT NBR 10898, sistema de iluminação de emergência; ABNT NBR 11003, tintas — determinação da aderência; ABNT NBR 11785, barra antipânico — requisitos; ABNT NBR 13434 (todas as partes), sinalização de segurança contra incêndio e pânico;
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
ABNT NBR 13713, instalações hidráulicas prediais — aparelhos automáticos acionados mecanicamente e com ciclo de fechamento automático — requisitos e métodos de ensaio; ABNT NBR 14718, guarda-corpos para edificação; ABNT NBR 15097 (todas as partes), aparelho sanitário de material cerâmico; ABNT NBR 15250, acessibilidade em caixa de autoatendimento bancário; ABNT NBR 15599, acessibilidade — comunicação na prestação de serviços; ABNT NBR ISO 9386 (todas as partes), plataformas de elevação motorizadas para pessoas com mobilidade reduzida — requisitos para segurança, dimensões e operação; ABNT NBR NM 313, elevadores de passageiros — requisitos de segurança para construção e instalação — requisitos particulares para a acessibilidade das pessoas, incluindo pessoas com deficiência.
Pinacoteca de São Paulo Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Construído na última década do século dezenove para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios nunca foi totalmente concluído. Já em Novembro de 1905 foram executadas as primeiras obras de adaptação, ainda sob o plano e direção do arquiteto Ramos de Azevedo, para receber a primeira coleção de quadros pertencentes ao Estado e que passaram a constituir a Pinacoteca.
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Exercícios
Como exercício para ser iniciado no período da aula, vocês deverão se dividir em grupos e fazer uma pesquisa sobre um dos 6 Projetos de intervenção destinados à cultura em importantes e históricos edifícios apresentados pelo site Archdaily no link abaixo.
Na semana que vem, no início da aula, cada grupo deverá apresentar o resultado da pesquisa (10 minutos).
Como exercício para casa, vocês deverão assistir à aula de Eduardo Colonelli e Paulo Mendes da Rocha onde tratam sobre detalhes e suas experiências durante o projeto e obra da Pinacoteca de São Paulo. Após o vídeo, escrevam um pequeno texto (uma página) com as suas impressões.
REFERÊNCIAS
https://my.matterport.com/show/?help=1&hl=0&lp=1&m=vM2ryY7BELU&referrer=https://www.archdaily.com.br/br/897005/visite-a-pinacoteca-de-sao-paulo-em-realidade-virtual-e-passeio-360-degrees?ad_source=search&ad_medium=search_result_all&title=1&tourcta=1&ts=1
https://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/brasil-arquitetura_/museu-rodin-bahia/2799
Agudo, M. C. Técnicas retrospectivas II. Grupo A, 2020. 9786581492021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786581492021/. Acesso em: 10 Mar 2021
https://www.archdaily.com.br/br/910445/museu-rodin-bahia-brasil-arquitetura
REFERÊNCIAS
https://www.archdaily.com.br/br/897005/visite-a-pinacoteca-de-sao-paulo-em-realidade-virtual-e-passeio-360-degrees?ad_source=search&ad_medium=search_result_all
https://www.archdaily.com.br/br/627463/aula-com-paulo-mendes-da-rocha-e-eduardo-colonelli-na-pinacoteca-de-sao-paulo?ad_source=search&ad_medium=search_result_all
https://www.archdaily.com.br/br/787997/pinacoteca-do-estado-de-sao-paulo-paulo-mendes-da-rocha?ad_medium=gallery
https://www.archdaily.com.br/br/888990/8-projetos-de-intervencao-destinados-a-cultura-em-importantes-e-historicos-edificios?ad_source=search&ad_medium=search_result_all
E é isso!
