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Jornal da Revolução

Raquel Afonso

Created on December 17, 2019

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Transcript

JORNAL

#Edição Especial

2 de outubro de 1383 a2 de dezembro de 1385

DA REVOLUÇÃ0

Cobertura da crise de 1383-1385

Sobressalto nas ruas de Lisboa

No entanto, do outro lado da cidade, fontes indicam que um grupo de conspiradores ameaça pôr fim à ambição castelhana em Portugal e à da aleivosa traidora, D. Leonor Teles, que se senta ao lado do rei castelhano. Sabemos também que esta pequena resistência é liderada pelo filho ilegítimo de D. Pedro I, herdeiro da Casa de Borgonha e do trono Português, e verdadeiro candidato a Rei de Portugal.

Esta manhã de 22 de outubro de 1383, faleceu El-Rei D. Fernando I de Portugal

Após um reinado de quase 38 anos, o Rei não deixou qualquer herdeiro, estando o futuro do reino nas mãos da sua esposa, D. Leonor Teles, e da sua filha Beatriz, casada com D. João I de Castela.

El-Rei D. Fernando I de Portugal

Imediatamente após a morte do Rei D. Fernando, D. João I de Castela autoproclamou-se Rei de Portugal, podendo estar a dar-se início a uma crise que todos receamos.

22 outubro de 1383

Jornal da revolução

Instalada crise de sucessão em Portugal

Independência da Nação em risco

D. João de Castro

D. João, Mestre de Avis

D. Beatriz

Com a morte de D. Fernando, Portugal corre o risco de perder a indepência. A regência do reino foi confiada a D. Leonor Teles até nascer um filho varão a D. Beatriz, casada com D. João de Castela.

A burguesia e uma parte da nobreza juntaram-se à voz popular contra a iminente perda da independência. Neste sentido, apresentaram-se, ontem, dois pretendentes à

à coroa portuguesa: D. João, filho de D. Pedro I e D. Inês de Castro, visto por muitos como o legítimo herdeiro, e D. João, Mestre de Avis, filho de D. Pedro I e de Teresa Lourenço.

O facto de se ter tornado pública a ligação próxima da Rainha, D.Leonor Teles, com o nobre galego João Fernandes, Conde de Andeiro, levanta dúvidas sobre o futuro da Nação.

Jornal da revolução

Morte do Conde de Andeiro

Circulou a “informação” de que o Conde Joam Fernandez agia a mando da Rainha Leonor Teles, e se preparava para assassinar o Mestre. Alguns populares, ao verem as portas do Paço fechadas, quiseram-lhe deitar fogo para queimarem o “traidor” e a “aleivosa". Outros procuraram escadas para tentarem subir às janelas e tentar salvar o Mestre de Avis. A população só descansou

quando viu o Mestre que apareceu numa varanda do Palácio, anunciando a morte do Conde Joam Fernandez, que pagou com a vida a traição que fez à Nação.

Alvoroço na cidade de Lisboa

Mestre de Avis em perigo

Na manhã de ontem, Álvaro Paez, importante partidário do Mestre de Avis, a galope em cima do seu cavalo, veio às ruas anunciar a tentativa de assassinato do Mestre nos Paços da Rainha. A notícia espalhou-se rapidamente, o que causou grande preocupação na população lisboeta e provocou uma deslocação em massa para o Palácio Real.

6 dezembro de 1383

Jornal da revolução

Notícias do cerco de Lisboa

e outros observando este cenário choram e caem numa grande tristeza. De facto, vive-se um período extremamente difícil dentro do cerco; passa-se fome; não existe prazer em viver e todos receiam a morte.

Há pouco milho e trigo. Os que menos posses têm procuram matar a sua fome alimentando-se de pão de bagaço de azeitona, queijo das malvas e raízes de ervas. Sem mais nada com que preencher o espaço vazio nos seus estômagos, alguns bebem tanta água que são encontrados mortos nas ruas. As carnes são também um bem quase inexistente e o que ainda resta é guardado e vendido a preços inacessíveis à grande maioria da população. Nesta situação, o povo é obrigado a comer as carnes das bestas. Moços andam pela cidade, obrigados pelas suas mães, pedindo pão e os

O exército castelhano cercou Lisboa após a morte do Conde Andeiro e na sequência de um pedido de auxílio de D. Leonor Teles. O rei de Castela pretende que o povo se renda, juntamente com o pretendente ao trono, Mestre de Avis.

