Fundação Joaquim Nabuco
TRAJETÓRIADE LAMPIÃO
Síntese das datas mais importantes relacionadas à vida do bandido mais célebre dos sertões
BANDO DE LAMPIÃO
Arquivo
7 DE JULHO DE 1897
NASCIMENTO
Virgolino Ferreira da Silva (a grafia com "O" consta em sua certidão de nascimento, embora no batistério e nos registros posteriores tenha ficado célebre como Virgulino) nasceu em 7 de julho de 1897 na comarca de Vila Bela, atual município de Serra Talhada, em Pernambuco. A data consta na certidão de nascimento. O ano foi muitas vezes informado, equivocadamente, como 1900. O próprio Virgulino acreditava que assim fosse. No bastistério, documento eclesiástico do batismo, consta a data de 4 de junho de 1898
Imagem da paisagem onde nasceu Lampião
Foto feita por Billy Jaynes Chandler
DEZEMBRO DE 1916
AS BRIGAS
Há informações contraditórias sobre a entrada de Virgolino no cangaço. O consenso é a relação com o vizinho da família, José Saturnino, filho de importante fazendeiro. Havia acusações mútuas de invasões de propriedades e roubos de animais. A questão foi levada à Polícia. Em dezembro de 1916, degenerou em violência. Virgulino, seus irmãos Antônio e Levino e mais um morador da fazenda da família trocaram tiros com Saturnino e seus homens. Antônio foi ferido na perna. Foi o início da trajetória de violência
Foto de José Saturnino em 1975, sentado, à direita
Arte: Guabiras. Fonte: O POVO.doc
1918
O CANGAÇO
José Ferreira dos Santos, pai de Virgolino, buscou entendimento para evitar novas violências envolvendo Saturnino. Vendeu a fazenda e assumiu compromisso de que a família não voltaria às proximidades de sua antiga casa. Estabeleceram-se na propriedade Poço do Negro, perto da Vila de Nazaré, comarca de Floresta, Pernambuco. Saturnino e seus familiares tampouco poderiam circular por ali. Mas, Saturnino e seu cunhado foram vistos em Nazaré e se tornaram alvos de emboscada armada por Virgolino. Ninguém se feriu e, no dia seguinte, Poço do Negro foi atacada. Os irmãos Ferreira passaram a só andar armados e com vestimentas de bandidos profissionais: chapéu com aba virada na frente, lenços no pescoço e cartucheiras
Raio-X do cangaco
1920
NOVAS MUDANÇAS E A MORTE DA MÃE
Após novos conflitos em Nazaré, a família teve de novo de se mudar e foi para fazenda alugada na localidade Olho d'Água, perto da comarca de Água Branca, Alagoas. Porém, os irmãos Ferreira estavam ainda mais envolvidos com o crime. Voltaram a Pernambuco para ataques às terras de Saturnino e seus familiares. Trocaram também tiros em Água Branca, o que os forçou de novo a se mudarem. José Ferreira, então, rumou com a mulher, Maria Selena da Purificação, e os filhos mais novos para a comunidade de Mata Grande. A mãe de Virgulino estava gravemente doente. Na mudança, a caminho de Mata Grande, pararam para descansar nas terras de Senhô Fragoso, um conhecido. Lá, Maria morreu. José Ferreira aceitou a hospitalidade de Fragoso e ficou morando em uma das casas da fazenda
O POVO.doc
9 DE MAIO DE 1921
LAMPIÃO
Os irmãos Antônio, Levino e Virgolino estavam ainda mais envolvidos com violência. Mais novo dos três, Virgolino assumia papel de liderança. Agiam em parceria com Matildes, veterano da violência em Pernambuco. Organizaram ataque a Piraconha e saquearam o povoado. Seria retaliação pela proximidade entre o delegado de Piraconha e o chefe de Polícia de Água Branca, acusados de hostilizar Matildes e os Ferreira. No episódio, testemunhas se referiam a Virgolino como Lampião, apelido surgido cerca de dois anos antes
Lampião
18 DE MAIO DE 1921
MORTE DO PAI
Quando José Ferreira debulhava milho em frente ao alpendre da casa de Fragoso, a polícia alagoana cercou o local e matou tanto o pai de Lampião quanto Fragoso. Argumentaram acreditar ser refúgio dos criminosos que haviam atacado Pariconha e disseram ter encontrados na casa objetos roubados no povoado. Há, porém, fontes que situam esses acontecimentos em 1920. Alguns afirmam que a morte do pai de Virgulino teria sido anterior ao ataque a Pariconha. A questão é crucial. Lampião apontou o assassinato do pai pela polícia como motivo para abraçar o cangaço. Porém, conforme o historiador Billy Jaynes Chandler, no livro Lampião, o rei dos cangaceiros, o processo na Justiça e notícias de jornal situam os episódios em maio de 1921
1921/1922
O CHEFE E PROFESSOR DE LAMPIÃO
Após semanas de aliança com os Porcino, os Ferreira entram no bando de Sebastião Pereira, com quem Lampião adquiriu experiência em campo de batalha e aprendeu sobre a costura de rede de alianças. Nesse período, enfretaram a polícia várias vezes, incluindo grandes e prolongados combates. Foi quando Virgolino ficou gravemente ferido pela primeira vez, baleado no ombro e na virilha. Carregado pelo irmão Levino e por outro membro do bando, passou semanas em recuperação
1922
O BANDO DE LAMPIÃO
Após alguns meses atuando junto de Lampião e seus irmãos, Sebastião Pereira retomou a resolução de abandonar o cangaço e foi morar no estado de Goiás, onde viveu até avançada idade. Então Virgolino tornou-se o chefe do bando formados por seus irmãos e remanescentes do grupo de Pereira. Tornou-se quase de imediato o mais importante bandido dos sertões e conservou o status por 16 anos, até sua morte
Do livro de Billy Jaynes Chandler
26 DE JUNHO DE 1922
VIRGOLINO LIDERA ATAQUE
A façanha que começou a projetar a fama de Lampião. Foi o primeiro grande ataque liderado por ele. Foi em Água Branca, Alagoas. Com grupo de aproximadamente 50 cangaceiros, assaltaram a casa da baronesa de Água Branca, membro de família elevada à nobreza no Império. Pela primeira vez, seu nome saiu em jornais locais. A notícia foi publicada no Correio da Pedra (Alagoas) e no Diário de Pernambuco
Água Branca, onde se projetou a fama de Lampião
JULHO DE 1922
LAMPIÃO ASSOMBRA O SERTÃO
As semanas após o ataque a Água Branca foram intensas. Ele atacou Espírito Santo, na fronteira entre Pernambuco e Alagoas. Em 8 de julho, investiu contra policiais reforçados por voluntários civis e os pôs para fugir. Três soldados morreram e dois ficaram gravemente feridos. O Diário de Pernambuco o qualificou, em 29 de agosto de 1922, como "um dos piores facínoras" que apareceram naquela área
15 DE AGOSTO DE 1922
VINGANÇA
Lampião e dois de seus homens encontram na estrada Manoel Cypriano de Souza. Era o homem que havia indicado à polícia onde encontrar o pai de Virgolino, para o matarem. Lampião o matou com três tiros e ordenou que seus companheiros atirassem no cadáver. De lá, foram à casa de Cypriano e a saquearam
20 DE OUTUBRO DE 1922
ASSASSINATO DE LUÍS GONZAGA DE SOUZA FERRAZ
Em um dos crimes mais conhecidos do início da carreira de Lampião, ele assassinou o coronel Luís Gonzaga de Souza Ferraz, rico fazendeiro, comerciante e chefe político. Ele era desafeto de Ioiô Moroto, um parente de Segastião Pereira. O crime ocorreu em São José do Belmonte, em Pernambuco, quase divisa com o Ceará. O bando cangaceiro travou intenso tiroteio com policiais e moradores tanto na chegada quanto na saída. Mataram o coronel e saquearam seu armazém. Na retirada, entre quatro ou cinco cangaceiros morreram em novo tiroteio
JULHO DE 1923
ATAQUES A FAZENDAS E CONFRONTO COM A POLÍCIA
O mês foi marcado por ataques a fazendas no interior de Alagoas e confronto com policiais comandados por seu tradicional inimigo, o tenente José Lucena, que comandou o ataque que matou o pai de Virgolino
JULY 31, 1923 — AUGUST 1, 1923
OS NAZARENOS
Lampião e seu bando chegaram a Nazaré, onde os irmãos Ferreira começaram a vida como bandidos. Foram ao casamento de uma prima e para o baile na noite da véspera. Segundo uma das versões, a prima teria sido amor de infância. A população temia violência se a polícia aparecesse e houve pedido para que se retirasse. Lampião se irritou, mas foi para fora da cidade. Levou, todavia, a sanfona: disse que, se ele não poderia dançar, ninguém mais iria. No dia seguinte, voltaram para a cerimônia. A polícia apareceu e houve troca de tiros. A população ajudou na luta contra os cangaceiros, que fugiram. Os nazarenos, a partir dali, organizaram-se a passaram a perseguir os cangaceiros. Foram os mais persistentes inimigos de Virgolino
30 DE DEZEMBRO DE 1923
PRINCEZA