Aulas 17 e 18 de março
Aula 5 - Patrimônio e Restauro - Márcio Policarpo
marcio.policarpo
Created on March 14, 2021
Start designing with a free template
Discover more than 1500 professional designs like these:
View
Vaporwave presentation
View
Animated Sketch Presentation
View
Memories Presentation
View
Pechakucha Presentation
View
Decades Presentation
View
Color and Shapes Presentation
View
Historical Presentation
Explore all templates
Transcript
PATRIMÔNIO E RESTAURO
Prof. Márcio Ronan Policarpo
ETAPAS DA AULA
Museu Rodin Bahia
A preservação
Normas
Exercícios
Referências
Pinacoteca de SP
A preservação de bens edificados
A PRESERVAÇÃO
As ações de salvaguarda são essenciais para a preservação das edificações e bens históricos, pois, a partir de metodologias diversas, auxiliam nos processos de transmissão desses bens para as gerações futuras. São vários os processos e as conceituações envolvidos. Diferentes teóricos, recomendações e regulamentações abordam tais processos, ora de forma semelhante, ora de modo mais distinto. Termos como “conservação”, “reabilitação”, “reutilização”, “recuperação”, “readequação” e “restauração” são utilizados para explicar processos de intervenção em bens culturais materiais. Entretanto, todos possuem, de forma geral, a mesma finalidade: garantir a integridade física e a essência, histórica e estética, da edificação.
A PRESERVAÇÃO
Conservação
Reabilitação
Restauração
Consiste na implementação de uma série de intervenções técnicas para garantir a permanência das estruturas edificadas e evitar sua degradação.
Pode ser entendida como um conjunto de operações destinadas a aumentar os níveis de qualidade de um edifício de modo a responder a exigências mais funcionais que as originais.
Implica na intervenção direta sobre a edificação e consiste em um processo bastante complexo, sobre o qual diversos teóricos têm se debruçado, desde o século XIX, quando as preocupações com a conservação e recuperação de edificações históricas foram intensificadas e o campo teórico começou a ser consolidado.
A PRESERVAÇÃO
A conservação consiste na implementação de uma série de intervenções técnicas para garantir a permanência das estruturas edificadas e evitar sua degradação. Podem ser atividades comuns, como a limpeza de fachadas e retirada de espécies vegetais, que muitas vezes brotam nas alvenarias e coberturas, ou a revisão das instalações elétricas e hidrossanitárias, para evitar, por exemplo, curtos-circuitos, incêndios e infiltrações. Essas intervenções também podem ser um pouco mais complexas, demandando maior conhecimento técnico, como a substituição do sistema estrutural — de madeira para estrutura metálica, por exemplo — ou a aplicação de agentes químicos protetores, como vernizes, resinas e outros materiais, que evitam a deterioração de tijolos, madeiras e outros materiais.
A PRESERVAÇÃO
A Carta de Lisboa (PORTUGAL, 1995, documento on-line) define de forma bem semelhante a conservação e a manutenção de edifícios: i) Conservação de um edifício: Conjunto de medidas destinadas a salvaguardar e a prevenir a degradação de um edifício, que incluem a realização das obras de manutenção necessárias ao correcto funcionamento de todas as partes e elementos de um edifício. j) Manutenção de um edifício: Série de operações que visam minimizar os ritmos de deterioração da vida de um edifício e são desenvolvidas sobre as diversas partes e elementos da sua construção, assim como sobre as suas instalações e equipamentos, sendo geralmente obras programadas e efectuadas em ciclos regulares.
A PRESERVAÇÃO
Já a Carta de Veneza (ICOMOS, 1964, documento on-line), um dos principais documentos de referência para as práticas atuais de intervenção, cita os seguintes aspectos para a conservação: Artigo 2o — A conservação e a restauração dos monumentos constituem uma disciplina que reclama a colaboração de todas as ciências e técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do patrimônio monumental. Artigo 3o — A conservação e a restauração dos monumentos visam salva-guardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico. Artigo 4o — A conservação dos monumentos exige, antes de tudo, manutenção permanente. Artigo 5o — A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma forma útil à sociedade; tal destinação é, portanto, desejável, mas não pode nem deve alterar a disposição ou a decoração dos edifícios. É somente dentro desses limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes.
A PRESERVAÇÃO
A reabilitação de edifícios históricos é um recurso que vai além da preservação da materialidade e simbolismo do edifício em si, pois esse processo consiste em uma ferramenta para proporcionar habitação em áreas centrais. Em muitas cidades, os centros passaram por um processo de esvaziamento e/ou mudança de função, ocasionado por transformações econômicas, culturais e sociais, que acarretaram alteração nas respectivas estruturas urbanas. Como afirma Carvalho (2009, documento on-line): A reabilitação traz uma série de vantagens, especialmente em se tratando de edificações em áreas centrais urbanas, onde há transportes e infraestrutura e não há mais terrenos disponíveis. Soma-se a isso o fato que o impacto ambiental do patrimônio edificado é menor se as edificações não são demolidas nem abandonadas, mas reutilizadas.