Desespero dentro das muralhas

O mês de julho está a terminar. Já lá vão 3 meses desde que os castelhanos montaram o cerco à volta da cidade e as dificuldades começam a sentir-se. São escassos os bens alimentares básicos.

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ENTREVISTA

mas também a nível alimentar. Pode falar-nos um pouco acerca disso?MA: Lisboa está cercada, não há chegada de produtos, os preços estão a aumentar e as pessoas começam a entrar em desespero. Como é obvio, sinto-me preocupado e triste, mas temos de nos manter nos unidos para vencermos. JR: Temos dado conta de vários casos de morte, devido à fome e ao desespero por parte de muitas famílias. Tem conhecimento destes casos? MA: Sim, sei que as pessoas estão desesperadas e a ingerir

tudo o que aparece e que possa matar a fome, o que resulta, por vezes em mortes por envenenamento. Quando vejo crianças andar de porta em porta a pedir mantimentos e as pessoas não têm nada, sinto uma grande angústia, mas não há nada que se possa fazer, e eu não posso desistir. JR: Quer deixar alguma mensagem à população? R: Sei que estão a passar por muitas dificuldades, mas quero pedir para não desistirem; temos de nos unir para vencermos e tirarmos Portugal desta crise.

Frente a frente com o Mestre de Avis

JR: Como se sente face à possibilidade de se vir a tornar o futuro rei de Portugal? MA: Estamos a atravessar um período de grave crise e eu sou a melhor solução para Portugal. Se aceitar D. João I de Castela, perdemos nossa a independência e eu estou disposto a fazer o melhor por Portugal e garantir a soberania do Reino. JR: Portugal está a atravessar uma crise não só de sucessão,

D. João, Mestre de Avis

Mestre de Avis é um rosto fundamental nesta crise que Portugal atravessa. Quisemos ouvi-lo sobre as possíveis soluções face ao problema da escassez de alimentos dentro das muralhas.

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Atribulações do Cerco

Mais uma vítima da falta de alimentos

a troco de uma soma avultada. No entanto, o traidor não ficou impune e, segundo apurámos, o homem foi preso, arrastado, decepado e enforcado pela mui alta traição. Muitos outros tentaram sair da cidade em busca de alimentos, mas alguns acabaram por ser apanhados e não regressaram à cidade, pagando com a vida a ousadia.O cerco de Lisboa continua e os castelhanos teimam em não abandonar a cidade. Teme-se que a população ceda e Portugal perca a sua independência.

Um homem foi encontrado morto numa localidade do Ribatejo, durante a manhã da passada quarta-feira.

O corpo de Joaquim Alberto foi encontrado junto de um campo de trigo onde procurava alimentos para abastecer Lisboa, tentando iludir a vigilância castelhana. Este incidente foi o resultado da traição de um português, um homem de Almada que descobriu os batéis que tentavam entrar com trigo dentro das muralhas e passou a informação aos castelhanos a

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Entrevista

JR - No início?! Agora não?! PG - Não, agora não, percebemos que era uma estratégia dos portugueses para nos enfraquecer e nos esgotar as reservas. JR – Então, o que fazem? PG - Por ordem do nosso Rei, mandamo-los de volta para o sítio de onde vieram. Entregamo-los à sua sorte. JR - Mas isso pode significar a sua morte! PG - Pois, mas guerra é guerra e nós queremos ganhar esta.

À conversa com o inimigo...