No segundo semestre de 1923, Lampião se instalou na comarca de Princeza, sob proteção do coronel Marçal Diniz. Virgolino fez amizade com o filho do coronel, Marcolino Pereira Diniz. No fim de dezembro, Marcolino discutiu com o juiz local durante baile na cidade de Triunfo, em Pernambuco. O filho do coronel matou o magistrado no meio da rua e foi preso. Algum tempo depois, Lampião levou grupo de aproximadamente 80 cangaceiros para os arredores da cidade, cobrando a libertação de Marcolino, no que foi atendido
COMEÇO DE 1924
ATAQUE A SANTA CRUZ
O bando de Lampião atacou fazenda em Santa Cruz, em busca de Clementino Furtado, chefe de poderosa família. Após horar de tiroteios, mataram familiares de Clementino e deixaram feridos entre os defensores da propriedade. Até serem repelidos por destacamento da polícia. Retornaram dias depois e houve novo tiroteio. Inclusive para se proteger, Clementino se alistou como sargento da polícia e, como os nazarenos, foi dos mais tenazes perseguidores de Lampião
MARÇO DE 1924
FERIDO
Em confronto com a polícia pernambucana, Lampião foi ferido no calcanhar. Ele se escondeu enquanto seus homens continuaram a trocar tiros para permitir sua retirada. Como se envolveram em novo embate com os policiais, não conseguiram encontrá-lo e ele passou dias sozinho e ferido, até ser encontrado. A recuperação levou meses
7 DE JULHO DE 1924
ATAQUE A SOUSA (PB)
Lampião ainda se recuperava e enviou seu bando, tomar parte de ataque à cidade de Sousa, na Paraíba, e promoveram grande saque. Acompanharam aliados que buscavam vingança contra pessoas influentes na cidade
7 DE JULHO DE 1924
PRIMEIRA INFORMAÇÃO FALSA DA MORTE DE LAMPIÃO
O governo da Paraíba informa que Lampião foi morto em confronto com a Polícia
COMEÇO DE 1925
REAPARIÇÃO
Após ataque a Sousa, pouco se teve notícia do bando de Lampião, salvo combates esporádicos. No começo de 1925, os jornais voltaram a trazer informações sobre ele, com passagens por Paraíba, Pernambuco e Alagoas
Biblioteca Nacional
FEVEREIRO DE 1925
RESISTÊNCIA
Virgolino e seu bando exigiram de moradores de renome em Mata Grande, em Alagoas, elevadas somas em dinheiro. Como não recebeu, tentou invadir a cidade, mas enfrentou resistência inesperada. Um de seus homens morreu, dois ficaram feridos. Eles, então, se retiraram em direção a Pernambuco
Virgulino Ferreira da Silva
FEVEREIRO DE 1925
COMBATE EM SERROTE PRETO
Policiais pernambucanos e paraibanos que perseguiram os bandidos após o ataque a Mata Grande os alcançaram na fazenda Serrote Preto, na divisas entre Pernambuco, Alagoas e Bahia. Com estratégia de atacar o flanco dos paraibanos, os cangaceiros os deixaram sob fogo cruzado de bandidos e pernambucanos. O resultado foi um desastre: 12 policiais mortos e outros tantos feridos. A imprensa noticiou que quatro cangaceiros teriam morrido, mas os números de vítimas entre os criminosos costumavam ser inexatos
COMEÇO DE JULHO DE 1925
COMBATE EM FLORES
Após meses sem aparições dos cangaceiros, eles têm confronto com a polícia da paraíba, já em território pernambucano. Os cangaceiros teriam ido castigar fazendeiro acusado de violentar sexualmente as próprias filhas. Como punição, os cangaceiros o teriam estuprado. Lá eles foram alcançados pelos policiais. Foi embate duro, no qual as autoridades estimaram muitos cangaceiros feridos, devido à quantidade de sangue depois encontrada no local
JULHO DE 1925
MORTE DE LEVINO
Os policiais seguiram no encalço dos cangaceiros após o combate em Flores. Em confronto com a tropa sob comando do sargento José Guedes, morreu Levino Ferreira, primeiro irmão de Lampião a morrer no cangaço. Ficou famosa a versão de que, após sua morte, Virgolino havia lhe amputado a cabeça, na tentativa de evitar que a polícia tivesse conhecimento de que havia imposto semelhante perda. Era parte da guerra simbólica e psicológica. A morte do irmão demarca certa guinada na postura de Lampião. Seus atos se tornaram cada vez mais violentos e cruéis
AGOSTO/SETEMBRO DE 1925
EMBOSCADA E VINGANÇA
Após algum tempo recluso depois da morte do irmão, voltou-se a ter notícia de Lampião em emboscada armada contra o grupo de policiais comandados por José Guedes, na vila pernambucana de Gavião. Após tiroteio intenso, os cangaceiros fugiram. Um policial morreu. As autoridades relataram a morte de quatro cangaceiros. Pouco tempo depois, houve nova emboscada, na qual os policiais relataram a morte de dois cangaceiros
AGOSTO/SETEMBRO DE 1925
CRUELDADE
Após o confronto com os homens de José Guedes, o bando de Lampião se dividiu em dois para atacar os povoados de Caboré e Alagoa do Serrote. Morreram sete pessoas e muitos ficaram feridos. Entre as vítimas, pelo menos uma criança e um idoso, ambos desarmados. Conforme testemunhas, os alvos tinham sido pessoas pobres e sem histórico de desavença com os cangaceiros
OUTUBRO DE 1925
REFÚGIO NO CARIRI
Em meio a intensa perseguição da polícia paraibana, Lampião rumou para o Cariri, sul do Ceará. Os cangaceiros foram vistos em vários lugares, em passagem pacífica. Em Mauriti, chegaram em dia de feira, fizeram compras e pagaram por tudo. Deixaram boa impressão
JANEIRO DE 1926
CONFRONTO COM A POLÍCIA
O bando tem grande confronto com a polícia perto de Triunfo e cangaceiros saíram feridos
FEVEREIRO DE 1926
ENCONTRO COM A COLUNA PRESTES
Os cangaceiros de Lampião travam combate com a Coluna Prestes, mas pensam se tratar da polícia
14 DE FEVEREIRO DE 1926
NOVA NOTÍCIA FALSA DA MORTE DE LAMPIÃO
Governador de Pernambuco anuncia que Lampião foi morto. A notícia não procede
23 DE FEVEREIRO DE 1926
MORTE DE UM INIMIGO
O bando ataca Serra Vermelha e mata José Nogueira, parente de Saturnino. Além de histórico inimigo, o ataque teve como motivação carta enderaçada aos nazarenos, com informações sobre o paradeiro e os esconderijos do cangaceiro
Do livro de Bily Jaynes Chandler
4 DE MARÇO DE 1926
JUAZEIRO DO NORTE
Lampião e seu bando chegam a Juazeiro do Norte, Ceará. Havia recebido convite do deputado federal cearense Floro Bartolomeu para integrar os Batalhões Patrióticos, formados para combater a Coluna Prestes. O bando foi alvo da curiosidade popular. Reuniu a família pela última vez. Muitos familiares, egressos de Vila Bela e proximidades, haviam ido para Juazeiro do Norte, meca da religiosidade nordestina. Lá, fizeram a última foto de família
Foto da família Ferreira em Juazeiro do Norte
MARÇO DE 1926
COM O PADRE CÍCERO
Virgolino teve encontro com o padre Cícero Romão Batista. Supostamente a mando do sacerdote, Pedro de Albuquerque Uchôa, inspetor agrônomo do Ministério da Agricultura, numa folha de papel almaço, assinou documento dando a Virgolino a patente de capitão dos Batalhões Patrióticos. Recorreram a Uchôa no status de única autoridade federal então em Juazeiro. O grupo recebeu armas, munições e a promessa de trânsito livre. Ao chegar a Pernambuco, o bando é perseguido pela polícia do Estado. Virgolino volta a procurar padre Cícero, que recusou o segundo encontro e mandou dizer que nada poderia fazer para forçar a polícia pernambucana a aceitar a patente de capitão. Não se sabe se Lampião de fato abraçaria a reabilitação. O fato é que, contrariado, pouco depois estava cometendo crimes
20 DE ABRIL DE 1926
SOLDADOS COM MALÁRIA
Lampião ataca o povoado de Algodões, em Pernambuco, onde os policiais se encontravam com malária e não conseguiram impor resistência
AGOSTO DE 1926
ATAQUE À FAZENDA SERRA VERMELHA
Contingente aproximado de 80 cangaceiros ataca a fazenda Serra Vermelha, em Serra Talhada, pertencente ao major João Nogueira, parente de José Saturnino
28 DE AGOSTO DE 1926
MASSACRE DA FAMÍLIA GILO
Iludido por um cangaceiro que entrou no bando em busca de vingança pessoal, Lampião ataca a fazenda Tapera, da fazenda Gilo, na zona rural de Floresta, Pernambuco. Morreram 12 pessoas da família e mais um soldado, no que foi uma das mais brutais matanças da história do cangaço. O cangaceiro Horácio Novaes havia forjado cartas com ofensas a Virgolino, supostamente escritas pelos membros da família. Antes de matar o último sobrevivente, Manoel Gilo, Lampião cobra que ele explique a razão dos insultos. Então, o pobre homem responde que ele e seus familiares eram analfabetos. Horácio logo o mata. Ao perceber a farsa em que havia sido lançado, Lampião expulsa o cangaceiro do bando.
