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Afonso de Albuquerque em "Mensagem"

duarte.serrano

Created on January 24, 2021

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Transcript

"A Outra Asa do Grifo"Afonso de Albuquerque

em "Mensagem"

Figura Simbólica

Poema

Afonso de Albuquerque como figura simbólica

A louvação feita por Fernando Pessoa na obra "Mensagem"

Comparação Final

Figura Histórica

Ascensão, Feitos em vida, e Legado Imperial

Comparação entre o homem e o símbolo em que se transformou

1: Os poemas de Fernando Pessoa

O da "Mensagem"

O outro

Passa um gigante pela vasta terra. Seu passo duro faz tremer o solo. Seu pensamento todo o mundo encerra, Régio de força e desconsolo. Seu vulto augusto é grave de sinais; Seu grande olhar esta visão revela: Mais vale o Império do que a glória, e mais Que a gratidão o merecê-la. Não há coroa em sua fronte altiva, Ceptro nenhum em suas mãos está: Grande de mais para o que a hora viva A quem é só da hora dá.

De pé, sobre os paízes conquistados Desce os olhos cansados De ver o mundo e a injustiça e a sorte. Não pensa em vida ou morte, Tão poderoso que não quere o quanto Pode, que o querer tanto Calcara mais do que o submisso mundo Sob o seu passo fundo. Três impérios do chão lhe a Sorte apanha. Criou-os como quem desdenha.

Estruturas externa e interna do poema

De pé, sobre os países conquistados Desce os olhos cansados De ver o mundo e a injustiça e a sorte. Não pensa em vida ou morte, Tão poderoso que não quer o quanto Pode, que o querer tanto Calcara mais do que o submisso mundo Sob o seu passo fundo. Três impérios do chão lhe a Sorte apanha. Criou-os como quem desdenha.

Decassílabos e hexassílabos intercalados; Rima emparelhada: aabbccddee; O poema é composto por uma estrofe de dez versos, uma décima. Elementos da poesia tradicional, como a rima, o hexassílabo e o decassílabo heróico, que remete para "Os Lusíadas".

Estruturas externa e interna do poema

De pé, sobre os países conquistados

Adjetivações expressivas e versos 1, 5, 7, 8 e 10 Afonso de Albuquerque como: uma figura toda poderosa (v.5); altiva (v.1), sobre o que facilmente conquistou (v.10); submetendo o mundo à sua vontade (vv.7-8). Versos 2 e 3 - revelado o estado de espírito de Afonso de Albuquerque, o de cansaço, ilustrado pela hipálage. O polissíndeto demarca bem, acentuando, as fontes do seu desgosto. Verso 4 - demonstra a sua superioridade espiritual e o comprometimento com a sua missão, assim como os versos 5 e 6 ("(...)não quer o quanto pode"). Verso 9 - a anástrofe realça os seus feitos, colocando-os no início da frase, e a metáfora atribui o sucesso da sua missão à "Sorte", o destino, guiado, por Deus.

Desce os olhos cansados

Hipálage

De ver o mundo e a injustiça e a sorte.

Polissíndeto

Não pensa em vida ou morte,

Tão poderoso que não quer o quanto

Pode, que o querer tanto

Calcara mais do que o submisso mundo

Sob o seu passo fundo.

Adjetivação expressiva

Adjetivação expressiva

Três impérios do chão lhe a Sorte apanha.

Anástrofe e metáfora

Criou-os como quem desdenha.

Vida de Afonso de Albuqurque

Figura Histórica

Expansão a Oriente/Feitorias

Viagem para a Índia

Conquista de Goa

Conquista de Ormuz

Conquista de Malaca

Estabelecimento do poder português na Índia

Batalhas no Norte de Africa

1: Conquistas no Norte de África

Título de Escudeiro-Mor

- Participou com valência nas conquistas das Praças de Tangêr e Arzila sob o comando de D. Afonso V, onde cultivou relações de amizade com El-Rei D. João II, então infante. - Pelos seus feitos no Norte de África, foi nomeado Escudeiro-mor do Reino e recebeu o comando da Fortaleza da Graciosa.

2: Viagem para a Índia

Poder da Marinha Portuguesa

- Afonso de Albuquerque fez parte da armada de Tristão da Cunha até Socotorá, conquistando pelo caminho 5 cidades árabes na África Oriental. - Socotorá é uma ilha na entrada do Mar Vermelho com grande valor estratégico e de controlo do comércio, que facilmente caiu sob o ataque da armada. - Em Scotorá separou-se da frota, que se dirigia para a Índia ao comando de 6 navios, com rumo a Ormuz.

3: Conquista de Ormuz

Domínio do Oceano Índico

- A caminho de Ormuz, Afonso de Albuquerque promoveu a sua terrível reputação enquanto militar, conquistando 3 cidades e aceitando a rendição de 2 outras. - A conquista de Ormuz é considerada como uma das maiores batalhas da história da Marinha Portuguesa. O combate foi curto e forçou o rei a tornar-se tributário da Coroa, ao invés de do Xá Ismail I.

4: Conquista de Goa

Presença na Índia

- Depois de consolidado domínio do Mar Vermelho, navegou para Cochim, na Índia, pois era aí que vivia o Vice-Rei D. Francisco de Almeida, que vinha substituir. - Participou na Batalha de Diu e na Batalha de Chaul, ambas vitórias portuguesas. - Uma vez Vice-Rei, tentou um ataque a Calecute mas falhou. Imediatamente a seguir, tomou posse de Goa e lá se estabeleceu. Foi nessa cidade que fez a 1ª cunhagem de moeda portuguesa fora do reino.