Paco Garcia, chefe do acampamento castelhano, conversa com o nosso enviado sobre o cerco de Lisboa

mas que não correspondiam às necessidades do reino português, por serem velhos, crianças, mulheres que não servem para o combate. JR - Como agem quando chega um grupo destes? PG - No início, acolhíamo-los, nutríamo-los, dávamos-lhes um campo para descanso e deixávamos que fossem ficando.

gostamos de ver o sofrimento de alguns portugueses que nos têm chegado ao campo.JR - Quem são esses que chegam? PG - são Judeus, mulheres de vida fácil e outras pessoas de pouca serventia. JR- O que quer dizer com “pessoas de pouca serventia”?PG - Pessoas que estavam dentro das muralhas de Lisboa

JR - Paco Garcia, fale-nos sobre o vosso propósito relativamente a este cerco?PG - Pretendemos tomar Lisboa aos portugueses. Somos dois povos tão próximos que não faz sentido que estejamos divididos. JR - Qual é a maior dificuldade que têm sentido? G - É a ausência das nossas famílias. Mas também não

8 agosto de 1384

Jornal da revolução

Correio do leitor

Leitor do JR fez-nos chegar esta carta aberta em nome da população de Lisboa

Nós, membros do povo e habitantes da cidade de Lisboa, vimos por este meio mostrar a nossa indignação face às atitudes tomadas pelas forças portuguesa que se encontram dentro das muralhas. Tivemos oportunidade de assistir à fatalidade que ocorreu com várias pessoas nos últimos dias. Destacamos a nossa vizinha, Amália de Jesus, uma senhora de idade, muito doente e incapaz, que foi atirada brutalmente para fora da muralha da cidade e abandonada à sua sorte. Estamos indignados com a situação desta senhora doente, desamparada, a circular sozinha no arraial Castelhano sujeita a todos os perigos! E perguntamos: quais as razões pelas quais sucedeu tal episódio? O que levou a este tratamento tão cruel, não apenas com Amália de Jesus, mas também com outras pessoas, crianças, idosos, abandonados por aqueles que nos deveriam apoiar e proteger do inimigo? Qual será o nosso verdadeiro inimigo? Os castelhanos ou os portugueses?

10 agosto de 1384

Jornal da revolução

Cerco de Lisboa chega ao fim

tenham sido causadas por uma série de ataques noturnos por parte do pequeno exército do Mestre de Avis que, apesar de estar em inferioridade numérica e extremamente debilitado devido à fome, conseguiu destruir o acampamento castelhano junto às comportas do rio Tejo. A população lisboeta está novamente a ser fornecida com alimentos, esperando apenas o restabelecimento da paz entre Portugal e Castela e o regresso à normalidade.

O cerco castelhano a Lisboa chegou ao fim, ontem, primeiro sábado de setembro. Segundo fontes castelhanas, o principal motivo para D. João de Castela decidir, surpreendentemente, levantar o cerco foi a propagação de uma pestilência que assolou o seu exército.Acredita-se também que muitas das baixas do exército castelhano

4 setembro de 1384

Jornal da revolução

10

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11

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Comunicado da redação

Durante os 4 meses e 27 dias em que Lisboa esteve cercada, alguns artigos que foram sendo publicados faltaram à verdade dos factos, uns pela dificuldade da recolha de informação em ambiente de guerra, outros forjados pelos partidários de Castela com o objetivo de nos enfraquecer. A nossa redação, primando pela verdade, sente-se na obrigação de desmentir esses factos não comprovados, publicando-os nas páginas seguintes.

Fake News

Jornal da revolução

Populares contra D. Leonor Teles

à viúva de D. Fernando.Juan de Malva, conselheiro do palácio, encontrava-se nas ruas e informou D. Leonor. Rapidamente as tropas do palácio intervieram e puseram fim à revolta. Alguns soldados levaram consigo Pero Marques para que D. Leonor o castigasse como entendesse.Na sequência deste episódio, D. Leonor mandou arrastá-lo, espancá-lo e degolá-lo. Segundo um comunicado do Paço, este acontecimento serviu como aviso aos possíveis populares que decidissem iniciar outras revoltas.

Rebentou uma revolta popular em Sintra. O chefe da revolução foi Pero Marques, um habitante de Lisboa pertencente à burguesia. O povo descontente com as decisões de D. Leonor Teles, saiu à rua. Os elementos do povo e burguesia demonstraram o seu descontentamento perante as intenções de D. Leonor de passar o reino português para mãos castelhanas. Incendiaram-se as ruas, partiram-se portas e janelas e ouviram-se vozes indignadas gritando “aleivosa”, “adúltera”, “barregã”, insultos destinados

Autenticidade deste quadro não confirmada.