16 DE SETEMBRO DE 1926
FERIMENTO E BOATO SOBRE MORTE
Lampião é ferido na omoplata, em combate em Itacuruba. Por essa época, corre novo boato de que teria morrido
26 DE NOVEMBRO DE 1926
COMBATE EM SERRA GRANDE, UM DOS MAIORES DA HISTÓRIA DO CANGAÇO, MARCA FEITO DE ESTRATÉGIA
Os cangaceiros mantinham refém e esperavam resgate por Pedro Paulo Mineiro Dias, funcionário da multinacional Standard Oil. O bando foi atacado por forças policiais sob comando geral do major Theóphanes Ferraz Torres. As tropas de segurança pública tinham três a quatro homens para cada cangaceiro. Mas, Lampião tinha vantagem tática, ao defender de posição superior. Foi um dos maiores combates entre cangaceiros e a polícia e uma das maiores vitórias de Lampião, em um de seus grandes feitos de estratégia em combate
FIM DE 1926
CAMPANHA PERNAMBUCANA PARA ELIMINAR O CANGAÇO
Toma posse no governo de Pernambuco Estácio Coimbra, recém-saído da vice-presidência da República. Prestigiado político nordestino, teve entre as plataformas de campanha a eliminação do cangaço. A missão foi entregue ao bacharel Eurico de Souza Leão, nomeado secretário da Segurança Pública. Era homem metódico e com fama de sanguinário. Empreendeu a mais dura, organizada, persistente e eficaz perseguição que Lampião conheceu
ENTRE O FIM DE 1926 E COMEÇO DE 1927
MORTE DE ANTÔNIO FERREIRA
Durante brincadeira em momento de descontração, Antônio Ferreira, irmão mais velho de Lampião, é ferido em disparo acidental da arma de um dos cangaceiros e morre
19 DE JANEIRO DE 1927
DESLOCAMENTOS E DIVISÃO
Lampião passa a dividir seu grupo com mais frequência e se deslocar mais, em função da campanha de Pernambuco contra o cangaço. Ao longo dos primeiros dias de 1927, sofre intensa perseguição das polícias de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Bahia e Sergipe. No fim de dezembro de 1926, estava no Ceará. Em 19 de janeiro, o bando a pé havia atravessado Pernambuco e chegado perto da divisa com Alagoas. Alcançados pela polícia pernambucana, travaram combate de cerca de três horas, no qual três dos criminosos morreram e outros saíram feridos. A polícia alagoana prendeu outro cangaceiro
26 DE ABRIL DE 1927
PERNAMBUCO DÁ LAMPIÃO POR VENCIDO
Souza Leal comemora a campanha contra o cangaço. Diz que o bando se pulverizou em pequenos grupos e, para ele, o assunto Lampião não tinha mais importância, segundo disse ao jornal Correio do Ceará
MAIO DE 1927
NOVOS TERRITÓRIOS
Diante de intensa perseguição, Lampião busca novos alvos. Mandou seu bando atacar a vila de Uiraúna, no norte da Paraíba, onde nunca havia agido antes
MAIO DE 1927
CHEFE DE POLÍCIA RECEBE LAMPIÃO NO CEARÁ
Se era perseguido em outros estados, Lampião tinha tratamento de estrela no Ceará. Em maio, a imprensa noticiou seu encontro com o chefe de Polícia de Aurora. Consta que Virgolino o convidou para um cafezinho. Estava na ocasião acompanhado de grande grupo de cangaceiros. Ele dividia e reunia os grupos menores peroidicamente, de modo a escapar do cerco
JUNHO DE 1927
BAIXAS NO BANDO
Major Theóphanes anuncia que 100 cangaceiros foram mortos ou capturados desde dezembro, quando tem início a campanha contra o cangaço. Aproximadamente um quarto deles, segundo disse, faziam parte do bando de Lampião
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13 DE JUNHO DE 1927
A MAIOR DERROTA
Sob cerco em Pernambuco, perseguido em Alagoas e Paraíba e com pacto informal pelo qual preservava o Ceará, Lampião seguiu em busca de novos territórios. No Rio Grande do Norte, empreendeu a ação mais ousada de sua trajetória. Mossoró, cidade mais rica e importante do interior daquele estado, foi também a maior cidade que atacou. E marcou sua maior derrota. Forte defesa foi armada e cinco ou seis cangaceiros morreram. Foram expulsos após uma hora e meia de combate. Segundo os relatos, Virgolino ficou verdadeiramente surpreso e abalado com a derrota
Capela de São Vicente, em cujas torres foram posicionados atiradores que reagiram ao ataque de Lampião
Do livro de Billy Jeynes Chandler, creditada como cortesia do museu histórico de Fortaleza
Bando em Limoeiro do Norte
15 DE JUNHO DE 1927
HOSPITALIDADE EM LIMOEIRO DO NORTE
Após o fracasso em Mossoró, os cangaceiros buscaram refúgio em Limoeiro do Norte. A polícia, avisada previamente, retirou-se da cidade. O bando entrou dando vivas ao governador Moreira da Rocha e ao padre Cícero. Os chefes políticos mataram um boi para recepcioná-los. Os cangaceiros comeram, fizeram orações na cidade, receberam a contribuição em dinheiro combinada com os líderes locais e partiram
20 DE JUNHO DE 1927
EMBOSCADA DA POLÍCIA
Lampião ia em direção a Aurora após deixar Limoeiro do Norte. Era perseguido por tropas do Rio Grande do Norte, da Paraíba e também do Ceará, que tomaram as dores do ataque a Mossoró. Na região do Jaguaribe, foram os cangaceiros dessa vez que foram alvos de emboscada. Conseguiram fugir, mas foi um dos momentos em que o bando se viu em maior desvantagem estratégica. Houve outros combates nos dias seguintes. Ficaram acuados e quase sem comida. Foram seus piores momentos em passagens pelo Ceará. A polícia do Estado foi muito criticada por não ter conseguido tirar vantagem da situação favorável
7 DE JULHO DE 1927
TRAIÇÃO
Os cangaceiros são recebidos na casa do coronel Isaías Arruda, antigo aliados. Ao comerem, percebem, gosto estranho na comida - Virgolino ainda não havia provado, pois esperava que nos homens comessem. Eles haviam sido traídos. Vários começam a sentir náuseas. Do lado de fora, a polícia começa a atirar. O bando consegue romper o cerco e foge
MARÇO DE 1928
MORTE DE SABINO
Os cangaceiros são atacados por tropas de nazarenos perto da fazenda de um aliado. Um dos homens de maior confiança de Lampião, Sabino é gravemente ferido. Após alguns dias, ele insiste para que o matem, devido ao sofrimento e por estar atrapalhando a fuga do bando
21 DE AGOSTO DE 1928
A TRAVESSIA DO SÃO FRANCISCO
Diante da repressão de que passou a ser alvo ao norte do São Francisco e sem segurança mais nem mesmo no Ceará, Lampião faz a travessia de canoa e pela primeira vez passa a atuar na região ao sul do rio. É uma nova era para o bando, e o início de nova fase de violência para a Bahia
26 DE AGOSTO DE 1928
TIROTEIO COM POLÍCIA PERNAMBUCANA EM TERRITÓRIO BAIANO
Os cangaceiros são alcançados em Senhor do Bonfim pelos policiais pernambucanos, sob comando de Manuel Neto. Fogem após breve troca de tiros. Devido à tortura de testemunhas na busca pelos criminosos, o governo baiano pediu aos pernambucanos que deixassem seu território
FIM DE DEZEMBRO DE 1928
PRIMEIRO CONFRONTO NA BAHIA
A Polícia baiana tomou conhecimento de que Lampião estava em Massacará e cercou a casa. Ao começarem a atirar, foram alvos de disparos de dentro e de fora. Os cangaceiros os esperavam. Foi a trágica introdução às táticas de Lampião, no que foi o primeiro encontro sério com a Polícia ao sul do São Francisco. A tropa foi posta em fuga. Dois morreram
7 DE JANEIRO DE 1929
OUTRO CONFRONTO E MORTE DE POLICIAIS E CANGACEIRO
A Polícia baiana alcança Lampião na Vila de Abóboras. Corisco, o "diabo louro", comanda a resistência para permitir a fuga do bando. Dois policiais morreram e dois ficaram feridos. Gravemente ferido, o cangaceiro "Mergulhão" foi primeiro do bando a morrer na Bahia
FIM DE FEVEREIRO DE 1929
SERGIPE
O bando chega à cidade de Carira, em Sergipe, por onde passa de forma pacífica. Beberam, fizeram compras e pediram dinheiro
ABRIL DE 1929
ASSALTO A PEDRA BRANCA
O bando assalta a vila de Pedra Branca, município de Juazeiro, às margens do São Francisco. A trégua na Bahia havia ficado definitivamente para trás e o estado havia se tornado a principal base de suas operações
ABRIL DE 1929
ASSALTO A CANINDÉ
Ainda em operação às margens do São Francisco, o bando assalta Canindé, em Sergipe
ABRIL DE 1929
CONFRONTO COM A POLÍCIA
O bando tem encontro com a Polícia baiana quando extorquia em Pinhão, Sergipe
4 DE JULHO DE 1929
ATAQUE A POLICIAIS
Policiais que perseguiam fugitivos de cadeia foram surpreendidos e mortos pelos cangaceiros
COMEÇO DE JULHO DE 1929
ATAQUE A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA
O bando incendeia estação de trem em Itumirim, na estrada de ferro entre Juazeiro e Salvador. Cortou também os fios telegráficos. Os cangaceiros tentavam conter melhorias nas comunicações e transportes, pois contavam com o isolamento para seu sucesso. Em agosto de 1929, foi suspensa temporariamente a construção de estrada entre Juazeiro e Santo Antônio da Glória, devido a ameaças de Lampião - ele dizia que cortaria a cabeça do oficial e os pés dos trabalhadores
SETEMBRO DE 1929
GRUPO CRESCE
Corre a notícia de que o bando de Lampião estava crescendo. Alguns de seus antigos companheiros só agora atravessavam o São Francisco, para se unir a ele. Os cangaceiros estavam divididos em subgrupos, como faziam em Pernambuco