A PRESERVAÇÃO
Percebe-se que a restauração demanda um profundo conhecimento sobre o edifício e seu contexto, devido à peculiaridade de sua estrutura material e de seus significados históricos e estéticos. Segundo Brandi (2004), deve-se respeitar o máximo possível a originalidade do bem, sem, no entanto, des-considerar os acréscimos posteriores significativos. Além dessas intervenções, o Iphan (GOMIDE; SILVA; BRAGA, 2005) apresenta ainda outras ações, tais como:Manutenção Reparação Reconstrução Consolidação/estabilização
A PRESERVAÇÃO
Manutenção — conjunto de operações preventivas destinadas a manter em bom funcionamento e uso, em especial, a edificação. Exemplos: inspeções rotineiras, a limpeza diária ou periódica, pinturas, imunizações, reposição de telhas danificadas, inspeção nos sistemas hidrossanitário, elétrico e outras. Reparação — conjunto de operações para corrigir danos incipientes e de pequena repercussão. Exemplos: troca ou recuperação de ferragens, metais e acessórios das instalações, reposição de elementos de coberturas, recomposições de pequenas partes de pisos e pavimentações e outras. Reconstrução — conjunto de ações destinadas a restaurar uma edificação ou parte dela, que se encontre destruída ou em risco de destruição, mas ainda não em ruínas. A reconstrução é aceitável em poucos casos especiais e deve se basear em evidências históricas ou documentação indiscutíveis. Exemplos: as edificações destruídas por incêndios, enchentes, guerra, ou ainda na iminência de serem destruídas, como no caso de construção de barragens. Consolidação/estabilização — conjunto de operações destinadas a manter a integridade estrutural, em parte ou em toda a edificação.
Museu Rodin Bahia Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Para abrigar o acervo de 62 matrizes em gesso do Museu Rodin Bahia, foi escolhido o Palacete Comendador Catharino, de 1,5 mil metros quadrados, localizado em uma região concentradora de casarões construídos entre os séculos 19 e 20. O espaço, embora generoso, não era suficiente. Além da reforma, havia a necessidade de uma edícula para servir de depósito. Marcelo Ferraz, um dos sócios no Brasil Arquitetura, conta que a intenção era usar o palacete para abrigar a coleção permanente. “Já o anexo receberia exposições temporárias”, explica.
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Museu Rodin Bahia / Brasil Arquitetura
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
Como determina o próprio Iphan (GOMIDE; SILVA; BRAGA, 2005, documento on-line): Os projetos deverão ser elaborados respeitando os valores estéticos e culturais do Bem, com o mínimo de interferência na autenticidade do mesmo, seja autenticidade estética, histórica, dos materiais, dos processos construtivos, do espaço envolvente ou outras. Garantir a autenticidade dos materiais implica na manutenção da maior quantidade possível de materiais originais, de modo a evitar falsificações de caráter artístico e histórico. Na impossibilidade da manutenção dos materiais originais, deverão ser utilizados outros compatíveis com os existentes, em suas características físicas, químicas e mecânicas e aspectos de cor e textura sem, no entanto, serem confundidos entre si. [...] A autenticidade histórica permeia todos os aspectos associados ao Bem, não sendo permitida qualquer intervenção que possa alterar ou falsificar os valores históricos contidos nos materiais, técnicas construtivas, aspectos estéticos e espaciais. [...] Tão importante quanto à manutenção dos materiais e dos aspectos estéticos do Bem é a garantia da preservação da autenticidade dos processos construtivos e suas peculiaridades, evitando o uso de técnica que seja incompatível e descaracterize o sistema existente.
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
O principal aporte legal nessa área é a NBR 9050/2020 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2020), que estabelece critérios técnicos que devem ser atendidos no projeto, construção e adaptação de edificações às condições de acessibilidade, considerando as diversas formas de mobilidade e percepção do ambiente, utilizando ou não o auxílio de equipamentos específicos, tais como próteses, bengalas, cadeiras de rodas.