5: Conquista de Malaca

Monopólio do comércio do oriente

-Afonso de Albuquerque parte para Malaca. Atacou de surpresa a cidade e dizimou a marinha inimiga. No desembarque foram recebidos por um exército que contava com elefantes. Ainda assim a vitória não tardou e foi construída uma fortaleza, que marcou o início do domínio português na zona. - Esta conquista foi o último dos grandes feitos de Afonso de Albuquerque, que daqui para a frente se limitou a fortalecer o poder que já tinha instituído.

6/7: Feitorias e Estabelecimento do poder Português na Índia

A expansão a Oriente

- A partir de Malaca, Afonso de Albuquerque enviou missões diplomáticas a Sumatra, Sião, Molucas e China.- Voltou ao Mar Vermelho para impedir o construção de uma frota muçulmana. Assinou a paz com Calecute e outros reinos na Índia. - Diz-se que ponderou desviar o Nilo para secar o Egito, e que esteve em vias de tentar roubar o corpo de Maomé, para subjugar os muculmanos. - Morreu em Goa e foi transportado para Portugal.

A obra em vida de Afonso de Albuquerque expande-se muito para lá das conquistas e do estabelecimento do Império Português do Oriente. Como consequência dessas conquistas, a cultura portuguesa e o cristianismo espalharam-se até ao outro canto do mundo.Ainda assim, sendo estes últimos mais difíceis de ilustrar, estes mapas mostram a influência portuguesa no tempo do Vice-Rei.

Império P ortuguês no seu auge

Este vídeo ajuda a compreender a sua vida e influência na história portuguesa:

https://www.youtube.com/watch?v=7HJ6fVZkN6g

Conquistas e batalhas de Afonso de Albuquerque na Península Arábica

Conquistas e batalhas de Afonso de Albuquerque na Índia e àreas circundantes

Figura simbólica de Afonso de Albuquerque

O Grifo

1: Afonso de Albuquerque enquanto símbolo

A simbologia do Grifo

Afonso de Albuquerque encontra-se representado no poema de título «A Outra Asa do Grifo», que faz parte da última divisão da primeira parte da “Mensagem”. O Grifo:- timbre do brasão nacional; -ligação do céu e da terra (partes aquilina e leonina, respetivamente); -relação imagética com Jesus Cristo (humano e divino). Papéis de Jesus Cristo (simbolizado pelo grifo) - profeta, rei e padre.

2: Afonso de Albuquerque enquanto símbolo

O grifo, como símbolo de Cristo

Infante - profeta; D. João II - rei; Afonso de Albuquerque - padre. Figuras históricas Forma mítica Semidivinos e cumprindo o desígnio que lhes é atribuído por Deus, através do conhecimento e virtude.

Os papéis de rei, profeta e padre lado a lado, num tríptico

3: Afonso de Albuquerque enquanto símbolo

A Outra Asa do Grifo

Afonso de Albuquerque, a outra asa do grifo, é um homem todo poderoso (“Tão poderoso que não quer o quanto” -v.5), que despreza a mesquinhice do mundo (que o afeta) (“Desce os olhos cansados/De ver o mundo e a injustiça e a sorte.” -vv. 2-3), por ter um espírito superior (é superior em força e espírito) assente na fé e no compromisso. Não se preocupa com as vicissitudes da existência mundana, totalmente empenhado no cumprimento da sua missão (“Não pensa em vida ou morte,” -v.4).

3: Afonso de Albuquerque enquanto símbolo

Significado da asa do Grifo

A asa representa a concretização material do sonho do Infante D. Henrique (a cabeça).Asas do grifo - D. João II e Afonso de Albuquerque. A "outra asa", Afonso de Albuquerque, constrói três impérios (Ormuz, Goa e Malaca), no Índico (“Três impérios do chão lhe a Sorte apanha.” -v.9). Assim concretiza também o seu destino (a “Sorte”), definido por Deus, com uma superioridade infalível e altiva (“Criou-os como quem desdenha.”).

3: Afonso de Albuquerque enquanto símbolo

Enquadramento com a obra

Afonso de Albuquerque assume a forma de herói mítico, quase semidivino, todo poderoso e totalmente comprometido com a sua missão, no mundo físico e espiritual. Uma determinada vontade transcendente leva-o à criação de três impérios no Índico, regidos por Portugal. Demonstra também o desafio sentimental do espírito nacional, que, sobre os territórios conquistados, confronta a sua necessidade de elevação à sua inevitável forma humana, mundana. É, como “padre”, o guia espiritual e expansor material do povo português, um monge guerreiro, perfeito exemplo do significado da epígrafe do “Brasão”, “Bellum sine Bello”.

Figura Histórica

Figura simbólica

Formação de 3 impérios. Ajuda e acompanhamento divinos levam-no à vitória e dão-lhe sabedoria para governar. O império que construiu não se equipara à sua grandeza nem ao seu merecimento. Não lhe interessa tal poder, por ser apenas mundano, e ele está num conflito de espiritualidade, não de poder. Cumpriu segundo a vontade divina, presentes tanto nele como no rei que representa, o rei de Portugal.

Conquista de 3 grandes cidades: Ormuz, Goa e Malaca. Batalhas difíceis e com desvatagem numérica, vencidas pela estratégia. Estas conquistas são a fundação de um centro de enorme poder militar e comercial. Tem o poder para se tornar o mais poderoso dos reis, declarar-se independente e subjugar os que o desafiarem. Cumpriu a missão que lhe foi entregue, e com isso se contentou.

Obrigado!

Duarte Serrano, nº4; Tomás Silva, nº25.