17 DE SETEMBRO DE 1929
DISTRIBUIÇÃO DE MERCADORIAS
Em Riacho Seco, município de Curaçá, estabelecimentos comerciais foram saqueados. Em um deles, mercadorias foram distribuídas à população
OUTUBRO DE 1929
MORTE DE TRABALHADORES
Ao tomar conhecimento de que os trabalhos da estrada que saia de Juazeiro haviam sido retomados, Lampião cumpre sua ameaça. Ataca canteiro e mata nove trabalhadores
25 DE NOVEMBRO DE 1929
VISITA A CAPELA
Em célebre aparição, o bando visita a cidade sergipana de Capela. Lampião chega de carro, pede para ser recebido pelo prefeito e é atendido. Eles assumem o controle das comunicações e impedem contatos via telefone ou telégrafo, além de montarem guarda na estação de trem. Lampião pediu dinheiro. Em seguida, os cangaceiros passearam, fizeram compras e receberam visita do padre
22 DE DEZEMBRO DE 1929
ATAQUE A QUEIMADAS
O bando chega a Queimadas e extorque dinheiro. Os policiais foram rendidos. Sete foram mortos a sangue frio. Só o sargento foi poupado. Depois, os cangaceiros festejaram com moças da região
25 DE DEZEMBRO DE 1929
RECHAÇADOS EM MIRANDELA
O bando tenta entrar em Mirandela. Os policiais se negam a dar permissão e os cangaceiros atacam. São repelidos por policiais, com apoio de civis. Um cangaceiro ficou ferido e dois civis morreram
25 DE MARÇO DE 1930
EMBOSCADA
Lampião prepara ataque surpresa a policiais que o perseguiam. Dois ficam gravemente feridos e um morre
FIM DE MAIO DE 1930
RECHAÇADOS PELA POLÍCIA
O bando ataca Patamuté, mas é rechaçado pela Polícia. Na retirada, encontram trabalhadores em estrada e matam um deles
22 DE JULHO DE 1930
SAQUE EM PINHÃO
Em 22 de julho de 1930, o bando pratica saque em estabelecimentos comerciais
1º DE AGOSTO DE 1930
EMBOSCADA
Na fazenda Mandacaru, os cangaceiros emboscaram os policiais que os perseguiam. O tenente Geminiano José dos Santos foi morto, bem como o sargento que era seu segundo em comando. O resto dos homens fugiu de forma desordenada. No total, cinco morreram e cinco ficaram feridos. Todos os corpos foram esfaqueados, o sargento teve olhos arrancados e a cabeça do tenente foi cortada
FIM DE NOVEMBRO A COMEÇO DE DEZEMBRO DE 1930
RETORNO AO NORTE DO SÃO FRANCISCO
Em 26 de novembro de 1930, Lampião visita pela primeira vez a região ao norte do São Francisco. Assaltam fazenda, espancam proprietário e matam a facadas um ex-soldado nazareno. Levaram o proprietário e outro homem como reféns e cobraram resgate. Mataram também ex-delegado. De lá, seguiram para Jatobá, atual Petrolândia, onde praticaram assaltos e extorsões. Seguiram em direção ao leste e, em Águas Belas, raptaram o coronel João Nunes, ex-chefe de Polícia de Pernambuco. Ele acabou conquistando a admiração dos cangaceiros, que se afeiçoaram a ele e o libertaram
Foto feita por Benjamin Abraão e publicada pelo O POVO em 1936
ENTRE 1930 E 1931
MARIA BONITA
Em Jeremoabo, Virgolino conhece Maria Déia. Dona Maria, como os cangaceiros a chamavam. Maria Bonita, como ficou célebre. Era casada com José Neném, mas, incentivada inclusive pela mãe, deixa o marido e segue Lampião, de quem se torna companheira até o fim de suas vidas
Maria Bonita, em 1936
24 DE ABRIL DE 1931
MORTE DO IRMÃO MAIS NOVO
Irmão mais novo de Lampião, que entrou para o cangaço em 1927, Ezequiel Ferreira morre em confronto contra a Polícia baiana, na fazenda de Umbuzeiro do Touro. O bando de Lampião passa, então, a espalhar morte e destruição, como vingança. Vítimas eram escolhidas aleatoriamente entre quem encontravam na estrada
8 DE MAIO DE 1931
OFENSIVA CONTRA PETRONILO REIS
O bando destrói o povoado de Várzea da Ema, na Bahia. Dois dos sete soldados que defendiam o local morreram. O alvo era o fazendeiro Petronilo Reis, que havia sido dos primeiros aliados de Lampião na chegada à Bahia, mas com quem teve sério desentendimento. Destruição persistiu nos dias seguintes
7 DE DEZEMBRO DE 1931
ESCONDERIJO ENCONTRADO
Na longínqua localidade do Raso da Catarina, a polícia baiana chega a um dos principais esconderijos de Lampião e troca tiros com cangaceiros, que fogem. Jornalista do jornal carioca Diário da Noite os acompanhava e narra a descoberta
5 DE JANEIRO DE 1932
MARANDUBA
Num dos maiores feitos de Lampião, o bando trava combate com força policial muito superior em número. Ao menos cinco policiais morrem no local. Doze ficam feridos, alguns dos quais morrem em seguida. Ao menos três cangaceiros teriam morrido. Foi o maior combate travado por Lampião na Bahia
13 DE MARÇO DE 1932
CONFRONTO COM A POLÍCIA
O bando troca tiros com policiais e se retira para o Raso da Catarina levando os feridos. Três soldados, o sargento e o tenente que comandava a tropa saem feridos
1932
FILHA
Nasce Expedita, filha de Virgolino e Maria Bonita. A menina é entregue a um aliado de confiança de Lampião até ter idade de ir à escola, quando deveria ficar com João Ferreira, o único dos filhos de José Ferreira a não entrar para o cangaço
OUTUBRO DE 1932
MORTE DE CANGACEIROS
Dois cangaceiros morrem em conflito com a polícia. Muitas armas e munições foram achadas no local
8 DE JULHO DE 1933
SAQUE A OLIVARES
Lojas e fazendas são saqueadas
SETEMBRO DE 1933
TENTATIVA DE ENVENENAMENTO
Policiais emboscam cangaceiros e enviam farinha misturada com estriquinina. Eles atacam a casa, em Campo Formoso, mas o bando fogem às pressas. Um soldado e um cangaceiro morreram. Quando a tropa entra na casa, descobre que a farinha não foi tocada
OUTUBRO DE 1933
RESTRIÇÕES NA BAHIA
Bando é atacado pela polícia em Monte Alegre. Quatro dos seis cangaceiros morrem. A repressão na Bahia, e imediações, torna-se intensa e Lampião passa a restringir suas atividades às divisas do Estado. Passa a maior parte do tempo entre Sergipe e Alagoas
ABRIL DE 1934
TENTATIVA DE ENVENENAMENTO E ARMADILHA
Em Paripiranga, divisa da Bahia com Sergipe, policiais voltam a enviar comida envenenada ao bando. Lampião descobre o plano e arma arapuca para quando os policiais viessem verificar se tinham tido sucesso. Sargento morreu no ataque
JULHO DE 1934
CONFRONTOS
Policiais e cangaceiros se enfrentam durante dois dias seguidos em Sergipe e um membro do bando de Lampião morre
DEZEMBRO DE 1934
ASSALTO A USINA
Bando ataca usina de açúcar em Sergipe. O interventor nomeado para governar o Estado havia ido a festa no local no mesmo dia
FIM DE MAIO DE 1935
RETORNO A PERNAMBUCO
Lampião volta a atuar emn Pernambuco e, perto da fronteira com Alagoas, tem novo confronto com a polícia
24 DE JUNHO DE 1934
ASSASSINATO E CASTRAÇÃO
Grupo comandado pelo cunhado de Lampião mata homem acusado de delatá-los à polícia e castra o filho dele, em Pão de Açúcar, Alagoas
JULHO DE 1935
COMANDO UNIFICADO
Em congresso em Recife (PE), estados atingidos pelo cangaço criam comando unificado, sob comando da Bahia. Comprometem-se a compartilhar informações
O POVO.doc
Lampião com Maria Bonita
20 DE JULHO DE 1935
MARIA BONITA É FERIDA
Bando se envolve em tiroteio no povoado de Serrinha, comarca de Bom Conselho. Maria Bonita é ferida. Os cangaceiros fogem apressadamente. Diversos destacamentos da polícia os perseguem, mas eles escapam
SETEMBRO DE 1935
CANGACEIROS MORTOS POR CIVIS
Quatro cangaceiros morrem em confronto com civis. O dono da fazenda onde ocorreu o combate, em Mata Grande, também é morto
OUTUBRO DE 1935
VINGANÇA
Lampião promete vingar a morte de cangaceiros em Mata Grande. Em outubro, mata um idoso e uma moça em ataque a fazenda
1936
FILMAGENS DE LAMPIÃO
Em 29 de dezembro de 1936, O POVO noticia que o sírio Benjamin Abrahão, ex-secretário do padre Cícero, havia feito filmagens do Lampião. Havia tido o apoio da empresa de fotografias Abafilm, de Fortaleza. Encontrou o cangaceiro na Bahia e fez registros únicos. Porém, o material foi retido pela ditadura do Estado Novo, que se instalou em 10 de novembro de 1937. Abrahão morreu em 7 de maio de 1938, antes de Virgolino. O valioso material passou anos perdido e esquecido
FIM DE MAIO DE 1936
PERNAMBUCO E PARAÍBA
Lampião intensifica a atuação em Pernambuco e extende a ação até Monteiro, na Paraíba, onde passou anos sem atuar. Praticou extorsões, sequestros e assaltos a fazendas e vilas
O POVO.doc
COMEÇO DE JUNHO DE 1936
GRUPO DIZIMADO
Civis destroem um dos subgrupos de Lampião, sob comando do terrível José Bahiano
José Bahiano, em foto achada com Lampião ao ser morto
FIM DE SETEMBRO DE 1936
ATAQUE A PIRANHAS
Um dos subgrupos de Lampião, com presença de Corisco, ataca Piranhas. Os civis ficam sabendo da chegada a resistem. Dois cangaceiros e dois moradores morrem. Um deles foi o homem que avisou aos cangaceiros que não havia policiais no local. A informação era verdadeira, mas o bando não ligou, frustrado pelo fato de ter encontrado resistência
OUTUBRO DE 1936
POLICIAIS MATAM CANGACEIROS
Em confronto perto de Porto da Folha, Sergipe, policiais baianos sob comando de José Rufino matam três cangaceiros
MARÇO DE 1937
POLICIAIS MATAM CANGACEIROS