Fake News

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Mestre de Avis desaparecido

dúvida devido à “fuga” do Mestre de Avis para terras inglesas. O povo questiona a sua lealdade à Nação e condena o candidato ao trono português, mostrando-se revoltado pelos seus atos inesperados e inexplicáveis.

O barco de Mestre de Avis desapareceu durante uma viagem com destino à Inglaterra. Estava prevista a chegada da embarcação a terras inglesas na manhã de sábado, o que acabou por não acontecer. Neste momento, existem várias hipóteses sobre o que terá acontecido ao Mestre, sendo a hipótese mais plausível a ocorrência de um naufrágio. Outra possibilidade aponta para um hipotético desvio de rota. Pensa-se, ainda, que a enorme carência de mantimentos, poderá ter levado à morte do Mestre. O que é certo é que o Mestre fugiu para Inglaterra e presume-se que foi para escapar ao cerco de Lisboa. Nas ruas da cidade, regista-se uma onda de indignação e

Fake News

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Golpe baixo de D. Leonor Teles

"Infiltrado castelhano tentou envenenar D. João, Mestre de Avis."

Segundo infromações do Paço, na passada semana, o Mestre de Avis sentiu-se mal e teve um desmaio quando se preparava para reunir com o rei de Inglaterra, para tratar de questões relacionadas com o apoio deste rei na luta contra os castelhanos.O conselheiro que andava por perto encontrou o Mestre sem sentidos e chamou logo o físico do reino que se apressou a

salvar o Mestre. A investigação apurou que o que D. João havia consumido antes do jantar tinha sido envenenado por um criado infiltrado de D. Leonor Teles. O assassino acabou por ser apanhado e preso. D. João encontra-se totalmente recuperado, conseguindo evitar o golpe baixo de D. Leonor Teles para alcançar o trono português.

Fake News

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Escândalo na corte

Exército castelhano enfraquecido

Fontes seguras revelaram que o verdadeiro motivo do Cerco de Lisboa teve a ver com o facto do Rei de Castela ter descoberto que D. João Mestre de Avis teve um caso com a sua esposa, D. Beatriz. Esta descoberta deixou D. João I de Castela de tal forma colérico que decidiu tomar a coroa portuguesa e assassinar o Mestre de Avis. Porém, este refugiou-se

Encontraram-se vários cadáveres de militares castelhanos junto à muralha Norte. A causa destas mortes terá sido a ingestão de água contaminada da nascente que fornece aquele local. A contaminação deveu-se aos dejetos de animais, que se infiltraram no curso de água. Este acontecimento levou à fuga da maioria dos soldados

daquele lado da muralha. Esta situação deixou o exército castelhano debilitado e abalou profundamente o entusiasmo do inimigo. Força portugueses! Vamos aproveitar esta situação a nosso favor!

dentro das muralhas com receio de um confronto direto com o rei de Castela, aprisionando consigo a população de Lisboa, deixando-a morrer de fome.

Ficha Técnica

Alunos 10ºCT1, 10ºCT2 e 10ºCSE

Biblioteca Escolar

Coordenação e paginação

Chefe de redação

Jornalistas

Prof. Conceição Neves

Agrupamento de Escolas Amato Lusitano

2019-2020

Imagens

Pág.1 Carl Falch - https://turismouc.blogspot.com/2019/02/nasceram-reis-no-paco-real-de-coimbra.html?spref=pi, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=81739560 Pág.2http://ensina.rtp.pt/site-uploads/2019/10/crise-1383-1385.jpgPág.3 https://www.resistir.info/portugal/revolucao_de_1383.html http://www.arqnet.pt/portal/pontosdevista/index.html Pág.4 http://oridesmjr.blogspot.com/2014/04/a-pobreza-no-periodo-medieval.html Pág.5 Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=12061712 Pág.6 e 13 Jean Froissart - Froissart's Chronicles, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=26506496 Pág.9 Roque Gameiro - Quadros da História de Portugal (1917). Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=16964305 Pág.10 http://www.ghtc.usp.br/Contagio/pag62.html Pág.12 Leonor de Viseu por José Malhoa - https://www.vortexmag.net Pág.14 ttps://www.mon-coin-de-bourgogne.fr/banquet-medieval-germolles/ Pág.15 Frank Bernard Dicksee - http://www.odysseetheater.com/romeojulia/romeojulia.htm, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=896519