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
A NBR 9050/2020 (ABNT, 2020) possui outras normas complementares, que devem ser utilizadas como referência na elaboração dos projetos, como, por exemplo: ABNT NBR 5410, instalações elétricas de baixa tensão; ABNT NBR 10152, níveis de ruído para conforto acústico — procedimento; ABNT NBR 10283, revestimentos eletrolíticos de metais e plásticos sanitários — requisitos e métodos de ensaio; ABNT NBR 10898, sistema de iluminação de emergência; ABNT NBR 11003, tintas — determinação da aderência; ABNT NBR 11785, barra antipânico — requisitos; ABNT NBR 13434 (todas as partes), sinalização de segurança contra incêndio e pânico;
Normas para projetos de reabilitação de edifícios históricos
ABNT NBR 13713, instalações hidráulicas prediais — aparelhos automáticos acionados mecanicamente e com ciclo de fechamento automático — requisitos e métodos de ensaio; ABNT NBR 14718, guarda-corpos para edificação; ABNT NBR 15097 (todas as partes), aparelho sanitário de material cerâmico; ABNT NBR 15250, acessibilidade em caixa de autoatendimento bancário; ABNT NBR 15599, acessibilidade — comunicação na prestação de serviços; ABNT NBR ISO 9386 (todas as partes), plataformas de elevação motorizadas para pessoas com mobilidade reduzida — requisitos para segurança, dimensões e operação; ABNT NBR NM 313, elevadores de passageiros — requisitos de segurança para construção e instalação — requisitos particulares para a acessibilidade das pessoas, incluindo pessoas com deficiência.
Pinacoteca de São Paulo Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Construído na última década do século dezenove para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios nunca foi totalmente concluído. Já em Novembro de 1905 foram executadas as primeiras obras de adaptação, ainda sob o plano e direção do arquiteto Ramos de Azevedo, para receber a primeira coleção de quadros pertencentes ao Estado e que passaram a constituir a Pinacoteca.
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Pinacoteca de São Paulo /Eduardo Colonelli, Paulo Mendes da Rocha, Weliton Ricoy Torres
Exercícios
Como exercício para ser iniciado no período da aula, vocês deverão se dividir em grupos e fazer uma pesquisa sobre um dos 6 Projetos de intervenção destinados à cultura em importantes e históricos edifícios apresentados pelo site Archdaily no link abaixo.
Na semana que vem, no início da aula, cada grupo deverá apresentar o resultado da pesquisa (10 minutos).
Como exercício para casa, vocês deverão assistir à aula de Eduardo Colonelli e Paulo Mendes da Rocha onde tratam sobre detalhes e suas experiências durante o projeto e obra da Pinacoteca de São Paulo. Após o vídeo, escrevam um pequeno texto (uma página) com as suas impressões.
REFERÊNCIAS
https://my.matterport.com/show/?help=1&hl=0&lp=1&m=vM2ryY7BELU&referrer=https://www.archdaily.com.br/br/897005/visite-a-pinacoteca-de-sao-paulo-em-realidade-virtual-e-passeio-360-degrees?ad_source=search&ad_medium=search_result_all&title=1&tourcta=1&ts=1
https://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/brasil-arquitetura_/museu-rodin-bahia/2799
Agudo, M. C. Técnicas retrospectivas II. Grupo A, 2020. 9786581492021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786581492021/. Acesso em: 10 Mar 2021
https://www.archdaily.com.br/br/910445/museu-rodin-bahia-brasil-arquitetura
REFERÊNCIAS
https://www.archdaily.com.br/br/897005/visite-a-pinacoteca-de-sao-paulo-em-realidade-virtual-e-passeio-360-degrees?ad_source=search&ad_medium=search_result_all
https://www.archdaily.com.br/br/627463/aula-com-paulo-mendes-da-rocha-e-eduardo-colonelli-na-pinacoteca-de-sao-paulo?ad_source=search&ad_medium=search_result_all
https://www.archdaily.com.br/br/787997/pinacoteca-do-estado-de-sao-paulo-paulo-mendes-da-rocha?ad_medium=gallery
https://www.archdaily.com.br/br/888990/8-projetos-de-intervencao-destinados-a-cultura-em-importantes-e-historicos-edificios?ad_source=search&ad_medium=search_result_all
E é isso!
Aulas 17 e 18 de março