Pequeno grupo de cangaceiros luta com policiais. Só um membro do bando, Beija-Flor, escapa
O POVO.doc
11 DE JANEIRO DE 1938
MAIS UMA FALSA MORTE
É divulgada a notícia de que Lampião morreu de tuberculose. Foi a última notícia falsa a esse respeito
Notícia da falsa morte
O POVO.doc
28 DE JULHO DE 1938
ANGICOS
Lampião e 11 membros de seu bando morreram numa emboscada em Angicos, Sergipe
O POVO noticia morte de Lampião
18 DE ABRIL DE 1938
SAQUES EM ALAGOAS
O bando saqueia série de povoados em Alagoas, de Traipu a Arapiraca. Em 18 de abril, em Girau, arrombaram casas em busca de ouro e saquearam lojas. Sargento que tentou organizar a defesa foi gravemente ferido
O POVO.doc
11 DE JANEIRO DE 1938
MAIS UMA FALSA MORTE
É divulgada a notícia de que Lampião morreu de tuberculose. Foi a última notícia falsa a esse respeito
Notícia da falsa morte
O POVO.doc
25 DE MAIO DE 1940
O FIM
Corisco é morto em confronto com a polícia. Era o principal candidato a sucessor de Lampião, mas já havia perdido o braço direito alguns meses antes, em decorrência de grave ferimento. Sua morte demarca a decadência definitiva do cangaço
Corisco
TRAJETÓRIA DE LAMPIÃO
Cristiane Frota
Created on July 28, 2020
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Transcript
Fundação Joaquim Nabuco
TRAJETÓRIADE LAMPIÃO
Síntese das datas mais importantes relacionadas à vida do bandido mais célebre dos sertões
BANDO DE LAMPIÃO
Arquivo
7 DE JULHO DE 1897
NASCIMENTO
Virgolino Ferreira da Silva (a grafia com "O" consta em sua certidão de nascimento, embora no batistério e nos registros posteriores tenha ficado célebre como Virgulino) nasceu em 7 de julho de 1897 na comarca de Vila Bela, atual município de Serra Talhada, em Pernambuco. A data consta na certidão de nascimento. O ano foi muitas vezes informado, equivocadamente, como 1900. O próprio Virgulino acreditava que assim fosse. No bastistério, documento eclesiástico do batismo, consta a data de 4 de junho de 1898
Imagem da paisagem onde nasceu Lampião
Foto feita por Billy Jaynes Chandler
DEZEMBRO DE 1916
AS BRIGAS
Há informações contraditórias sobre a entrada de Virgolino no cangaço. O consenso é a relação com o vizinho da família, José Saturnino, filho de importante fazendeiro. Havia acusações mútuas de invasões de propriedades e roubos de animais. A questão foi levada à Polícia. Em dezembro de 1916, degenerou em violência. Virgulino, seus irmãos Antônio e Levino e mais um morador da fazenda da família trocaram tiros com Saturnino e seus homens. Antônio foi ferido na perna. Foi o início da trajetória de violência
Foto de José Saturnino em 1975, sentado, à direita
Arte: Guabiras. Fonte: O POVO.doc
1918
O CANGAÇO
José Ferreira dos Santos, pai de Virgolino, buscou entendimento para evitar novas violências envolvendo Saturnino. Vendeu a fazenda e assumiu compromisso de que a família não voltaria às proximidades de sua antiga casa. Estabeleceram-se na propriedade Poço do Negro, perto da Vila de Nazaré, comarca de Floresta, Pernambuco. Saturnino e seus familiares tampouco poderiam circular por ali. Mas, Saturnino e seu cunhado foram vistos em Nazaré e se tornaram alvos de emboscada armada por Virgolino. Ninguém se feriu e, no dia seguinte, Poço do Negro foi atacada. Os irmãos Ferreira passaram a só andar armados e com vestimentas de bandidos profissionais: chapéu com aba virada na frente, lenços no pescoço e cartucheiras
Raio-X do cangaco
1920
NOVAS MUDANÇAS E A MORTE DA MÃE
Após novos conflitos em Nazaré, a família teve de novo de se mudar e foi para fazenda alugada na localidade Olho d'Água, perto da comarca de Água Branca, Alagoas. Porém, os irmãos Ferreira estavam ainda mais envolvidos com o crime. Voltaram a Pernambuco para ataques às terras de Saturnino e seus familiares. Trocaram também tiros em Água Branca, o que os forçou de novo a se mudarem. José Ferreira, então, rumou com a mulher, Maria Selena da Purificação, e os filhos mais novos para a comunidade de Mata Grande. A mãe de Virgulino estava gravemente doente. Na mudança, a caminho de Mata Grande, pararam para descansar nas terras de Senhô Fragoso, um conhecido. Lá, Maria morreu. José Ferreira aceitou a hospitalidade de Fragoso e ficou morando em uma das casas da fazenda
O POVO.doc
9 DE MAIO DE 1921
LAMPIÃO
Os irmãos Antônio, Levino e Virgolino estavam ainda mais envolvidos com violência. Mais novo dos três, Virgolino assumia papel de liderança. Agiam em parceria com Matildes, veterano da violência em Pernambuco. Organizaram ataque a Piraconha e saquearam o povoado. Seria retaliação pela proximidade entre o delegado de Piraconha e o chefe de Polícia de Água Branca, acusados de hostilizar Matildes e os Ferreira. No episódio, testemunhas se referiam a Virgolino como Lampião, apelido surgido cerca de dois anos antes
Lampião
18 DE MAIO DE 1921
MORTE DO PAI
Quando José Ferreira debulhava milho em frente ao alpendre da casa de Fragoso, a polícia alagoana cercou o local e matou tanto o pai de Lampião quanto Fragoso. Argumentaram acreditar ser refúgio dos criminosos que haviam atacado Pariconha e disseram ter encontrados na casa objetos roubados no povoado. Há, porém, fontes que situam esses acontecimentos em 1920. Alguns afirmam que a morte do pai de Virgulino teria sido anterior ao ataque a Pariconha. A questão é crucial. Lampião apontou o assassinato do pai pela polícia como motivo para abraçar o cangaço. Porém, conforme o historiador Billy Jaynes Chandler, no livro Lampião, o rei dos cangaceiros, o processo na Justiça e notícias de jornal situam os episódios em maio de 1921
1921/1922
O CHEFE E PROFESSOR DE LAMPIÃO
Após semanas de aliança com os Porcino, os Ferreira entram no bando de Sebastião Pereira, com quem Lampião adquiriu experiência em campo de batalha e aprendeu sobre a costura de rede de alianças. Nesse período, enfretaram a polícia várias vezes, incluindo grandes e prolongados combates. Foi quando Virgolino ficou gravemente ferido pela primeira vez, baleado no ombro e na virilha. Carregado pelo irmão Levino e por outro membro do bando, passou semanas em recuperação
1922
O BANDO DE LAMPIÃO
Após alguns meses atuando junto de Lampião e seus irmãos, Sebastião Pereira retomou a resolução de abandonar o cangaço e foi morar no estado de Goiás, onde viveu até avançada idade. Então Virgolino tornou-se o chefe do bando formados por seus irmãos e remanescentes do grupo de Pereira. Tornou-se quase de imediato o mais importante bandido dos sertões e conservou o status por 16 anos, até sua morte
Do livro de Billy Jaynes Chandler
26 DE JUNHO DE 1922
VIRGOLINO LIDERA ATAQUE
A façanha que começou a projetar a fama de Lampião. Foi o primeiro grande ataque liderado por ele. Foi em Água Branca, Alagoas. Com grupo de aproximadamente 50 cangaceiros, assaltaram a casa da baronesa de Água Branca, membro de família elevada à nobreza no Império. Pela primeira vez, seu nome saiu em jornais locais. A notícia foi publicada no Correio da Pedra (Alagoas) e no Diário de Pernambuco
Água Branca, onde se projetou a fama de Lampião
JULHO DE 1922
LAMPIÃO ASSOMBRA O SERTÃO
As semanas após o ataque a Água Branca foram intensas. Ele atacou Espírito Santo, na fronteira entre Pernambuco e Alagoas. Em 8 de julho, investiu contra policiais reforçados por voluntários civis e os pôs para fugir. Três soldados morreram e dois ficaram gravemente feridos. O Diário de Pernambuco o qualificou, em 29 de agosto de 1922, como "um dos piores facínoras" que apareceram naquela área
15 DE AGOSTO DE 1922
VINGANÇA
Lampião e dois de seus homens encontram na estrada Manoel Cypriano de Souza. Era o homem que havia indicado à polícia onde encontrar o pai de Virgolino, para o matarem. Lampião o matou com três tiros e ordenou que seus companheiros atirassem no cadáver. De lá, foram à casa de Cypriano e a saquearam
20 DE OUTUBRO DE 1922
ASSASSINATO DE LUÍS GONZAGA DE SOUZA FERRAZ
Em um dos crimes mais conhecidos do início da carreira de Lampião, ele assassinou o coronel Luís Gonzaga de Souza Ferraz, rico fazendeiro, comerciante e chefe político. Ele era desafeto de Ioiô Moroto, um parente de Segastião Pereira. O crime ocorreu em São José do Belmonte, em Pernambuco, quase divisa com o Ceará. O bando cangaceiro travou intenso tiroteio com policiais e moradores tanto na chegada quanto na saída. Mataram o coronel e saquearam seu armazém. Na retirada, entre quatro ou cinco cangaceiros morreram em novo tiroteio
JULHO DE 1923
ATAQUES A FAZENDAS E CONFRONTO COM A POLÍCIA
O mês foi marcado por ataques a fazendas no interior de Alagoas e confronto com policiais comandados por seu tradicional inimigo, o tenente José Lucena, que comandou o ataque que matou o pai de Virgolino
JULY 31, 1923 — AUGUST 1, 1923
OS NAZARENOS
Lampião e seu bando chegaram a Nazaré, onde os irmãos Ferreira começaram a vida como bandidos. Foram ao casamento de uma prima e para o baile na noite da véspera. Segundo uma das versões, a prima teria sido amor de infância. A população temia violência se a polícia aparecesse e houve pedido para que se retirasse. Lampião se irritou, mas foi para fora da cidade. Levou, todavia, a sanfona: disse que, se ele não poderia dançar, ninguém mais iria. No dia seguinte, voltaram para a cerimônia. A polícia apareceu e houve troca de tiros. A população ajudou na luta contra os cangaceiros, que fugiram. Os nazarenos, a partir dali, organizaram-se a passaram a perseguir os cangaceiros. Foram os mais persistentes inimigos de Virgolino
30 DE DEZEMBRO DE 1923
PRINCEZA
No segundo semestre de 1923, Lampião se instalou na comarca de Princeza, sob proteção do coronel Marçal Diniz. Virgolino fez amizade com o filho do coronel, Marcolino Pereira Diniz. No fim de dezembro, Marcolino discutiu com o juiz local durante baile na cidade de Triunfo, em Pernambuco. O filho do coronel matou o magistrado no meio da rua e foi preso. Algum tempo depois, Lampião levou grupo de aproximadamente 80 cangaceiros para os arredores da cidade, cobrando a libertação de Marcolino, no que foi atendido
COMEÇO DE 1924
ATAQUE A SANTA CRUZ
O bando de Lampião atacou fazenda em Santa Cruz, em busca de Clementino Furtado, chefe de poderosa família. Após horar de tiroteios, mataram familiares de Clementino e deixaram feridos entre os defensores da propriedade. Até serem repelidos por destacamento da polícia. Retornaram dias depois e houve novo tiroteio. Inclusive para se proteger, Clementino se alistou como sargento da polícia e, como os nazarenos, foi dos mais tenazes perseguidores de Lampião
MARÇO DE 1924
FERIDO
Em confronto com a polícia pernambucana, Lampião foi ferido no calcanhar. Ele se escondeu enquanto seus homens continuaram a trocar tiros para permitir sua retirada. Como se envolveram em novo embate com os policiais, não conseguiram encontrá-lo e ele passou dias sozinho e ferido, até ser encontrado. A recuperação levou meses
7 DE JULHO DE 1924
ATAQUE A SOUSA (PB)
Lampião ainda se recuperava e enviou seu bando, tomar parte de ataque à cidade de Sousa, na Paraíba, e promoveram grande saque. Acompanharam aliados que buscavam vingança contra pessoas influentes na cidade
7 DE JULHO DE 1924
PRIMEIRA INFORMAÇÃO FALSA DA MORTE DE LAMPIÃO
O governo da Paraíba informa que Lampião foi morto em confronto com a Polícia
COMEÇO DE 1925
REAPARIÇÃO
Após ataque a Sousa, pouco se teve notícia do bando de Lampião, salvo combates esporádicos. No começo de 1925, os jornais voltaram a trazer informações sobre ele, com passagens por Paraíba, Pernambuco e Alagoas
Biblioteca Nacional
FEVEREIRO DE 1925
RESISTÊNCIA
Virgolino e seu bando exigiram de moradores de renome em Mata Grande, em Alagoas, elevadas somas em dinheiro. Como não recebeu, tentou invadir a cidade, mas enfrentou resistência inesperada. Um de seus homens morreu, dois ficaram feridos. Eles, então, se retiraram em direção a Pernambuco
Virgulino Ferreira da Silva
FEVEREIRO DE 1925
COMBATE EM SERROTE PRETO
Policiais pernambucanos e paraibanos que perseguiram os bandidos após o ataque a Mata Grande os alcançaram na fazenda Serrote Preto, na divisas entre Pernambuco, Alagoas e Bahia. Com estratégia de atacar o flanco dos paraibanos, os cangaceiros os deixaram sob fogo cruzado de bandidos e pernambucanos. O resultado foi um desastre: 12 policiais mortos e outros tantos feridos. A imprensa noticiou que quatro cangaceiros teriam morrido, mas os números de vítimas entre os criminosos costumavam ser inexatos
COMEÇO DE JULHO DE 1925
COMBATE EM FLORES
Após meses sem aparições dos cangaceiros, eles têm confronto com a polícia da paraíba, já em território pernambucano. Os cangaceiros teriam ido castigar fazendeiro acusado de violentar sexualmente as próprias filhas. Como punição, os cangaceiros o teriam estuprado. Lá eles foram alcançados pelos policiais. Foi embate duro, no qual as autoridades estimaram muitos cangaceiros feridos, devido à quantidade de sangue depois encontrada no local
JULHO DE 1925
MORTE DE LEVINO
Os policiais seguiram no encalço dos cangaceiros após o combate em Flores. Em confronto com a tropa sob comando do sargento José Guedes, morreu Levino Ferreira, primeiro irmão de Lampião a morrer no cangaço. Ficou famosa a versão de que, após sua morte, Virgolino havia lhe amputado a cabeça, na tentativa de evitar que a polícia tivesse conhecimento de que havia imposto semelhante perda. Era parte da guerra simbólica e psicológica. A morte do irmão demarca certa guinada na postura de Lampião. Seus atos se tornaram cada vez mais violentos e cruéis
AGOSTO/SETEMBRO DE 1925
EMBOSCADA E VINGANÇA
Após algum tempo recluso depois da morte do irmão, voltou-se a ter notícia de Lampião em emboscada armada contra o grupo de policiais comandados por José Guedes, na vila pernambucana de Gavião. Após tiroteio intenso, os cangaceiros fugiram. Um policial morreu. As autoridades relataram a morte de quatro cangaceiros. Pouco tempo depois, houve nova emboscada, na qual os policiais relataram a morte de dois cangaceiros
AGOSTO/SETEMBRO DE 1925
CRUELDADE
Após o confronto com os homens de José Guedes, o bando de Lampião se dividiu em dois para atacar os povoados de Caboré e Alagoa do Serrote. Morreram sete pessoas e muitos ficaram feridos. Entre as vítimas, pelo menos uma criança e um idoso, ambos desarmados. Conforme testemunhas, os alvos tinham sido pessoas pobres e sem histórico de desavença com os cangaceiros
OUTUBRO DE 1925
REFÚGIO NO CARIRI
Em meio a intensa perseguição da polícia paraibana, Lampião rumou para o Cariri, sul do Ceará. Os cangaceiros foram vistos em vários lugares, em passagem pacífica. Em Mauriti, chegaram em dia de feira, fizeram compras e pagaram por tudo. Deixaram boa impressão
JANEIRO DE 1926
CONFRONTO COM A POLÍCIA
O bando tem grande confronto com a polícia perto de Triunfo e cangaceiros saíram feridos
FEVEREIRO DE 1926
ENCONTRO COM A COLUNA PRESTES
Os cangaceiros de Lampião travam combate com a Coluna Prestes, mas pensam se tratar da polícia
14 DE FEVEREIRO DE 1926
NOVA NOTÍCIA FALSA DA MORTE DE LAMPIÃO
Governador de Pernambuco anuncia que Lampião foi morto. A notícia não procede
23 DE FEVEREIRO DE 1926
MORTE DE UM INIMIGO
O bando ataca Serra Vermelha e mata José Nogueira, parente de Saturnino. Além de histórico inimigo, o ataque teve como motivação carta enderaçada aos nazarenos, com informações sobre o paradeiro e os esconderijos do cangaceiro
Do livro de Bily Jaynes Chandler
4 DE MARÇO DE 1926
JUAZEIRO DO NORTE
Lampião e seu bando chegam a Juazeiro do Norte, Ceará. Havia recebido convite do deputado federal cearense Floro Bartolomeu para integrar os Batalhões Patrióticos, formados para combater a Coluna Prestes. O bando foi alvo da curiosidade popular. Reuniu a família pela última vez. Muitos familiares, egressos de Vila Bela e proximidades, haviam ido para Juazeiro do Norte, meca da religiosidade nordestina. Lá, fizeram a última foto de família
Foto da família Ferreira em Juazeiro do Norte
MARÇO DE 1926
COM O PADRE CÍCERO
Virgolino teve encontro com o padre Cícero Romão Batista. Supostamente a mando do sacerdote, Pedro de Albuquerque Uchôa, inspetor agrônomo do Ministério da Agricultura, numa folha de papel almaço, assinou documento dando a Virgolino a patente de capitão dos Batalhões Patrióticos. Recorreram a Uchôa no status de única autoridade federal então em Juazeiro. O grupo recebeu armas, munições e a promessa de trânsito livre. Ao chegar a Pernambuco, o bando é perseguido pela polícia do Estado. Virgolino volta a procurar padre Cícero, que recusou o segundo encontro e mandou dizer que nada poderia fazer para forçar a polícia pernambucana a aceitar a patente de capitão. Não se sabe se Lampião de fato abraçaria a reabilitação. O fato é que, contrariado, pouco depois estava cometendo crimes
20 DE ABRIL DE 1926
SOLDADOS COM MALÁRIA
Lampião ataca o povoado de Algodões, em Pernambuco, onde os policiais se encontravam com malária e não conseguiram impor resistência
AGOSTO DE 1926
ATAQUE À FAZENDA SERRA VERMELHA
Contingente aproximado de 80 cangaceiros ataca a fazenda Serra Vermelha, em Serra Talhada, pertencente ao major João Nogueira, parente de José Saturnino
28 DE AGOSTO DE 1926
MASSACRE DA FAMÍLIA GILO
Iludido por um cangaceiro que entrou no bando em busca de vingança pessoal, Lampião ataca a fazenda Tapera, da fazenda Gilo, na zona rural de Floresta, Pernambuco. Morreram 12 pessoas da família e mais um soldado, no que foi uma das mais brutais matanças da história do cangaço. O cangaceiro Horácio Novaes havia forjado cartas com ofensas a Virgolino, supostamente escritas pelos membros da família. Antes de matar o último sobrevivente, Manoel Gilo, Lampião cobra que ele explique a razão dos insultos. Então, o pobre homem responde que ele e seus familiares eram analfabetos. Horácio logo o mata. Ao perceber a farsa em que havia sido lançado, Lampião expulsa o cangaceiro do bando.
16 DE SETEMBRO DE 1926
FERIMENTO E BOATO SOBRE MORTE
Lampião é ferido na omoplata, em combate em Itacuruba. Por essa época, corre novo boato de que teria morrido
26 DE NOVEMBRO DE 1926
COMBATE EM SERRA GRANDE, UM DOS MAIORES DA HISTÓRIA DO CANGAÇO, MARCA FEITO DE ESTRATÉGIA
Os cangaceiros mantinham refém e esperavam resgate por Pedro Paulo Mineiro Dias, funcionário da multinacional Standard Oil. O bando foi atacado por forças policiais sob comando geral do major Theóphanes Ferraz Torres. As tropas de segurança pública tinham três a quatro homens para cada cangaceiro. Mas, Lampião tinha vantagem tática, ao defender de posição superior. Foi um dos maiores combates entre cangaceiros e a polícia e uma das maiores vitórias de Lampião, em um de seus grandes feitos de estratégia em combate
FIM DE 1926
CAMPANHA PERNAMBUCANA PARA ELIMINAR O CANGAÇO
Toma posse no governo de Pernambuco Estácio Coimbra, recém-saído da vice-presidência da República. Prestigiado político nordestino, teve entre as plataformas de campanha a eliminação do cangaço. A missão foi entregue ao bacharel Eurico de Souza Leão, nomeado secretário da Segurança Pública. Era homem metódico e com fama de sanguinário. Empreendeu a mais dura, organizada, persistente e eficaz perseguição que Lampião conheceu
ENTRE O FIM DE 1926 E COMEÇO DE 1927
MORTE DE ANTÔNIO FERREIRA
Durante brincadeira em momento de descontração, Antônio Ferreira, irmão mais velho de Lampião, é ferido em disparo acidental da arma de um dos cangaceiros e morre
19 DE JANEIRO DE 1927
DESLOCAMENTOS E DIVISÃO
Lampião passa a dividir seu grupo com mais frequência e se deslocar mais, em função da campanha de Pernambuco contra o cangaço. Ao longo dos primeiros dias de 1927, sofre intensa perseguição das polícias de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Bahia e Sergipe. No fim de dezembro de 1926, estava no Ceará. Em 19 de janeiro, o bando a pé havia atravessado Pernambuco e chegado perto da divisa com Alagoas. Alcançados pela polícia pernambucana, travaram combate de cerca de três horas, no qual três dos criminosos morreram e outros saíram feridos. A polícia alagoana prendeu outro cangaceiro
26 DE ABRIL DE 1927
PERNAMBUCO DÁ LAMPIÃO POR VENCIDO
Souza Leal comemora a campanha contra o cangaço. Diz que o bando se pulverizou em pequenos grupos e, para ele, o assunto Lampião não tinha mais importância, segundo disse ao jornal Correio do Ceará
MAIO DE 1927
NOVOS TERRITÓRIOS
Diante de intensa perseguição, Lampião busca novos alvos. Mandou seu bando atacar a vila de Uiraúna, no norte da Paraíba, onde nunca havia agido antes
MAIO DE 1927
CHEFE DE POLÍCIA RECEBE LAMPIÃO NO CEARÁ
Se era perseguido em outros estados, Lampião tinha tratamento de estrela no Ceará. Em maio, a imprensa noticiou seu encontro com o chefe de Polícia de Aurora. Consta que Virgolino o convidou para um cafezinho. Estava na ocasião acompanhado de grande grupo de cangaceiros. Ele dividia e reunia os grupos menores peroidicamente, de modo a escapar do cerco
JUNHO DE 1927
BAIXAS NO BANDO
Major Theóphanes anuncia que 100 cangaceiros foram mortos ou capturados desde dezembro, quando tem início a campanha contra o cangaço. Aproximadamente um quarto deles, segundo disse, faziam parte do bando de Lampião
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13 DE JUNHO DE 1927
A MAIOR DERROTA
Sob cerco em Pernambuco, perseguido em Alagoas e Paraíba e com pacto informal pelo qual preservava o Ceará, Lampião seguiu em busca de novos territórios. No Rio Grande do Norte, empreendeu a ação mais ousada de sua trajetória. Mossoró, cidade mais rica e importante do interior daquele estado, foi também a maior cidade que atacou. E marcou sua maior derrota. Forte defesa foi armada e cinco ou seis cangaceiros morreram. Foram expulsos após uma hora e meia de combate. Segundo os relatos, Virgolino ficou verdadeiramente surpreso e abalado com a derrota
Capela de São Vicente, em cujas torres foram posicionados atiradores que reagiram ao ataque de Lampião
Do livro de Billy Jeynes Chandler, creditada como cortesia do museu histórico de Fortaleza
Bando em Limoeiro do Norte
15 DE JUNHO DE 1927
HOSPITALIDADE EM LIMOEIRO DO NORTE
Após o fracasso em Mossoró, os cangaceiros buscaram refúgio em Limoeiro do Norte. A polícia, avisada previamente, retirou-se da cidade. O bando entrou dando vivas ao governador Moreira da Rocha e ao padre Cícero. Os chefes políticos mataram um boi para recepcioná-los. Os cangaceiros comeram, fizeram orações na cidade, receberam a contribuição em dinheiro combinada com os líderes locais e partiram
20 DE JUNHO DE 1927
EMBOSCADA DA POLÍCIA
Lampião ia em direção a Aurora após deixar Limoeiro do Norte. Era perseguido por tropas do Rio Grande do Norte, da Paraíba e também do Ceará, que tomaram as dores do ataque a Mossoró. Na região do Jaguaribe, foram os cangaceiros dessa vez que foram alvos de emboscada. Conseguiram fugir, mas foi um dos momentos em que o bando se viu em maior desvantagem estratégica. Houve outros combates nos dias seguintes. Ficaram acuados e quase sem comida. Foram seus piores momentos em passagens pelo Ceará. A polícia do Estado foi muito criticada por não ter conseguido tirar vantagem da situação favorável
7 DE JULHO DE 1927
TRAIÇÃO
Os cangaceiros são recebidos na casa do coronel Isaías Arruda, antigo aliados. Ao comerem, percebem, gosto estranho na comida - Virgolino ainda não havia provado, pois esperava que nos homens comessem. Eles haviam sido traídos. Vários começam a sentir náuseas. Do lado de fora, a polícia começa a atirar. O bando consegue romper o cerco e foge
MARÇO DE 1928
MORTE DE SABINO
Os cangaceiros são atacados por tropas de nazarenos perto da fazenda de um aliado. Um dos homens de maior confiança de Lampião, Sabino é gravemente ferido. Após alguns dias, ele insiste para que o matem, devido ao sofrimento e por estar atrapalhando a fuga do bando
21 DE AGOSTO DE 1928
A TRAVESSIA DO SÃO FRANCISCO
Diante da repressão de que passou a ser alvo ao norte do São Francisco e sem segurança mais nem mesmo no Ceará, Lampião faz a travessia de canoa e pela primeira vez passa a atuar na região ao sul do rio. É uma nova era para o bando, e o início de nova fase de violência para a Bahia
26 DE AGOSTO DE 1928
TIROTEIO COM POLÍCIA PERNAMBUCANA EM TERRITÓRIO BAIANO
Os cangaceiros são alcançados em Senhor do Bonfim pelos policiais pernambucanos, sob comando de Manuel Neto. Fogem após breve troca de tiros. Devido à tortura de testemunhas na busca pelos criminosos, o governo baiano pediu aos pernambucanos que deixassem seu território
FIM DE DEZEMBRO DE 1928
PRIMEIRO CONFRONTO NA BAHIA
A Polícia baiana tomou conhecimento de que Lampião estava em Massacará e cercou a casa. Ao começarem a atirar, foram alvos de disparos de dentro e de fora. Os cangaceiros os esperavam. Foi a trágica introdução às táticas de Lampião, no que foi o primeiro encontro sério com a Polícia ao sul do São Francisco. A tropa foi posta em fuga. Dois morreram
7 DE JANEIRO DE 1929
OUTRO CONFRONTO E MORTE DE POLICIAIS E CANGACEIRO
A Polícia baiana alcança Lampião na Vila de Abóboras. Corisco, o "diabo louro", comanda a resistência para permitir a fuga do bando. Dois policiais morreram e dois ficaram feridos. Gravemente ferido, o cangaceiro "Mergulhão" foi primeiro do bando a morrer na Bahia
FIM DE FEVEREIRO DE 1929
SERGIPE
O bando chega à cidade de Carira, em Sergipe, por onde passa de forma pacífica. Beberam, fizeram compras e pediram dinheiro
ABRIL DE 1929
ASSALTO A PEDRA BRANCA
O bando assalta a vila de Pedra Branca, município de Juazeiro, às margens do São Francisco. A trégua na Bahia havia ficado definitivamente para trás e o estado havia se tornado a principal base de suas operações
ABRIL DE 1929
ASSALTO A CANINDÉ
Ainda em operação às margens do São Francisco, o bando assalta Canindé, em Sergipe
ABRIL DE 1929
CONFRONTO COM A POLÍCIA
O bando tem encontro com a Polícia baiana quando extorquia em Pinhão, Sergipe
4 DE JULHO DE 1929
ATAQUE A POLICIAIS
Policiais que perseguiam fugitivos de cadeia foram surpreendidos e mortos pelos cangaceiros
COMEÇO DE JULHO DE 1929
ATAQUE A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA
O bando incendeia estação de trem em Itumirim, na estrada de ferro entre Juazeiro e Salvador. Cortou também os fios telegráficos. Os cangaceiros tentavam conter melhorias nas comunicações e transportes, pois contavam com o isolamento para seu sucesso. Em agosto de 1929, foi suspensa temporariamente a construção de estrada entre Juazeiro e Santo Antônio da Glória, devido a ameaças de Lampião - ele dizia que cortaria a cabeça do oficial e os pés dos trabalhadores
SETEMBRO DE 1929
GRUPO CRESCE
Corre a notícia de que o bando de Lampião estava crescendo. Alguns de seus antigos companheiros só agora atravessavam o São Francisco, para se unir a ele. Os cangaceiros estavam divididos em subgrupos, como faziam em Pernambuco
17 DE SETEMBRO DE 1929
DISTRIBUIÇÃO DE MERCADORIAS
Em Riacho Seco, município de Curaçá, estabelecimentos comerciais foram saqueados. Em um deles, mercadorias foram distribuídas à população
OUTUBRO DE 1929
MORTE DE TRABALHADORES
Ao tomar conhecimento de que os trabalhos da estrada que saia de Juazeiro haviam sido retomados, Lampião cumpre sua ameaça. Ataca canteiro e mata nove trabalhadores
25 DE NOVEMBRO DE 1929
VISITA A CAPELA
Em célebre aparição, o bando visita a cidade sergipana de Capela. Lampião chega de carro, pede para ser recebido pelo prefeito e é atendido. Eles assumem o controle das comunicações e impedem contatos via telefone ou telégrafo, além de montarem guarda na estação de trem. Lampião pediu dinheiro. Em seguida, os cangaceiros passearam, fizeram compras e receberam visita do padre
22 DE DEZEMBRO DE 1929
ATAQUE A QUEIMADAS
O bando chega a Queimadas e extorque dinheiro. Os policiais foram rendidos. Sete foram mortos a sangue frio. Só o sargento foi poupado. Depois, os cangaceiros festejaram com moças da região
25 DE DEZEMBRO DE 1929
RECHAÇADOS EM MIRANDELA
O bando tenta entrar em Mirandela. Os policiais se negam a dar permissão e os cangaceiros atacam. São repelidos por policiais, com apoio de civis. Um cangaceiro ficou ferido e dois civis morreram
25 DE MARÇO DE 1930
EMBOSCADA
Lampião prepara ataque surpresa a policiais que o perseguiam. Dois ficam gravemente feridos e um morre
FIM DE MAIO DE 1930
RECHAÇADOS PELA POLÍCIA
O bando ataca Patamuté, mas é rechaçado pela Polícia. Na retirada, encontram trabalhadores em estrada e matam um deles
22 DE JULHO DE 1930
SAQUE EM PINHÃO
Em 22 de julho de 1930, o bando pratica saque em estabelecimentos comerciais
1º DE AGOSTO DE 1930
EMBOSCADA
Na fazenda Mandacaru, os cangaceiros emboscaram os policiais que os perseguiam. O tenente Geminiano José dos Santos foi morto, bem como o sargento que era seu segundo em comando. O resto dos homens fugiu de forma desordenada. No total, cinco morreram e cinco ficaram feridos. Todos os corpos foram esfaqueados, o sargento teve olhos arrancados e a cabeça do tenente foi cortada
FIM DE NOVEMBRO A COMEÇO DE DEZEMBRO DE 1930
RETORNO AO NORTE DO SÃO FRANCISCO
Em 26 de novembro de 1930, Lampião visita pela primeira vez a região ao norte do São Francisco. Assaltam fazenda, espancam proprietário e matam a facadas um ex-soldado nazareno. Levaram o proprietário e outro homem como reféns e cobraram resgate. Mataram também ex-delegado. De lá, seguiram para Jatobá, atual Petrolândia, onde praticaram assaltos e extorsões. Seguiram em direção ao leste e, em Águas Belas, raptaram o coronel João Nunes, ex-chefe de Polícia de Pernambuco. Ele acabou conquistando a admiração dos cangaceiros, que se afeiçoaram a ele e o libertaram
Foto feita por Benjamin Abraão e publicada pelo O POVO em 1936
ENTRE 1930 E 1931
MARIA BONITA
Em Jeremoabo, Virgolino conhece Maria Déia. Dona Maria, como os cangaceiros a chamavam. Maria Bonita, como ficou célebre. Era casada com José Neném, mas, incentivada inclusive pela mãe, deixa o marido e segue Lampião, de quem se torna companheira até o fim de suas vidas
Maria Bonita, em 1936
24 DE ABRIL DE 1931
MORTE DO IRMÃO MAIS NOVO
Irmão mais novo de Lampião, que entrou para o cangaço em 1927, Ezequiel Ferreira morre em confronto contra a Polícia baiana, na fazenda de Umbuzeiro do Touro. O bando de Lampião passa, então, a espalhar morte e destruição, como vingança. Vítimas eram escolhidas aleatoriamente entre quem encontravam na estrada
8 DE MAIO DE 1931
OFENSIVA CONTRA PETRONILO REIS
O bando destrói o povoado de Várzea da Ema, na Bahia. Dois dos sete soldados que defendiam o local morreram. O alvo era o fazendeiro Petronilo Reis, que havia sido dos primeiros aliados de Lampião na chegada à Bahia, mas com quem teve sério desentendimento. Destruição persistiu nos dias seguintes
7 DE DEZEMBRO DE 1931
ESCONDERIJO ENCONTRADO
Na longínqua localidade do Raso da Catarina, a polícia baiana chega a um dos principais esconderijos de Lampião e troca tiros com cangaceiros, que fogem. Jornalista do jornal carioca Diário da Noite os acompanhava e narra a descoberta
5 DE JANEIRO DE 1932
MARANDUBA
Num dos maiores feitos de Lampião, o bando trava combate com força policial muito superior em número. Ao menos cinco policiais morrem no local. Doze ficam feridos, alguns dos quais morrem em seguida. Ao menos três cangaceiros teriam morrido. Foi o maior combate travado por Lampião na Bahia
13 DE MARÇO DE 1932
CONFRONTO COM A POLÍCIA
O bando troca tiros com policiais e se retira para o Raso da Catarina levando os feridos. Três soldados, o sargento e o tenente que comandava a tropa saem feridos
1932
FILHA
Nasce Expedita, filha de Virgolino e Maria Bonita. A menina é entregue a um aliado de confiança de Lampião até ter idade de ir à escola, quando deveria ficar com João Ferreira, o único dos filhos de José Ferreira a não entrar para o cangaço
OUTUBRO DE 1932
MORTE DE CANGACEIROS
Dois cangaceiros morrem em conflito com a polícia. Muitas armas e munições foram achadas no local
8 DE JULHO DE 1933
SAQUE A OLIVARES
Lojas e fazendas são saqueadas
SETEMBRO DE 1933
TENTATIVA DE ENVENENAMENTO
Policiais emboscam cangaceiros e enviam farinha misturada com estriquinina. Eles atacam a casa, em Campo Formoso, mas o bando fogem às pressas. Um soldado e um cangaceiro morreram. Quando a tropa entra na casa, descobre que a farinha não foi tocada
OUTUBRO DE 1933
RESTRIÇÕES NA BAHIA
Bando é atacado pela polícia em Monte Alegre. Quatro dos seis cangaceiros morrem. A repressão na Bahia, e imediações, torna-se intensa e Lampião passa a restringir suas atividades às divisas do Estado. Passa a maior parte do tempo entre Sergipe e Alagoas
ABRIL DE 1934
TENTATIVA DE ENVENENAMENTO E ARMADILHA
Em Paripiranga, divisa da Bahia com Sergipe, policiais voltam a enviar comida envenenada ao bando. Lampião descobre o plano e arma arapuca para quando os policiais viessem verificar se tinham tido sucesso. Sargento morreu no ataque
JULHO DE 1934
CONFRONTOS
Policiais e cangaceiros se enfrentam durante dois dias seguidos em Sergipe e um membro do bando de Lampião morre
DEZEMBRO DE 1934
ASSALTO A USINA
Bando ataca usina de açúcar em Sergipe. O interventor nomeado para governar o Estado havia ido a festa no local no mesmo dia
FIM DE MAIO DE 1935
RETORNO A PERNAMBUCO
Lampião volta a atuar emn Pernambuco e, perto da fronteira com Alagoas, tem novo confronto com a polícia
24 DE JUNHO DE 1934
ASSASSINATO E CASTRAÇÃO
Grupo comandado pelo cunhado de Lampião mata homem acusado de delatá-los à polícia e castra o filho dele, em Pão de Açúcar, Alagoas
JULHO DE 1935
COMANDO UNIFICADO
Em congresso em Recife (PE), estados atingidos pelo cangaço criam comando unificado, sob comando da Bahia. Comprometem-se a compartilhar informações
O POVO.doc
Lampião com Maria Bonita
20 DE JULHO DE 1935
MARIA BONITA É FERIDA
Bando se envolve em tiroteio no povoado de Serrinha, comarca de Bom Conselho. Maria Bonita é ferida. Os cangaceiros fogem apressadamente. Diversos destacamentos da polícia os perseguem, mas eles escapam
SETEMBRO DE 1935
CANGACEIROS MORTOS POR CIVIS
Quatro cangaceiros morrem em confronto com civis. O dono da fazenda onde ocorreu o combate, em Mata Grande, também é morto
OUTUBRO DE 1935
VINGANÇA
Lampião promete vingar a morte de cangaceiros em Mata Grande. Em outubro, mata um idoso e uma moça em ataque a fazenda
1936
FILMAGENS DE LAMPIÃO
Em 29 de dezembro de 1936, O POVO noticia que o sírio Benjamin Abrahão, ex-secretário do padre Cícero, havia feito filmagens do Lampião. Havia tido o apoio da empresa de fotografias Abafilm, de Fortaleza. Encontrou o cangaceiro na Bahia e fez registros únicos. Porém, o material foi retido pela ditadura do Estado Novo, que se instalou em 10 de novembro de 1937. Abrahão morreu em 7 de maio de 1938, antes de Virgolino. O valioso material passou anos perdido e esquecido
FIM DE MAIO DE 1936
PERNAMBUCO E PARAÍBA
Lampião intensifica a atuação em Pernambuco e extende a ação até Monteiro, na Paraíba, onde passou anos sem atuar. Praticou extorsões, sequestros e assaltos a fazendas e vilas
O POVO.doc
COMEÇO DE JUNHO DE 1936
GRUPO DIZIMADO
Civis destroem um dos subgrupos de Lampião, sob comando do terrível José Bahiano
José Bahiano, em foto achada com Lampião ao ser morto
FIM DE SETEMBRO DE 1936
ATAQUE A PIRANHAS
Um dos subgrupos de Lampião, com presença de Corisco, ataca Piranhas. Os civis ficam sabendo da chegada a resistem. Dois cangaceiros e dois moradores morrem. Um deles foi o homem que avisou aos cangaceiros que não havia policiais no local. A informação era verdadeira, mas o bando não ligou, frustrado pelo fato de ter encontrado resistência
OUTUBRO DE 1936
POLICIAIS MATAM CANGACEIROS
Em confronto perto de Porto da Folha, Sergipe, policiais baianos sob comando de José Rufino matam três cangaceiros
MARÇO DE 1937
POLICIAIS MATAM CANGACEIROS
Pequeno grupo de cangaceiros luta com policiais. Só um membro do bando, Beija-Flor, escapa
O POVO.doc
11 DE JANEIRO DE 1938
MAIS UMA FALSA MORTE
É divulgada a notícia de que Lampião morreu de tuberculose. Foi a última notícia falsa a esse respeito
Notícia da falsa morte
O POVO.doc
28 DE JULHO DE 1938
ANGICOS
Lampião e 11 membros de seu bando morreram numa emboscada em Angicos, Sergipe
O POVO noticia morte de Lampião
18 DE ABRIL DE 1938
SAQUES EM ALAGOAS
O bando saqueia série de povoados em Alagoas, de Traipu a Arapiraca. Em 18 de abril, em Girau, arrombaram casas em busca de ouro e saquearam lojas. Sargento que tentou organizar a defesa foi gravemente ferido
O POVO.doc
11 DE JANEIRO DE 1938
MAIS UMA FALSA MORTE
É divulgada a notícia de que Lampião morreu de tuberculose. Foi a última notícia falsa a esse respeito
Notícia da falsa morte
O POVO.doc
25 DE MAIO DE 1940
O FIM
Corisco é morto em confronto com a polícia. Era o principal candidato a sucessor de Lampião, mas já havia perdido o braço direito alguns meses antes, em decorrência de grave ferimento. Sua morte demarca a decadência definitiva do cangaço
Corisco